quinta-feira, junho 09, 2011

as fatiotas

No que respeita a fatiotas, Paulo Portas bate todos aos pontos. Em campanha, é aquele que se mistura com o povão, essa massa anónima que por vezes aborrece, mas que é incontornavelmente útil em determinados momentos eleitorais. Depois é vê-lo sair das suas já reuniões ministeriais da sede do PSD, à Lapa. Aí o povo é ostensivamente ignorado e às perguntas dos jornalistas (para o povo, os que nele votaram), responde, deplorável e altivamente, com a fatiota. Segredo institucional, à Cavaco Silva, imposto pela fatiota de ministro.
E por falar em fatiotas, José Sócrates parece que já arranjou emprego. A política, afinal, sempre serve para alguma coisa.

adenda: entretanto, o ainda primeiro-ministro parece já ter desmentido a notícia do convite de Dilma. Não podia, aliás, reagir de outra maneira, visto ainda ser o chefe do governo da República. De qualquer modo, este eventual acolhimento do convite para representar as empresas brasileiras no exterior (europeu) não deixa de seguir uma longa tradição da nossa República.

terça-feira, junho 07, 2011

as declarações de ana gomes

O que se pode dizer das declarações de Ana Gomes, as quais colocam Paulo Portas como uma espécie de mafioso compulsivo, é que as mesmas são, no mínimo, despropositadas e extemporâneas. A meu ver, a eurodeputada anda, de certo modo, descompensada. Talvez porque nenhum jornal (ainda) a não cozinhou como putativa candidata a líder do seu partido; talvez porque anda numa qualquer ânsia de protagonismo permanente em casos de denúncia pública e justiceira; talvez porque quer estabelecer uma espécie de Sócrates à direita (a curiosa e extravagante pergunta da jornalista da Rádio Renascença, em plena catarse socratina, na noite da despedida, com o homem a suar por todos os poros do seu corpo, tentando estabelecer uma relação umbilical do poder institucional com a justiça); ou simplesmente talvez porque Ana Gomes terá uma qualquer estranha patologia mental.
Ana Gomes, com este número, deita por terra algumas das suas verdades, que também as teve.

bloco de esquerda

Muito se tem discutido ou analisado sobre a abruta queda do Bloco de Esquerda relativamente às últimas legislativas, quer em número de votos, quer em número de deputados. Na verdade, o Bloco reduziu para metade os seus representantes na Assembleia da República, atingindo, assim, o mesmo número de eleitos de 2005. A questão que (também) se deve colocar é se não estariam inflacionados os dezasseis deputados resultantes do ato eleitoral de 2009.

segunda-feira, junho 06, 2011

fábrica de candidatos

Mistura-se tudo muito bem misturadinho por entre a imprensa escrita, radiofónica e televisiva. Junta-se umas entrevistazinhas num qualquer vão de escada (pode ser mesmo à porta de elevadores, a subir ou descer, não importa), amadurece-se a massa para a tornar mais consistente, aperfeiçoa-se com umas poses de estado e eis que surge, em todo o seu esplendor, um mais ou menos candidato a líder do partido socialista.

a mudança que a eleição alcança

Estou propenso a crer que a eleição legislativa que hoje terminou marca o início de uma viragem do espetro político partidário do país. Não só ao nível de uma implacável rotatividade (a qual, na verdade, mais uma vez, ainda se confirmou) de maioria absoluta de um só partido que nos tem regido nestas décadas em democracia, mas também ao nível das lideranças políticas. Neste ponto, Passos Coelho apareceu como um líder que, pelo menos, trabalhou para a diferença. Neste sentido, disse, desde muito cedo, ao que vinha, não se escondendo em tradicionais e ilusórias retóricas políticas (um bom exemplo da continuação de um "modus faciendi" desgraçado aconteceu esta noite com António José Seguro, o qual não conseguiu manter a satisfação da derrota do seu partido, autoproclamando-se, à saída de um elevador do hotel, candidato a líder). Por isso, não tem, agora já eleito, de esboçar grandes mutações no que diz respeito à ação política. E isto vale não só para consumo externo (ao partido), mas também tendo em conta as ávidas vozes que (também tradicionalmente) se alevantam no mundo PSD. O seu discurso de vitória foi também um bom prognóstico, ao afirmar que não pediria contas ao passado e o que importa é olhar para o futuro. É, sem dúvida, um bom princípio e marca também uma diferença em relação ao seu antecessor (não houve praticamente um mês, ao longo dos últimos seis anos, que Sócrates ou algum do seus apaniguados não desse conta da temível herança recebida…).
Passos Coelho é o líder que, talvez a par com Jerónimo de Sousa, se apresenta mais igual ao comum dos portugueses. Daí que seria bom que a vertigem do cargo não enublasse esta sintomatologia social do até agora candidato a primeiro-ministro de Portugal. Neste sentido, serão sempre bem vindas medidas que cortem um certo "show off" sul europeu que Sócrates tão bem representou como, por exemplo - e sem demagogias - os carros de altíssima cilindrada nos quais os membros do Governo se fazem transportar. Também aqui as mudanças de mentalidade terão de ser iniciadas. E o exemplo dos países do norte da Europa (das mentalidades, sobretudo, isto é, a ausência de vaidades pueris e pacóvias) poderá, neste âmbito, ser elucidativo.
Tendo ainda em conta o pressuposto de uma alteração panorâmica do desenho político partidário do país, estas eleições poderão ter marcado o início do fim do Bloco de Esquerda, enquanto partido autónomo e representativo de um eleitorado consistente. O Bloco perdeu metade dos seus deputados e não é crível que os recupere algum dia, ainda para mais tendo em conta que será muito difícil uma nova vaga de migração de eleitores do Partido Socialista para o Bloco (será muito mais acreditável isso acontecer para o PCP, que se tem revelado um partido com uma indubitável solidez eleitoral). Neste sentido, uma eventual aglomeração eleitoralista do Bloco de Esquerda pelo PCP, ou melhor, pela CDU (PCP-PEV e também, no seguimento desta tese, BE) será um cenário muito mais expetável do que, em princípio, possa parecer.

domingo, junho 05, 2011

ps

Sócrates deve fazer o que deveria ter feito há muito: demitir-se da liderança do Partido Socialista.

psd e e hipocrisia

Ver Passos Coelho ao princípio e agora revela bem que este PSD se encontra (ainda) infestado de caciques, barões e baronetes. Vamos é ver se o agora líder e futuro primeiro-ministro consegue alterar (varrer) este estado de coisas.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...