Carradas de críticos com opiniões, especialistas do mundo árabe e afins discorrem sobre os acontecimentos de ontem num estádio de futebol, no Egito. Todos confluem em águas resultantes da tormenta verificada há um ano, a qual resultou na queda do regime do ditador Mubarak. É, digamos, a análise do imediatismo lógico.
O futebol tem-se erigido como uma espécie de um mundo à parte. Pacheco Pereira tem escrito, com muita razoabilidade, sobre o tema. Basta vermos as imagens televisivas em redor de alguns encontros de futebol protagonizadas por elementos das claques dos clubes para verificarmos que, por muito menos, muita gente se encontra nos calabouços. Daí que essa ostentação de superioridade moral exposta nas televisões e rádios sobre o acontecimento de ontem seja de todo infundada. E a razão é simples: o adepto fanático do Al Ahli ou do Al Masri é o mesmo que povoa as bancadas dos estádios portugueses: jovens e menos jovens afetados por um crescendo de impunidade judicial, ao abrigo das cores e da defesa de causas clubísticas. Por conseguinte, esta batalha campal podia muito bem ter lugar num qualquer campo de futebol da civilizada Europa. Há tempos vi parte de um estádio a arder...
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
terça-feira, janeiro 31, 2012
o encerramento dos tribunais: mais uma machadada no interior do país
Entre os deves e os haveres, não vislumbro o objetivo desta ação de despejo de alguns tribunais portugueses situados em concelhos pobres. Já aqui escrevi que isto não vai lá com um país assim desgraçadamente desenhado, com régua e esquadro sustentados por uma iluminada manápula. Este é o tipo de erro que pagaremos bem caro mais tarde, quando cairmos no ridículo de uma outra troika nos prescrever (quase que escrevia ordenar, mas optei por tom mais eufemístico) o repovoamento do interior. No imediato, uma evidência: a justiça, para as pessoas do interior, ficará mais cara. Do mesmo modo, contar-se-ão facilmente facilmente os advogados que resistirem neste mundo rural tão pomposa e mediaticamente (e interesseiramente) acarinhado.
Por que razão nos empurram para o litoral? Será que nos querem afogar aos poucos?
Por que razão nos empurram para o litoral? Será que nos querem afogar aos poucos?
Etiquetas:
desigualdades nacionais,
encerramento dos tribunais
sábado, janeiro 28, 2012
álvaro
Álvaro, ministro,
justificou do seguinte modo a polémica causada na chamada sociedade civil decorrente da abolição dos feriados de 5 de outubro e 1º de dezembro: "quando se tenta fazer reformas profundas, quando se tenta alterar comportamentos, é natural que haja reações. Portanto, não surpreende".
Não sei profundamente se o Álvaro tem condições para perceber o que lhe vou dizer. No entanto, é meu dever, como cidadão deste cada vez mais tristonho país (ouvi-o também afirmar, descomplicadamente, que Portugal é um excelente país para se viver... será, decerto, para si, Álvaro...) explicar-lhe o seguinte: cortar dois ou três feriados não o torna necessariamente um reformador. E é fácil explicar porquê: não é reforma alguma. É uma simples medida avulsiva, de alguém que não faz a mínima ideia do que anda cá a fazer. Eu não alinho pelo diapasão daqueles que, inevitavelmente, expurgam as suas culpas. Você tem, efetivamente, culpa no cartório. E tem-na porque aceitou um cargo que visivelmente não se achava preparado. Não é o único, infelizmente, neste seu governo.
Não sei se sabe, Álvaro ministro, mas existem mais álvaros no mundo. E muitos destes trabalham oito desgraçadas horas por dia, ganham uma miséria e aguardam religiosamente os feriados para, de certa forma, se sentirem senhores de si próprios. E o que você certametne sabe, Álvaro, é que são precisamente estes que não contam nas suas contas. São, simplesmente, abstrações.
justificou do seguinte modo a polémica causada na chamada sociedade civil decorrente da abolição dos feriados de 5 de outubro e 1º de dezembro: "quando se tenta fazer reformas profundas, quando se tenta alterar comportamentos, é natural que haja reações. Portanto, não surpreende".
Não sei profundamente se o Álvaro tem condições para perceber o que lhe vou dizer. No entanto, é meu dever, como cidadão deste cada vez mais tristonho país (ouvi-o também afirmar, descomplicadamente, que Portugal é um excelente país para se viver... será, decerto, para si, Álvaro...) explicar-lhe o seguinte: cortar dois ou três feriados não o torna necessariamente um reformador. E é fácil explicar porquê: não é reforma alguma. É uma simples medida avulsiva, de alguém que não faz a mínima ideia do que anda cá a fazer. Eu não alinho pelo diapasão daqueles que, inevitavelmente, expurgam as suas culpas. Você tem, efetivamente, culpa no cartório. E tem-na porque aceitou um cargo que visivelmente não se achava preparado. Não é o único, infelizmente, neste seu governo.
Não sei se sabe, Álvaro ministro, mas existem mais álvaros no mundo. E muitos destes trabalham oito desgraçadas horas por dia, ganham uma miséria e aguardam religiosamente os feriados para, de certa forma, se sentirem senhores de si próprios. E o que você certametne sabe, Álvaro, é que são precisamente estes que não contam nas suas contas. São, simplesmente, abstrações.
quinta-feira, janeiro 26, 2012
os mais ricos
Obama orientou, no discurso do estado da União, o que irá ser o leit motiv da sua campanha eleitoral: os ricos devem pagar mais impostos. Felizmente, ele vive num país no qual os multimilionários (alguns, pelo menos) gozam de um forte sentido patriótico e altruísta. Neste sentido, Bill Gates seguiu o teor discursivo do seu colega endinheirado, Warren Buffett, e afirmou, descomplexadamente, em Davos, que paga poucos impostos, pelo menos tendo em conta o que seria justo pagar.
Por cá, o encadeado discurso dos comentadores económicos e políticos plana, invariavelmente, no seguinte pressuposto: dão emprego a muita gente. E é assim que eles sobrevivem, silentes, nestes corredores pátrios. Como sabemos, um deles até alcançou o obsceno descaramento de sublinhar que não é rico, que é apenas um trabalhador.
Por cá, o encadeado discurso dos comentadores económicos e políticos plana, invariavelmente, no seguinte pressuposto: dão emprego a muita gente. E é assim que eles sobrevivem, silentes, nestes corredores pátrios. Como sabemos, um deles até alcançou o obsceno descaramento de sublinhar que não é rico, que é apenas um trabalhador.
quarta-feira, janeiro 25, 2012
nós e os outros
O ordenado mínimo em França, Espanha e Luxemburgo é muito superior ao nosso; a gasolina, nestes países, é mais barata do que em Portugal. Na Suíça, debate-se a criação de um salário mínimo de 3000 euros, no sentido de proporcionar às pessoas (pessoas, seres humanos, vidas... esquecemo-nos, muitas vezes, no meio deste turbilhão mercantilista, deste pormenor...) uma vida decente. Em Portugal, destrói-se, inapelavelmente, importantes tecidos sociais, designadamente aqueles que conferem a cada país verdadeiros índices de desenvolvimento.
sábado, janeiro 21, 2012
a razão de cavaco
Quero ainda acrescentar, para além disto, que Cavaco Silva estaria provavelmente a pensar no novo emprego de Catroga. Este, estou certo, não deixará de concordar em absoluto com o seu amigo sr. presidente.
adenda: o primeiro-ministro regozijou-se com este coelho saído da cartola presidencial. Em Guimarães, não se fez esquisito e insistiu, mais uma vez, que os portugueses - entre os quais o sr.presidente da República se inclui - compreendem os sacrifícios que estão, neste penoso momento pátrio, a fazer, pois sabem que não existe alternativa a este caminho.
adenda: o primeiro-ministro regozijou-se com este coelho saído da cartola presidencial. Em Guimarães, não se fez esquisito e insistiu, mais uma vez, que os portugueses - entre os quais o sr.presidente da República se inclui - compreendem os sacrifícios que estão, neste penoso momento pátrio, a fazer, pois sabem que não existe alternativa a este caminho.
as 180 palavras de cavaco silva
O professor solicita aos alunos para que a composição não ultrapasse as 180 palavras. A maioria não chega a tão padronizado número. Outros, mais finos, ficam a dez ou mesmo quinze palavras desse desígnio, sabendo de antemão que o professor não as conta ao milímetro. Porém, há ainda os que, em vez de 180 palavras, enchem duas folhas de uma sofrível prosa, principalmente aquela que começa a ultrapassar a meia página, onde o limite das 180 palavras se inicia.
Cavaco Silva costuma pertencer ao primeiro grupo, dos certinhos, daqueles que ficam nas 150 ou 170 palavras. Não desilude, mas também não deslumbra. Ontem, mais distendido na prosa, o presidente da República decidiu ir mais além do seu enquadramento verbal. Espalhou-se por completo e nem precisou de duas páginas.
Cavaco Silva costuma pertencer ao primeiro grupo, dos certinhos, daqueles que ficam nas 150 ou 170 palavras. Não desilude, mas também não deslumbra. Ontem, mais distendido na prosa, o presidente da República decidiu ir mais além do seu enquadramento verbal. Espalhou-se por completo e nem precisou de duas páginas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
