O professor solicita aos alunos para que a composição não ultrapasse as 180 palavras. A maioria não chega a tão padronizado número. Outros, mais finos, ficam a dez ou mesmo quinze palavras desse desígnio, sabendo de antemão que o professor não as conta ao milímetro. Porém, há ainda os que, em vez de 180 palavras, enchem duas folhas de uma sofrível prosa, principalmente aquela que começa a ultrapassar a meia página, onde o limite das 180 palavras se inicia.
Cavaco Silva costuma pertencer ao primeiro grupo, dos certinhos, daqueles que ficam nas 150 ou 170 palavras. Não desilude, mas também não deslumbra. Ontem, mais distendido na prosa, o presidente da República decidiu ir mais além do seu enquadramento verbal. Espalhou-se por completo e nem precisou de duas páginas.
sábado, janeiro 21, 2012
segunda-feira, janeiro 16, 2012
nomeações pseudoautocriticadas
Pedro Mota Soares, interessante e zeloso deputado do CDS-PP na anterior legislatura, criticava a ministra do trabalho, Helena André, por esta ter escolhido uma boa mão cheia de "boys" para os diversos cargos de diretor e diretor adjunto. A então ministra justificava assim o seu processo de escolha: todos os nomeados tiveram o currículo como primeiro factor de avaliação.
Pedro Mota Soares, atual ministro da Segurança Social, procedeu exatamente da mesma forma da sua anterior visada. Mas o mais interessante reside na sua própria justificação, a qual é, ipsis verbis, a que Helena André, confrontada um dia, na Assembleia da República, pelo tal deputado do CDS-PP, utilizou: tudo se encontra exclusivamente assente em paradigmas curriculares.
Pedro Mota Soares, atual ministro da Segurança Social, procedeu exatamente da mesma forma da sua anterior visada. Mas o mais interessante reside na sua própria justificação, a qual é, ipsis verbis, a que Helena André, confrontada um dia, na Assembleia da República, pelo tal deputado do CDS-PP, utilizou: tudo se encontra exclusivamente assente em paradigmas curriculares.
domingo, janeiro 15, 2012
as nomeações contestatárias
Aos poucos, este governo começa a dar sinais de um panorama de desilusão e de incompetência, o que leva a acreditarmos que é tudo uma questão de oportunidade, tendo em conta o momento do país e o tradicional rotativismo partidário. Foi assim com Sócrates (alguém julgaria que chegasse a primeiro-ministro?) e foi assim também com Passos Coelho (a mesma questão se coloca). Daí que as voltas e baldrocas dos ministros numa vã tentativa de desculpabilizar as quase inauditas nomeações dos Catrogas partidários sejam objetivamente patéticas. Portas, como vimos, tentou, desfasadamente, evocar uma guerra norte-sul a respeito desta matéria. Agora, Assunção Cristas, uma promessa arriscada num trabalho que nitidamente não é para ela (a fazer lembrar aquelas promessas futebolísticas que nunca passaram de promessas) disse exatamente isto, a respeito da nomeação de Manuel Frexes, presidente da Câmara Municipal do Fundão, a qual arrasta pelos tribunais uma querela com a empresa que o próprio vai agora administrar (não sei se haverá muito disto por esse mundo fora, mas estou propenso a crer que esta situação merece almanaque): "a melhor maneira de resolver o problema é trazer os que mais contestaram". Esqueceu-se, todavia, de acrescentar: ... se forem do partido do Governo.
quinta-feira, janeiro 12, 2012
nomeações competentes
Paulo Portas defendeu a nomeação de Castello-Branco, ex-vice presidente da Câmara do Porto, para a administração da empresa Águas de Portugal. Não foi, no entanto, muito criativo na sua argumentação. "É uma pessoa muito qualificada", diz o ministro dos negócios estrangeiros. No entanto, Portas esbarra contra uma parede de palha quando toma uma - esta sim, inovadora - singular defesa do norte (este homem não é do norte...): "a menos que seja por uma questão de xenofobia contra o Norte". Onde já se viu Paulo Portas com este tipo de discurso? Não me recordo. O que verdadeiramente sobressai, nesta desarrazoada declaração - acoplada a outras do mesmo teor de outros membros do Governo, a começar pelo próprio Passos Coelho, um primeiro-ministro cada vez mais notoriamente impróprio para o cargo que ocupa - é o desprovimento de decência política do executivo.
O tempo que vivemos não se deve limitar, no que à ética diz respeito, aos voos em económica nem às "desgravatadas" decisões da ministra Cristas. Deveria ser um tempo de mudança de mentalidade. E estou cada vez mais convencido que será o povo a iniciar mais esta revolução.
O tempo que vivemos não se deve limitar, no que à ética diz respeito, aos voos em económica nem às "desgravatadas" decisões da ministra Cristas. Deveria ser um tempo de mudança de mentalidade. E estou cada vez mais convencido que será o povo a iniciar mais esta revolução.
terça-feira, janeiro 10, 2012
edp-psd
Pode estar tudo certinho na nova equipa de administradores da EDP, com Mexia a encimá-la. As tontearias de Catroga, tentando justificar o injustificável (tenho valor de mercado, diz, burlescamente, o homem) valem o que valem, que é, absolutamente, zero.
O que aconteceu, com a promoção de valores de mercado como Catroga, Celeste Cardona (aqui está alguém que nasceu para isto), Teixeira Pinto (outro abençoado), Rocha Vieira (não está reformado?), Braga de Macedo e Ilídio Pinho, antigo patrão de Passos Coelho, foi, simplesmente, uma oportunidade perdida no reino da ética política.
Talvez os chineses devessem comprar mais de 50% da empresa e talvez estes pontas de lança estivessem a jogar num outro campeonato.
O que aconteceu, com a promoção de valores de mercado como Catroga, Celeste Cardona (aqui está alguém que nasceu para isto), Teixeira Pinto (outro abençoado), Rocha Vieira (não está reformado?), Braga de Macedo e Ilídio Pinho, antigo patrão de Passos Coelho, foi, simplesmente, uma oportunidade perdida no reino da ética política.
Talvez os chineses devessem comprar mais de 50% da empresa e talvez estes pontas de lança estivessem a jogar num outro campeonato.
quanto vale a palavra de um ministro
O défice derrapará, este ano, na ordem dos 0,9% acima do acordado (imposto) com a troika no Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF). Não deixa também de ser curioso que esta derrapagem tenha uma ligação direta com o fundo de pensões da banca, as quais foram, de certo modo, nacionalizadas. Gaspar, o zeloso ministro das finanças, já veio a terreiro afirmar que não serão necessárias gravosas medidas adicionais para os portugueses. Alguém acredita ainda nisto? Terá ele próprio, alguma convicção no que diz?
domingo, janeiro 08, 2012
à tripa-forra
Mistifica-se e cozinha-se tudo muito bem na comunicação social: os políticos são mal pagos em Portugal. Olha-se para o lado e parece que, tendo em conta as idiossincrasias dos diversos países, parece que as coisas não são bem assim. na verdade, comparativamente a outras profissões, a distância da classe política para com os seus congéneres europeus encontra-se, grosso modo, apaziguada. O mesmo não se aplica, evidentemente, a um professor, enfermeiro ou a um caixa de supermercado. Mas uma mentira, pronunciada muitas vezes, sofre uma espécie de metamorfose. E o mais grave de tudo isto é que são os próprios, aqueles que legislam, a acreditar nisso. Daí que Alberto Martins, um sofrível ex-ministro da justiça, se tenha permitido gastar, no último mês de maio, 1100 euros em almoços. Foi até poupado, se tivermos em conta que o plafond mensal do seu (nosso) cartão de crédito era de 4000 euros. Coisa pouca, se notarmos que os restantes membros do ministério usufruíam, entre todos, 12000 para jantaradas e afins, totalizando, portanto, a módica quantia de 16000 euros. Perante isto, ninguém se fez rogado e José Magalhães, secretário de estado de Alberto Martins, desbaratou, em junho, mês de eleições legislativas, 3500 euros em refeições. Por isso é que esta gente, quando está no governo, engorda tanto!
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