sexta-feira, fevereiro 10, 2012
os bancos e a publicidade milionária
Não deixa de ser curioso que os bancos com maiores prejuízos no exercício de 2011 tivessem sido aqueles que apostaram em autênticas estrelas do firmamento desportivo: Millennium, com o inevitável Mourinho; BES, com o inevitável Ronaldo; CGD, com o inevitável Benfica. É certo que se pode sempre conjeturar que sem estas dispendiosas imagens de marca, as coisas correriam muito pior. Pessoalmente, duvido muito deste raciocínio.
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
entrevista à josé gomes ferreira
Ouvi e vi a estafada entrevista de José Gomes Ferreira ao ministro da economia, Álvaro Santos Pereira. E o que se ressalvou de todo aquele monocordíssimo linguajar foi uma desconsolada sintomatologia de grau zero. Dois ou três desconcertados vocábulos a pairar naquela bafienta sala (o que estava no cimo da lareira eram sinos de natal?!...): reformas estruturais, brevemente e não há alternativa. Nada, pois. Estou mesmo propenso a crer que o próprio Álvaro não faz a mínima ideia de todo este seu teor discursivo. Diz o que tem de dizer e pronto. Tudo se resume a um efémero manual governativo. E as pessoas, essas, não cabem nas páginas do livro. O desígnio inicia-se e finaliza-se numa obstinação, numa congeminação troikana virada crença por este conjunto de pessoas mandadas. Cada vez mais o ser humano, na sua dignidade, não existe. Não há alternativa, diriam o Álvaro, o Passos, o Gaspar.
terça-feira, fevereiro 07, 2012
magistrados com fome
Cavaco Silva tem razão. Há limites para os sacrifícios dos portugueses, ele próprio incluído. Os parcos rendimentos do Presidente da República mal chegam para as despesas. Não anda só neste incomensurável trilho deficitário. Maria José Morgado, coordenadora do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, referiu hoje que existem magistrados a passar fome.
Retenho-me uns segundos nesta incompreensível asserção e depressa chego à conclusão de que se entranha na cabeça de muita gente - pessoas de determinados estratos sociais e profissionais -, de que existem portugueses de primeira e de segunda condição.
Retenho-me uns segundos nesta incompreensível asserção e depressa chego à conclusão de que se entranha na cabeça de muita gente - pessoas de determinados estratos sociais e profissionais -, de que existem portugueses de primeira e de segunda condição.
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
o piegas
Carece obviamente de explicação a grande reflexão de hoje do nosso primeiro-ministro sobre os portugueses, para que estes apelem à "transformação de velhas estruturas e velhos comportamentos muito preguiçosos" e que sejam "mais exigentes" e "menos piegas".
Provavelmente, ele quereria dizer: temos de ser mais alemães.
Provavelmente, ele quereria dizer: temos de ser mais alemães.
sábado, fevereiro 04, 2012
passos não gosta do carnaval
Esta fobia contra tudo que engloba descanso e apaziguamento de alma também cansa. Ficamos a saber que Passos Coelho não gosta do Carnaval. Eu também não. Aliás, eu não gosto do exacerbamento pagão como também não gosto do seu correspondente religioso. Acontece que estas coisas não se medem por gostos pessoais. "Ninguém perceberia em Portugal", adianta Passos, "que numa altura em que nos estamos a propor acabar com feriados como o 5 de outubro, o 1º de dezembro ou até feriados religiosos, que o Governo pensasse sequer em dar tolerância de ponto, institucionalizando, a partir de agora, o Carnaval como feriado." Noto esta vertigem para o prosaico popularucho ao enfatizar o "ou até feriados religiosos".
Fico simplesmente desalentado que esta gente não entenda que nem todos usufruem as suas deleitosas (deleitosas, sim senhor, deixem-se de volutuosas bagatelas discursivas) existências e que os feriados constituem, para o comum dos trabalhadores (sabem quanto é o ordenado médio em Portugal, não sabem? E o mínimo? E o número de horas semanais de trabalho? E o número de feriados por ano? Parece que, afinal, só estamos, desgraçadamente, à frente nas primeira e segunda opções) uma afortunada oportunidade de revitalizar a alma. Com ou sem folias carnavalescas.
Fico simplesmente desalentado que esta gente não entenda que nem todos usufruem as suas deleitosas (deleitosas, sim senhor, deixem-se de volutuosas bagatelas discursivas) existências e que os feriados constituem, para o comum dos trabalhadores (sabem quanto é o ordenado médio em Portugal, não sabem? E o mínimo? E o número de horas semanais de trabalho? E o número de feriados por ano? Parece que, afinal, só estamos, desgraçadamente, à frente nas primeira e segunda opções) uma afortunada oportunidade de revitalizar a alma. Com ou sem folias carnavalescas.
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Pedro Passos Coelho
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
mário crespo e a demissão da direção de informação da RDP
Teve azar Mário Crespo. No momento em que apresentava o ministro Relvas num excerto da entrevista de ontem a Maria Flor Pedroso, na qual o ministro, com ar decidido e cândido, mandava a jornalista perguntar ao seu diretor de informação por que razão o jornalista Pedro Rosa Mendes fora despedido, nesse momento, dizia, onde só faltava a áurea a encimar o cocuruto de Relvas, surgia a nota de rodapé: última hora: direção de informação das rádio do grupo RTP demite-se em bloco.
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mortes no estádio
Carradas de críticos com opiniões, especialistas do mundo árabe e afins discorrem sobre os acontecimentos de ontem num estádio de futebol, no Egito. Todos confluem em águas resultantes da tormenta verificada há um ano, a qual resultou na queda do regime do ditador Mubarak. É, digamos, a análise do imediatismo lógico.
O futebol tem-se erigido como uma espécie de um mundo à parte. Pacheco Pereira tem escrito, com muita razoabilidade, sobre o tema. Basta vermos as imagens televisivas em redor de alguns encontros de futebol protagonizadas por elementos das claques dos clubes para verificarmos que, por muito menos, muita gente se encontra nos calabouços. Daí que essa ostentação de superioridade moral exposta nas televisões e rádios sobre o acontecimento de ontem seja de todo infundada. E a razão é simples: o adepto fanático do Al Ahli ou do Al Masri é o mesmo que povoa as bancadas dos estádios portugueses: jovens e menos jovens afetados por um crescendo de impunidade judicial, ao abrigo das cores e da defesa de causas clubísticas. Por conseguinte, esta batalha campal podia muito bem ter lugar num qualquer campo de futebol da civilizada Europa. Há tempos vi parte de um estádio a arder...
O futebol tem-se erigido como uma espécie de um mundo à parte. Pacheco Pereira tem escrito, com muita razoabilidade, sobre o tema. Basta vermos as imagens televisivas em redor de alguns encontros de futebol protagonizadas por elementos das claques dos clubes para verificarmos que, por muito menos, muita gente se encontra nos calabouços. Daí que essa ostentação de superioridade moral exposta nas televisões e rádios sobre o acontecimento de ontem seja de todo infundada. E a razão é simples: o adepto fanático do Al Ahli ou do Al Masri é o mesmo que povoa as bancadas dos estádios portugueses: jovens e menos jovens afetados por um crescendo de impunidade judicial, ao abrigo das cores e da defesa de causas clubísticas. Por conseguinte, esta batalha campal podia muito bem ter lugar num qualquer campo de futebol da civilizada Europa. Há tempos vi parte de um estádio a arder...
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