domingo, janeiro 08, 2012

à tripa-forra

Mistifica-se e cozinha-se tudo muito bem na comunicação social: os políticos são mal pagos em Portugal. Olha-se para o lado e parece que, tendo em conta as idiossincrasias dos diversos países, parece que as coisas não são bem assim. na verdade, comparativamente a outras profissões, a distância da classe política para com os seus congéneres europeus encontra-se, grosso modo, apaziguada. O mesmo não se aplica, evidentemente, a um professor, enfermeiro ou a um caixa de supermercado. Mas uma mentira, pronunciada muitas vezes, sofre uma espécie de metamorfose. E o mais grave de tudo isto é que são os próprios, aqueles que legislam, a acreditar nisso. Daí que Alberto Martins, um sofrível ex-ministro da justiça, se tenha permitido gastar, no último mês de maio, 1100 euros em almoços. Foi até poupado, se tivermos em conta que o plafond mensal do seu (nosso) cartão de crédito era de 4000 euros. Coisa pouca, se notarmos que os restantes membros do ministério usufruíam, entre todos, 12000 para jantaradas e afins, totalizando, portanto, a módica quantia de 16000 euros. Perante isto, ninguém se fez rogado e José Magalhães, secretário de estado de Alberto Martins, desbaratou, em junho, mês de eleições legislativas, 3500 euros em refeições. Por isso é que esta gente, quando está no governo, engorda tanto!

as notícias em primeiro

O formato dos telejornais das três televisões é um perfeito exemplo de como não deve ser uma televisão generalista. Hoje, por exemplo, o serviço noticioso das 13 horas da TVI abriu com futebol e esteve com futebol durante os primeiros vinte minutos. Tudo porque se realizou ontem um jogo e hoje o Benfica poderia ocupar o primeiro lugar. Depois vieram as notícias. Depois esteve no ar durante mais ou menos 60 custosos minutos de pretensa informação. E depois, nestes quadros de interação dinâmica, onde o zapping é uma indubitável realidade, mudar de canal não é, definitivamente, solução. Mas o mais interessantes de tudo isto é que anda para aí uma entidade reguladora, a qual tem como principal incumbência regular estas pequeninas coisas.

sexta-feira, janeiro 06, 2012

os sacrifícios não serão em vão

As ironias são, muitas vezes, lapidares. Hoje, mais uma vez, ouvimos um governante afirmar que 2012 será "um ano de viragem económica para o país", que é como quem diz, será o início do fim da crise. O governante em causa é o primeiro-ministro. Quase ao mesmo tempo, o Gabinete de Estatística Europeu revelou os seus dados relativamente ao desemprego na União Europeia. Somos o quarto país com índices mais elevados. Batemos um recorde, com 13,2% de desempregados. Posto isto, importa saber do que fala o primeiro-ministro. De pessoas não é, certamente.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

troika "oblige" ou o reino da relatividade

Aos fins de semana e feriados os centros de saúde passarão a um estado de completa ausência de sentido. O interior, mais uma vez, toma por tabela este desígnio da troika. Vi na televisão uma mulher, de meia idade, que refletiu deste modo a notícia do fecho do seu centro de saúde: "a doença não se sabe quando vem". Pelos vistos, andam por aí uns indivíduos que sabem. E também sabem que uma urgência é sempre relativa, nas suas bem amanhadas cabeças. E também sabem que entre pagar 5 euros no centro de saúde e 10 no hospital mais perto (excluindo as "ajudas de custo" dos quilómetros percorridos) conflui no ininteligível reino da relatividade analítica. Do mesmíssimo modo, atinge esta gente que a redução de 20% no Serviço Nacional de Saúde, seja na redução de pessoal, seja em cortes deste tipo, é, para o bom funcionamento do sistema, igual ao litro. Chama-se a isto, simplesmente, crânios.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

o caso jerónimo martins

Afinal, esta deslocalização para sedes fiscais mais atraentes não é caso único das empresas portuguesas. Das vinte cotadas no PSI20, dezanove estão também na Holanda. O capital não tem pátria, dizem, mas os donos do capital devem-na ter. Ou não?!

os donos da bola

Ficamos a saber que a seleção portuguesa de futebol é, de todas as que estão no campeonato europeu da modalidade (o qual decorrerá no próximo mês de junho), a que irá despender uma diária de hotel mais elevada. Trinta e três mil euros por dia. A Espanha, um país que é campeão do mundo e da Europa, fica-se pelos 4700 euros. Já agora, a Dinamarca gastará 7700 euros por dia. É evidente que este pódio só acontece porque a Burkina Faso ou o Gana não podem participar no campeonato.
Terá isto alguma lógica?

terça-feira, janeiro 03, 2012

jerónimo

O ano iniciou-se com a declarada e habilidosa fuga ao fisco da empresa Jerónimo Martins. O caso pode ser considerado paradigmático relativamente ao perfil dos detentores das grandes riquezas nacionais. Em 2011, o maior de todos - Amorim - afirmou, desavergonhadamente, que era apenas um trabalhador, não se considerando, portanto, rico (falamos da ducentésima maior fortuna do mundo, segundo a revista Forbes). Tudo a propósito de um eventual aumento de impostos sobre as grandes fortunas. Agora, Alexandre Soares dos Santos (empresário agraciado, pelo presidente Sampaio, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, mais tarde, com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito, por serviços relevantes prestados à comunidade) deslocalizou a sede social da sua empresa para a Holanda, para que os dividendos das ações auferidos pelos acionistas não sejam tributadas em território nacional. E são estes senhores (há, de facto, muito jerónimos) que apontam o dedo para o cidadão comum e afirmam que este tem vivido, durante estes anos, acima das suas possibilidades. E isto é tudo feito em nome de uma certa venal legalidade.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...