domingo, janeiro 15, 2012

as nomeações contestatárias

Aos poucos, este governo começa a dar sinais de um panorama de desilusão e de incompetência, o que leva a acreditarmos que é tudo uma questão de oportunidade, tendo em conta o momento do país e o tradicional rotativismo partidário. Foi assim com Sócrates (alguém julgaria que chegasse a primeiro-ministro?) e foi assim também com Passos Coelho (a mesma questão se coloca). Daí que as voltas e baldrocas dos ministros numa vã tentativa de desculpabilizar as quase inauditas nomeações dos Catrogas partidários sejam objetivamente patéticas. Portas, como vimos, tentou, desfasadamente, evocar uma guerra norte-sul a respeito desta matéria. Agora, Assunção Cristas, uma promessa arriscada num trabalho que nitidamente não é para ela (a fazer lembrar aquelas promessas futebolísticas que nunca passaram de promessas) disse exatamente isto, a respeito da nomeação de Manuel Frexes, presidente da Câmara Municipal do Fundão, a qual arrasta pelos tribunais uma querela com a empresa que o próprio vai agora administrar (não sei se haverá muito disto por esse mundo fora, mas estou propenso a crer que esta situação merece almanaque): "a melhor maneira de resolver o problema é trazer os que mais contestaram". Esqueceu-se, todavia, de acrescentar: ... se forem do partido do Governo.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

nomeações competentes

Paulo Portas defendeu a nomeação de Castello-Branco, ex-vice presidente da Câmara do Porto, para a administração da empresa Águas de Portugal. Não foi, no entanto, muito criativo na sua argumentação. "É uma pessoa muito qualificada", diz o ministro dos negócios estrangeiros. No entanto, Portas esbarra contra uma parede de palha quando toma uma - esta sim, inovadora - singular defesa do norte (este homem não é do norte...): "a menos que seja por uma questão de xenofobia contra o Norte". Onde já se viu Paulo Portas com este tipo de discurso? Não me recordo. O que verdadeiramente sobressai, nesta desarrazoada declaração - acoplada a outras do mesmo teor de outros membros do Governo, a começar pelo próprio Passos Coelho, um primeiro-ministro cada vez mais notoriamente impróprio para o cargo que ocupa - é o desprovimento de decência política do executivo.
O tempo que vivemos não se deve limitar, no que à ética diz respeito, aos voos em económica nem às "desgravatadas" decisões da ministra Cristas. Deveria ser um tempo de mudança de mentalidade. E estou cada vez mais convencido que será o povo a iniciar mais esta revolução.

terça-feira, janeiro 10, 2012

edp-psd

Pode estar tudo certinho na nova equipa de administradores da EDP, com Mexia a encimá-la. As tontearias de Catroga, tentando justificar o injustificável (tenho valor de mercado, diz, burlescamente, o homem) valem o que valem, que é, absolutamente, zero.
O que aconteceu, com a promoção de valores de mercado como Catroga, Celeste Cardona (aqui está alguém que nasceu para isto), Teixeira Pinto (outro abençoado), Rocha Vieira (não está reformado?), Braga de Macedo e Ilídio Pinho, antigo patrão de Passos Coelho, foi, simplesmente, uma oportunidade perdida no reino da ética política.
Talvez os chineses devessem comprar mais de 50% da empresa e talvez estes pontas de lança estivessem a jogar num outro campeonato.

quanto vale a palavra de um ministro

O défice derrapará, este ano, na ordem dos 0,9% acima do acordado (imposto) com a troika no Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF). Não deixa também de ser curioso que esta derrapagem tenha uma ligação direta com o fundo de pensões da banca, as quais foram, de certo modo, nacionalizadas. Gaspar, o zeloso ministro das finanças, já veio a terreiro afirmar que não serão necessárias gravosas medidas adicionais para os portugueses. Alguém acredita ainda nisto? Terá ele próprio, alguma convicção no que diz?

domingo, janeiro 08, 2012

à tripa-forra

Mistifica-se e cozinha-se tudo muito bem na comunicação social: os políticos são mal pagos em Portugal. Olha-se para o lado e parece que, tendo em conta as idiossincrasias dos diversos países, parece que as coisas não são bem assim. na verdade, comparativamente a outras profissões, a distância da classe política para com os seus congéneres europeus encontra-se, grosso modo, apaziguada. O mesmo não se aplica, evidentemente, a um professor, enfermeiro ou a um caixa de supermercado. Mas uma mentira, pronunciada muitas vezes, sofre uma espécie de metamorfose. E o mais grave de tudo isto é que são os próprios, aqueles que legislam, a acreditar nisso. Daí que Alberto Martins, um sofrível ex-ministro da justiça, se tenha permitido gastar, no último mês de maio, 1100 euros em almoços. Foi até poupado, se tivermos em conta que o plafond mensal do seu (nosso) cartão de crédito era de 4000 euros. Coisa pouca, se notarmos que os restantes membros do ministério usufruíam, entre todos, 12000 para jantaradas e afins, totalizando, portanto, a módica quantia de 16000 euros. Perante isto, ninguém se fez rogado e José Magalhães, secretário de estado de Alberto Martins, desbaratou, em junho, mês de eleições legislativas, 3500 euros em refeições. Por isso é que esta gente, quando está no governo, engorda tanto!

as notícias em primeiro

O formato dos telejornais das três televisões é um perfeito exemplo de como não deve ser uma televisão generalista. Hoje, por exemplo, o serviço noticioso das 13 horas da TVI abriu com futebol e esteve com futebol durante os primeiros vinte minutos. Tudo porque se realizou ontem um jogo e hoje o Benfica poderia ocupar o primeiro lugar. Depois vieram as notícias. Depois esteve no ar durante mais ou menos 60 custosos minutos de pretensa informação. E depois, nestes quadros de interação dinâmica, onde o zapping é uma indubitável realidade, mudar de canal não é, definitivamente, solução. Mas o mais interessantes de tudo isto é que anda para aí uma entidade reguladora, a qual tem como principal incumbência regular estas pequeninas coisas.

sexta-feira, janeiro 06, 2012

os sacrifícios não serão em vão

As ironias são, muitas vezes, lapidares. Hoje, mais uma vez, ouvimos um governante afirmar que 2012 será "um ano de viragem económica para o país", que é como quem diz, será o início do fim da crise. O governante em causa é o primeiro-ministro. Quase ao mesmo tempo, o Gabinete de Estatística Europeu revelou os seus dados relativamente ao desemprego na União Europeia. Somos o quarto país com índices mais elevados. Batemos um recorde, com 13,2% de desempregados. Posto isto, importa saber do que fala o primeiro-ministro. De pessoas não é, certamente.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...