terça-feira, março 06, 2012

ministro a prazo? não, não, diz relvas

O governo de Passos Coelho é uma estrutura desconexa e, muitas vezes, incompetente. Olho para a ministra da agricultura, pescas e ambiente e o que parece é que vemos uma personagem sem rasgos de alguma notoriedade nestes assuntos, a braços com uma estrutura que desconhece, uma espécie de criança com um brinquedo novo nos braços. O ministro Álvaro foi alvo de uma grande pressão nestes últimos dias. Passos coelho ajudou à festa, reunindo com ele durante três horas, quando os holofotes mediáticos estalavam no sentido da sua eventual saída da orgânica do executivo. Tudo porque é visível o paulatino esvaziamento do seu raio de ação.
Mas o mais grave e interessante deste Governo chama-se Relvas. Ainda há pouco o ouvi afirmar, perentório, à saída de um qualquer e ocasional encontro, que Álvaro Santos Pereira não se encontrava a prazo no Governo. Ora, que eu saiba, Relvas não é primeiro-ministro e só a este compete demitir ou avalizar a continuação dos ministros.

quinta-feira, março 01, 2012

decidam-se

Com o desemprego em janeiro nos extraordinários 14,8%, colocando-nos no pelotão da frente europeu, o novo responsável da missão do Fundo Monetário Internacional em Portugal defende que o Governo deve implementar políticas ativas de emprego. E a explicação é simples: é desta maneira que a economia cresce.
Sabemos que o que está a ser feito assenta num exclusivo pressuposto: cumprir as regras, inverter os números do défice. Convenhamos que não é tarefa que exija especiais atributos. Daí que nas "novas democracias" da Grécia e Itália os governos não são votados pelo povo, mas nomeados tecnocratas "competentes". Sabemos também que estes têm, em relação à política, um epidérmico afastamento. Acontece que nada se resolve sem política, pois é precisamente esta que olha e decide em nome das pessoas e não em virtude dos números.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

recomendações

O relatório Going for Growth, de 2012, da OCDE, traz variadíssimas recomendações a Portugal, todas, aliás, de grau muito pouco surpreendente. No que se refere ao mundo do trabalho, gostaria de salientar apenas uma: o estendidíssimo alargamento, ao nível da proteção do emprego, entre os trabalhadores vinculados e os trabalhadores a prazo fixo. Um outro dado inolvidável diz respeito à distribuição dos rendimentos entre os trabalhadores portugueses. Nada que não se saiba há já longos anos. Somos, assim, dos países da OCDE com maiores índices de desigualdade salarial. Quando é que haverá coragem para se modificar estes dados? Não será por aí que o impulso para a verdadeira modernização, para a real saída da crise, se encaminhará?

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

alguém acredita?

Até posso acreditar na vontade, mas o mesmo já não acontece com a probabilidade. Afirmar que Portugal se encontra no pico da recessão e que daqui para a frente será tudo a subir no sentido de um progressivo afastamento desse cume, não só me parece implausível como também onírico. É que conhecer a classe média portuguesa através de números não é a mesma coisa do que a conhecer de facto, no seu respirar quotidiano. Por conseguinte, não me parece que a ausência dos subsídios de férias e de Natal seja um bom remédio para nos tirar de qualquer recessão económica. Mas esses senhores de Bruxelas (é de lá que partem estas previsões e não do nosso extraordinário ministro das finanças) lá fizeram, decerto, bem as contas. E dois e dois continuam a ser quatro, para alguns.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

detenção em algeciras

Andarei decerto distraído, mas ainda não percebi a relevância das copiosas notícias dos nossos telejornais a respeito da detenção, em Algeciras, de Sara Norte. Ando às voltas e não sei quem é Sara Norte. Proponho um documentário, em simultâneo e em horário nobre, sobre a vida (e obra) de Sara Norte.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

regulamento de contratação de professores

O ministério da educação continua na sua senda vertiginosa de uma plausível reforma curricular. Entrementes, virou-se para a contratação de professores. Justifica-se com a agilização dos concursos. Uma das propostas não me deixou alheio. Trata-se da equiparação, para efeitos de concurso, dos professores do privado com os do ensino público. Ambos prestam um serviço de educação pública, adianta alguém ministrável.
Pois muito bem. Deve então o ministério da educação, na sua douta e desassossegada demanda justiceira, começar por integrar no quadro aqueles professores do ensino público que laboram há muitos e estafados anos num regime de exclusividade contratual. É que os professores do ensino privado, ao fim de três anos, entram automaticamente nos quadros da escola. Se queremos ser sérios, senhores, não basta parecê-lo.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

isabel jonet premiada

Em 2007, escrevi isto. Hoje, após ler a notícia de que Isabel Jonet foi distinguida, pela Seleções Reader's Digest, com o prémio Personalidade Europeia do Ano, a impressão mantém-se. Entre o orgulho de pertença e a emoção desalentada intrínseca à justificação do próprio prémio, gostaria que o mesmo não tivesse existido. E termino como em 2007: estou certo que Isabel Jonet concordará comigo.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...