domingo, fevereiro 12, 2012

nem tanto ao mar, nem tanto à terra

O que não devia passar de um fait divers absolutametne inócuo, tornou-se assunto de interesse político. Uma conversa de intervalo entre o ministro Gaspar e o seu homólogo alemão só tem interesse num país cujos jornalistas funcionam espelharmente, retratando, de certo modo, a miséria grasnante. Daí que a paranóia patriótica do Bloco de Esquerda tenha a correspondência apropriada no desestruturante discurso de Relvas (desestruturante na medida em que se afasta vertiginosamente da realidade). Ou seja: nem o lusitano Gaspar se humilhou (foi, simplesmente, educado), nem o germânico Schaeuble disse nada de jeito.

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

os bancos e a publicidade milionária

Não deixa de ser curioso que os bancos com maiores prejuízos no exercício de 2011 tivessem sido aqueles que apostaram em autênticas estrelas do firmamento desportivo: Millennium, com o inevitável Mourinho; BES, com o inevitável Ronaldo; CGD, com o inevitável Benfica. É certo que se pode sempre conjeturar que sem estas dispendiosas imagens de marca, as coisas correriam muito pior. Pessoalmente, duvido muito deste raciocínio.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

entrevista à josé gomes ferreira

Ouvi e vi a estafada entrevista de José Gomes Ferreira ao ministro da economia, Álvaro Santos Pereira. E o que se ressalvou de todo aquele monocordíssimo linguajar foi uma desconsolada sintomatologia de grau zero. Dois ou três desconcertados vocábulos a pairar naquela bafienta sala (o que estava no cimo da lareira eram sinos de natal?!...): reformas estruturais, brevemente e não há alternativa. Nada, pois. Estou mesmo propenso a crer que o próprio Álvaro não faz a mínima ideia de todo este seu teor discursivo. Diz o que tem de dizer e pronto. Tudo se resume a um efémero manual governativo. E as pessoas, essas, não cabem nas páginas do livro. O desígnio inicia-se e finaliza-se numa obstinação, numa congeminação troikana virada crença por este conjunto de pessoas mandadas. Cada vez mais o ser humano, na sua dignidade, não existe. Não há alternativa, diriam o Álvaro, o Passos, o Gaspar.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

magistrados com fome

Cavaco Silva tem razão. Há limites para os sacrifícios dos portugueses, ele próprio incluído. Os parcos rendimentos do Presidente da República mal chegam para as despesas. Não anda só neste incomensurável trilho deficitário. Maria José Morgado, coordenadora do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, referiu hoje que existem magistrados a passar fome.
Retenho-me uns segundos nesta incompreensível asserção e depressa chego à conclusão de que se entranha na cabeça de muita gente - pessoas de determinados estratos sociais e profissionais -, de que existem portugueses de primeira e de segunda condição.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

o piegas

Carece obviamente de explicação a grande reflexão de hoje do nosso primeiro-ministro sobre os portugueses, para que estes apelem à "transformação de velhas estruturas e velhos comportamentos muito preguiçosos" e que sejam "mais exigentes" e "menos piegas".
Provavelmente, ele quereria dizer: temos de ser mais alemães.

sábado, fevereiro 04, 2012

passos não gosta do carnaval

Esta fobia contra tudo que engloba descanso e apaziguamento de alma também cansa. Ficamos a saber que Passos Coelho não gosta do Carnaval. Eu também não. Aliás, eu não gosto do exacerbamento pagão como também não gosto do seu correspondente religioso. Acontece que estas coisas não se medem por gostos pessoais. "Ninguém perceberia em Portugal", adianta Passos, "que numa altura em que nos estamos a propor acabar com feriados como o 5 de outubro, o 1º de dezembro ou até feriados religiosos, que o Governo pensasse sequer em dar tolerância de ponto, institucionalizando, a partir de agora, o Carnaval como feriado." Noto esta vertigem para o prosaico popularucho ao enfatizar o "ou até feriados religiosos".
Fico simplesmente desalentado que esta gente não entenda que nem todos usufruem as suas deleitosas (deleitosas, sim senhor, deixem-se de volutuosas bagatelas discursivas) existências e que os feriados constituem, para o comum dos trabalhadores (sabem quanto é o ordenado médio em Portugal, não sabem? E o mínimo? E o número de horas semanais de trabalho? E o número de feriados por ano? Parece que, afinal, só estamos, desgraçadamente, à frente nas primeira e segunda opções) uma afortunada oportunidade de revitalizar a alma. Com ou sem folias carnavalescas.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

mário crespo e a demissão da direção de informação da RDP

Teve azar Mário Crespo. No momento em que apresentava o ministro Relvas num excerto da entrevista de ontem a Maria Flor Pedroso, na qual o ministro, com ar decidido e cândido, mandava a jornalista perguntar ao seu diretor de informação por que razão o jornalista Pedro Rosa Mendes fora despedido, nesse momento, dizia, onde só faltava a áurea a encimar o cocuruto de Relvas, surgia a nota de rodapé: última hora: direção de informação das rádio do grupo RTP demite-se em bloco.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...