A União Europeia, um projeto revolucionário e visionário de poetas - como alinhavava Victor Hugo ao preconizar os Estados Unidos da Europa - tem, como fundamento - e podemo-lo verificar nas diretrizes dos Tratados de Roma, os quais originaram a Comunidade Económica Europeia - uma união cada vez mais estreita entre os povos europeus. Essa união asseguraria, inevitavelmente, o progresso económico e social dos povos europeus, eliminando as barreiras que dividem a Europa, assim como asseveraria o desenvolvimento harmonioso pela redução das desigualdades entre a diversas regiões e do atraso das menos favorecidas.
Quer isto dizer, simplesmente, que os países, seriam todos tratados por igual, independentemente das idiossincrasias inerentes a cada um.
Ontem ouvi Zapatero, compungido e sério, falar das ramificações que a crise pode trazer para o resto dos países periféricos, como, por exemplo, Itália. Deixando de lado o seu país, o primeiro-ministro espanhol adjetivou a Itália como um país importante. Sem querer, Zapatero deslocou-se para o cerne de tudo isto: a Europa, na cabeça destes líderes, não é toda igual. Por conseguinte, há os países importantes e outros menos importantes. Por isso a cosmética de certas eleições e reeleições para o cargo de Presidente da Comissão Europeia não é mais do que isso: pura cosmética. A sr.ª Merkel é que sabe.
terça-feira, julho 12, 2011
segunda-feira, julho 11, 2011
a mudança no ps
Certos políticos, senão mesmo todos, empurram-me para caminhos cada vez mais íngremes da desacreditação. São como aqueles treinadores de futebol que remetem quase sempre para o árbitro (muitas vezes, o melhor do jogo) a culpa do mau desempenho da sua equipa e que só mais tarde conseguem vislumbrar os erros passados. Francisco Assis (ou melhor, praticamente todos os políticos da nossa praça) está assim entre este tipo de espécime. Sabemos que a situação que vivemos – dramática a vários níveis – decorre, sobretudo, da falta de visão dos protagonistas políticos ao longo, sobretudo, das últimas duas décadas. A encimar o clã não posso deixar de colocar Cavaco Silva, o qual primava por uma obscura e patética teoria do melhor aluno da Europa e que ainda há poucos meses, no fulgor da campanha eleitoral, lembrava. Decorriam então os anos oitenta, com fluxos extraordinários de euros convertidos em escudos a desaguarem diretamente para os bolsos de muito poucos, sem qualquer enquadramento de desenvolvimento hegemónico. Foi, como sabemos, o período do betão e do aparecimento de algumas personagens que agora são muito mal vistas pelo povo e também pela justiça. Depois de Cavaco, os pretendentes ao trono lá foram apontando os erros que pareciam não existir até à derrocada. Salto Guterres, que também saltou para fora do pântano, mas que também não teve engenho nem arte para sacudir o país dos vícios e maleitas adquiridas durante demasiado tempo.
Agora, depois de um marcante executivo socialista liderado pelo ausente Sócrates (dá sempre um jeitão – e fica bem – um cursito de filosofia no estrangeiro nestas alturas...), Francisco Assis, que foi tão-somente líder da bancada socialista no Parlamento, remete o partido para uma atónita autocrítica, ao afirmar que "o PS nem sempre soube fazer a pedagogia da crise" (seja lá o que isso signifique) e que era evidente há mais de um ano (!) que um "governo assente numa maioria relativa não tinha consistência". Adianta ainda, entusiasmado, que o primeiro-ministro "devia ter forçado um entendimento parlamentar há mais de um ano".
Acontece que a lembrança que eu tenho de Francisco Assis de há um ano para cá é a de um acérrimo defensor de toda a "pedagogia" política do PS de Sócrates. Nunca o ex-líder da bancada socialista se levantou contra medidas políticas conjunturais do governo. A culpa não é, decerto, só dele. Os partidos políticos estão assim estruturados, isto é, deixam de o ser quando se encontram na suserania governativa. Tudo porque os partidos são fracos porque são fracos quem os lidera. "O fraco rei faz fraca a forte gente", como escreveu Camões. A minha única dúvida é se existe forte gente.
Agora, depois de um marcante executivo socialista liderado pelo ausente Sócrates (dá sempre um jeitão – e fica bem – um cursito de filosofia no estrangeiro nestas alturas...), Francisco Assis, que foi tão-somente líder da bancada socialista no Parlamento, remete o partido para uma atónita autocrítica, ao afirmar que "o PS nem sempre soube fazer a pedagogia da crise" (seja lá o que isso signifique) e que era evidente há mais de um ano (!) que um "governo assente numa maioria relativa não tinha consistência". Adianta ainda, entusiasmado, que o primeiro-ministro "devia ter forçado um entendimento parlamentar há mais de um ano".
Acontece que a lembrança que eu tenho de Francisco Assis de há um ano para cá é a de um acérrimo defensor de toda a "pedagogia" política do PS de Sócrates. Nunca o ex-líder da bancada socialista se levantou contra medidas políticas conjunturais do governo. A culpa não é, decerto, só dele. Os partidos políticos estão assim estruturados, isto é, deixam de o ser quando se encontram na suserania governativa. Tudo porque os partidos são fracos porque são fracos quem os lidera. "O fraco rei faz fraca a forte gente", como escreveu Camões. A minha única dúvida é se existe forte gente.
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domingo, julho 10, 2011
seremos todos comunistas (e bloquistas)?
A decisão da Moody's ao remeter-nos para o caixote do lixo trouxe aos nossos grupos de especialistas uma metamorfose ideotemática interessante. De repente, as agências financeiras já não vão para o céu. Pelo contrário, implorarão, incessante e inutilmente, a entrada para a barca da Glória. Mas os pecados são muitos e grandes. E os anjos jamais permitirão que estes onzeneiros (?) desenhem uma porta de entrada para o reino da salvação. Portugal poderá, assim, mais uma vez, marcar a história do continente e do mundo. Há males que vêm por bem.
quinta-feira, julho 07, 2011
a notação da moody´s
Um aspeto positivo da imbecilidade do prognóstico (o qual deveria seguir o pragmatismo de João Pinto, o antigo capitão do FCP, esperando pelo fim do jogo para então desenhar uma acertada antevidência) da agência financeira Moody's, que coloca a dívida pública portuguesa ao nível de lixo, liga-se à aparente (?) coesão europeia em torno desta inusitada decisão da agência financeira. Tenho pena que este enlaço político se fique por aqui e não tenha uma continuação efetiva, como, por exemplo, "cortar relações", por parte da União, com estas empresas de notação financeira.
terça-feira, julho 05, 2011
renúncia de nobre
Nobre renunciou e fez bem. Ele candidatou-se a deputado para ser eleito presidente da Assembleia da República. Não o conseguiu. Candidatara-se antes a presidente da República. Ficou também, inglório, pelo caminho. Pior do que sair, seria mesmo ficar.
segunda-feira, julho 04, 2011
portugal no seu melhor
Entretemo-nos com défices e crises gregas, com governos mal governados e com cidadãos mal amanhados, com a Europa e com os alemães que nos sufocam. Mas não somos capazes de parar um pouco e pensar nos resultados dos últimos Censos, designadamente no que diz respeito à distribuição da população pelo parco território nacional. É que se efetivamente houvesse, neste país de ping pong clientelar, políticos ou governos capazes de encetar verdadeiras reformas, começariam indubitavelmente pela mãe de todas: a homogeneização do território nacional. Tenho escrito e continuarei a ditar: jamais chegaremos sustentavelmente a qualquer esquina de desenvolvimento enquanto existirem concelhos, regiões inteiras, neste pequeníssimo país, que se lançam desenfreadamente para uma vergonhosa e dificilmente contornada desertificação humana. Depois, como é nossa sina, cavalgamos em escombros que nós próprios edificamos. E já gastamos trinta e tal anos de democracia, a mesma que não previa nada disto.
sexta-feira, julho 01, 2011
mau começo
O novo governo liderado por Passos Coelho começa mal. E tudo por causa do imposto extraordinário, o qual diminuirá em 50% o subsídio de natal dos trabalhadores portugueses que auferem mais do que o salário mínimo nacional. Não me interessa trazer para aqui a necessidade da medida (ficamos também hoje a saber que o buraco orçamental português se situa nos dois mil milhões de euros, o que porventura reforçará o enquadramento deste novo imposto). O que se revela incontornavelmente penoso é este bifurcamento temporal no qual os políticos costumam existir: o antes e o depois, o pré e o pós, a oposição e o governo.
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