segunda-feira, outubro 17, 2011

o desemprego no orçamento

A questão não é tanto os números de desempregados que o Orçamento de Estado para 2012, hoje apresentado, alcança para o próximo ano e ainda para o seguinte. Na verdade, os 13, 4% de desempregados são, simplesmente, um número. O que devemos perguntar a estes senhores é o seguinte: quem são estas centenas de milhares de desempregados? O que fazem? Qual a faixa etária na qual se inserem? Que qualificações têm? Quais as oportunidades que podem ainda agarrar? A estas perguntas, o pacato Gaspar engasga-se e remete-nos a todos para os seus manuais de contabilidade.

sexta-feira, outubro 14, 2011

previsões

Os tempos que correm são de díficil narrativa preditiva. Todavia, um dado podemos acertar, o qual se liga ao crescimento das desigualdades em Portugal. A democracia só é, de facto, louvável se for bem regulada. E o que estamos a assistir afasta-se incontornavelmente de uma regulação justa e racional. Veremos simplesmente os ricos continuarem (mais) ricos e os pobres imergirem numa cada vez mais insustentável (degradante) pobreza. A crise não é mais nada do que isto.

quinta-feira, outubro 13, 2011

a chantagem de passos coelho

A declaração de Passos Coelho ao país, em pleno horário nobre, prognosticando os cortes dos subsídios de natal e de férias a praticamente todos os funcionários públicos não foi mais do que uma telegénica chantagem política. Com efeito, tudo foi muito curto e pouco elástico. O PS, com estes pressupostos, só tem um caminho a seguir: chumbar o Orçamento de Estado para o próximo ano. adenda: Coelho propôs uma "grande" medida: o aumento da carga horária de trabalho em meia hora diária. E anda esta gente a estudar para político!...

segunda-feira, outubro 10, 2011

portugal e o interior

Ouvir um cidadão de Viseu falar que o interior deveria ser objeto de uma discriminação positiva por parte do poder central diz tudo sobre o país que temos. É, na verdade, com estes exemplos que verificamos a força que as palavras podem alcançar. Mobilizam, muitas vezes, outras vezes arrepiam, outras ainda suicidam. Viseu fica no meio de um país que tem pouco mais de duzentos quilómetros até à única fronteira terreste. Distancia-se, portanto, a 100 quilómetros do mar, a pouco mais de uma hora. Mas o mais desgraçado de tudo isto é que aquela voz viseense está cheia de razão.

a descoberta da manuela

Afinal, a economia, por vezes, tem de se vergar à política. Manuela Ferreira Leite disse, há horas, isto: o ideal seria prolongar por mais alguns anos o prazo contratual com a Troika. Há pessoas assim, pessoas que se defendem (e escondem) através do alto grau do seu padroeiro académico, pessoas que se autoinstitucionalizaram e que a sociedade, através de uma imprensa muitas vezes abúlica, acompanhou, panegiricamente, essa (auto)institucionalização. De repente, após crises e deceções, estudos e acompanhamentos troikanos, efetuam 500 passos atrás e defendem aquilo que uma consensual visão política desde sempre concebeu: não é possível e não é justo resolver os males económicos do país com receitas "exteriores" que colocam em causa, irremediavelmente, a vida das pessoas. Toda a gente sabe que é necessário reduzir a despesa, implementar sistemas de produção mais eficazes, combater a fraude fiscal (e a fraude mental, já agora), privatizar (com muito, muitíssimo cuidado), otimizar a educação, a saúde e a justiça. Mas também se torna evidente a necessidade de reduzir (acabar) as desigualdades territoriais e humanas (dos países da OCDE, só a Turquia e o México ficam atrás de Portugal, estando este em último lugar, neste indicador, no que concerne à União Europeia), regular a banca, impulsionar o mercado de trabalho e combater a precariedade laboral (mais uma vez, ocupamos os lugares cimeiros neste parâmetro). Mas tudo isto se faz de duas maneiras: à custa das pessoas, roubando-lhes a única vida que têm (a terrena, para quem não deseja conceber etéreos tons para lá da humanidade) ou à custa dum plano - político, se faz favor - que preveja, a médio/longo prazo, um efetivo arranjo do nosso tempo, do nosso espaço físico e mental. Caso contrário, resta-nos andarmos para aqui ao sabor destes senhores que mais não fazem do que abrir, incessante e perdidamente, os manuais de economia.

domingo, outubro 09, 2011

a retirada de césar e a tirada de seguro

Carlos César retira-se airosamente da política governativa dos Açores. Nada mais natural, ao fim de 16 anos de poder (e outros tantos de oposição). No fundo, a lição do seu homólogo da Madeira serviu-lhe para alguma coisa. Na verdade, Alberto João Jardim é e irá ser uma sombra do que outrora foi o seu traço apologético político. Estou propenso a crer que não se aguentará todo o mandato. Por outro lado, teremos, no Parlamento madeirense, o sr. Coelho, que, com toda a justiça do voto, alicerçou a sua sombra na ilha. Os madeirenses gostam, definitiva e desgraçadamente, destas personagens. Tiveram Jardim durante trinta e muitos anos e, pelos vistos, não se cansaram. Voltemos aos Açores. Seguro transmitiu que por ele, isto é, se Carlos César o ouvisse, aguentar-se-ia mais tempo ao comando das ilhas açorianas. Não se entende esta gente: num dia afirma que não é normal, em democracia, os candidatos prolongarem os seus mandatos durante uma vida ativa (e quem diz que não há empregos para a vida?!...); noutro, reafirma o seu desgosto por César não esticar a sua estadia no palácio do Governo Regional dos Açores. Mas estamos todos habituados a isto, não é verdade?

quarta-feira, outubro 05, 2011

reinventar a coisa

Em andanças comemorativas, há sempre frases mais ou menos tonitruantes, mais ou menos pesadas de sentido. Infelizmente, nem sempre aquelas têm uma direta correspondência com estas. O Presidente da República, no seu discurso dos 101 anos da República, afirmou que era necessário reinventar o republicanismo, o "espírito republicano", nas suas palavras. De imediato, instigado pelos jornalistas presentes, o secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, assinalou positivamente esta frase de Cavaco como forma de sustentar a sua concordância relativamente à oratória do presidente. Acontece que este não definiu, de forma concreta, o que é que isso verdadeiramente significa. Na verdade, o espírito republicano de 1910 (e dos anos precedentes) está, em grande medida, por realizar, visto que o que está aqui em causa serem valores essencialmente civilizacionais, democráticos e humanos, os quais carecem, nas sociedades hodiernas, de efetiva e ampla concretização. No que respeita a Portugal, esses valores republicanos foram postos em causa com a ditadura do Estado Novo. Notei que Cavaco passou por cima desses 48 anos quando lembrou as dificuldades passadas pelos portugueses.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...