segunda-feira, outubro 31, 2011

pensão vitalícia, subsídios, políticos

Jorge Coelho renunciou, estoicamente, à pensão vitalícia a que tinha, por inelutável intermédio da letra de lei, direito. Sabemos que o Governo prepara uma diretiva no sentido de acabar com este tipo de benesses a ex-políticos que se encontrem a usufruir de uma acumulação no setor privado. Daí que a nobreza deste gesto de Coelho se encontre ao mesmo nível de uns outros seus compagnons de route, agora no governo, os quais recusaram - vejam só! - o subsídio de alojamento a que tinham direito, mesmo sendo possuidores de habitação própria na capital. Foi até com este tipo de fundamentação que Aguiar Branco superou esta onda de hipocrisia política ao renunciar a um dos subsídios de alojamento (o monetário).
A este propósito, convém desmistificar algo que os comentadores políticos teimam em engrandecer, que se cola a uma suposta verdade que é a de que os políticos, em Portugal, são mal pagos. Mal pagos em relação a quem? Quantos quadros superiores públicos recebem, por exemplo, 800 euros mensais de subsídio de alojamento? E não sei quanto para despesas de representação?
A meu ver, urge, efetivamente, em Portugal, uma reforma salarial. Só que a mesma não passa - não deve - pelo aumento da massa salarial dos políticos.

emigrar, diz o jovem secretário de estado

Ora aqui está um governante sem papas na língua. Chama-se Miguel Mestre e é secretário de estado da juventude e do desporto. O homem salienta então que, quem está no desemprego, deve procurar vida além fronteira, que é como quem diz, por aqui não há hipótese de se safarem. Ora, como ele parece estar "safo", pelo menos nos próximo quatro anos (vamos ver... vamos ver...) e, projetadamente, mesmo para além da legislatura (já se sabe que em Portugal, melhor do que ser ministro, é ser ex-ministro - que o digam os Coelhos e os Loureiros e outras espécimes dificilmente extinguíveis), não se vislumbra que Miguel Mestre oriente a sua vidinha na Alemanha ou na América latina. Provavelmente, até pode ser que nestas zonas haja quem necessite de secretários do desporto e da juventude.

quinta-feira, outubro 27, 2011

os 12 vencimentos

Para já, o corte dos subsídios de natal e férias tem um balizamento temporal de dois anos. Depois... bem... depois logo se vê... Com efeito, é este singelo raciocínio económico que tem sido plasmado, ora mais encobertamente, ora através de afortunados discursos diretos, pelos responsáveis governativos. E quando se fala em responsáveis governativos, aparece, à cabeça, Miguel Relvas, o verdadeiro superministro deste Governo. E Relvas referiu hoje que "muitos países só têm 12 vencimentos", e que só os países do sul - Portugal, Espanha e Itália - compartilham a loucura dos 14 soldos, precisamente, sublinha, manhosamente, o ministro, aqueles que se encontram em dificuldades económicas.
E pronto, Relvas, num abrir e fechar de olhos, estabeleceu uma relação de causa e efeito digna de um felicitado prémio, senão nobel, um outro qualquer. Ficamos, no entanto, sem saber se os 14 meses de ordenado serão distribuídos pelos 12 (se tal propósito se concretizar) ou, simplesmente, se 12 meses serão distribuídos por 12.

segunda-feira, outubro 24, 2011

a legalidade do subsídio de alojamento

Miguel Macedo e José Cesário foram céleres a abdicarem do subsídio de alojamento, o qual se encontra amparado através da letra difusa da lei. A questão é, no entanto, outra.
A primeira tem a ver com a cega difusão deste enquadramento legal. A meu ver, só deveria ter acesso ao subsídio quem provar que não possui alternativa habitacional. A segunda diz respeito à espantosa amplitude ética da classe política em geral e destes governantes, em particular. Ter casa própria em Lisboa e candidatar-se ao subsídio de alojamento?!...
Na minha humilde opinião, estas singulares e finórias personagens deveriam, simplesmente, pedir a demissão dos cargos republicanos que ocupam. E isso está também abrangido pela lei.

adenda1: a hipocrisia atingiu um alto nível com a abdicação do subsídio de alojamento, por solidariedade com os seus colegas, do ministro Aguiar Branco. Convém não esquecermos que o ministro da defesa possui, por inerência do cargo, hospedagem oficial, neste caso, o vistoso forte São João da Barra.

adenda2: Carlos Zorrinho disse agora na SIC Notícias que tem de se ver muito bem os casos dos subsídios a ex-deputados. Argumenta que doze anos na Assembleia da República são suscetíveis de originar um distanciamento da vida (social, laboral) que pode impedir, aos quarenta e tal anos (por exemplo), um normal reingresso na vida ativa. Só é pena que esta preocupação com os menos jovens não se estenda aos demais trabalhadores.

quinta-feira, outubro 20, 2011

hipocrisia ocidental

Não se pode imaginar algo mais hipócrita do que o que se passou hoje com as reações à morte de Kadhafi. Todos os líderes ocidentais, sem exceção, declararam, galhardamente, o fim de um tenebroso ciclo e o início de outro, mais reluzente. Todos se esqueceram que há cinco ou seis meses recebiam, ufanos, o ditador nos seus jardins citadinos. Nenhum deles apontou o dedo ao que se passou hoje, à luz dos bramidos ululantes de "Deus é grande", ao mesmo tempo que uma rajada de tiros punha fim à vida do escabroso ditador. Não há, de facto, líderes à altura da humanidade.

quarta-feira, outubro 19, 2011

cavaco e o orçamento

O Presidente da República tem de se definir acerca do orçamento de Estado para o próximo ano: ele está contra o corte dos subsídios (há limites que provavelmente já se atingiram, diz ele), ou quer que todos os trabalhadores do país (públicos e privados) sejam abrangidos pela proposta orçamental? Uma coisa parece que se inicia: a embriaguez da maioria começa já a fazer efeito naquelas mentes. A declaração de Nuno Melo, hoje, ao remeter o Presidente para o seu assentozito em Belém, é, cristalinamente, exemplo disso.

terça-feira, outubro 18, 2011

poupar mais e investir melhor

O título deste post não é da minha autoria. Carlos César, governador do Banco de Portugal, emprestou-mo sem, no entanto, saber. Peço-lhe, por isso, as minhas humildes e sinceras desculpas. De qualquer maneira, o que me arrasta para a aura do sucessor do extraordinário Constâncio é precisamente o conselho com que aquele hoje presenteou os portugueses, ao dirigir-lhes as seguintes e predicatórias palavras: "poupar mais, investir melhor, usar o crédito de forma mais responsável". Fico-me, evidentemente, pelas duas primeiras premissas. A quem é que o sr. Carlos Costa se dirigia? À classe média, presumo. A todos os portugueses, decerto. Acontece que o argumentário do governador do Banco de Portugal revela, sobretudo, a ambivalência mental dos nossos dirigentes públicos. Para eles, a existência salarial começa a partir, sei lá... dos cinco mil euros.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...