segunda-feira, maio 16, 2011

posição confortável

Há palavras que matam, ou que ofendem, ou que simplesmente têm a força do riso (e da consequente ironia). (Eduardo Catroga anda agora pelo Brasil e faz bem manter-se por lá durante uns tempos.) Teixeira dos Santos, ao afirmar, hoje, em Bruxelas, à entrada para uma reunião de ministros das Finanças da União Europeia, que Portugal está numa posição confortável obedece a este princípio da sandice política. Não importa o contexto, desculpa demasiadamente invocada por estas personagens. O que o futuro ex-ministro das finanças disse é que Portugal está numa posição confortável face ao programa ambicioso, bastante abrangente e também ajustado oriundo da troika FMI-UE-BCE.
Confortável seria estarmos noutra, completamete divergente da situação atual. Isso sim seria vivermos confortavelmente enquanto país e enquanto cidadãos livres.

campanhas

Vivemos já sob o signo contumaz das campanhas. Passos Coelho adverte e apela para que o primeiro-ministro não trate os portugueses por imbecis. Por sua vez, Sócrates não ouve e sabe muito bem (tal como Portas) que em campanha eleitoral o mais importante é o sound bite, aquela ideia que é nada porque não é mais do que uma inverdade, uma pura e obsidiante fantasia. Neste sentido, importa encostar Passos Coelho ao ultraliberalismo que até a água aspira a privatizar. Pois é, camaradas, nunca se viu tal coisa em trinta anos de democracia. Os outros camaradas (bloquistas e comunistas) esfalfam-se por combater esta ideia terrível de que possa haver camaradas no Largo do Rato socratista. Portas, enlevado pelas sondagens, descobriu que este será o início da futura vida do partido, talvez um sonho de passagem de aglutinado para aglutinador.
Os da troika só fizeram mal não ficar por cá até dia 5 próximo. Aí piaríamos todos baixinho. Ou quase todos.

sexta-feira, maio 13, 2011

os pudicos

Entra-se em certas espirais e vai-se por aí fora. Agora, a respeito duma expressão clara e popularmente idiomática, Eduardo Catroga é um alvo apetitoso da nossa imprensa. No momento social que corre, cruel e quase caótico para muitas famílias, este tipo de apontamento jornalístico, ultrapassando parâmetros desejáveis, é o que menos precisamos.

adenda: entretanto, Catroga já foi despachado para o Brasil, justificando assim o descanso do guerreiro. É também do que menos precisa o PSD.

quarta-feira, maio 11, 2011

psd zangado com barroso

Parece que o PSD anda de costas voltadas com o enganoso presidente da Comissão Europeia. Tudo porque Barroso aquiesceu nos prazos permitidos a Sócrates para comunicar ao país o falso memorando da troika. Depois é o costume: urgem-se teias de politiquice, de parte a parte, com jornalistas misturados no meio da salsada, muitas vezes a comandar as operações. Daí que este ex-primeiro ministro que um dia deu à sola, desonrando os compromissos que tinha para com o (seu) povo, esteja agora já lançado numa campanha presidencial que se realizará, se houver ainda Presidência da República, algures no ano de 2016. O homem, claro, agradece.

segunda-feira, maio 09, 2011

debate portas sócrates

Foi um bom debate este entre Portas e Sócrates. A meu ver, Portas foi mais esclarecedor do que Sócrates. Este não tem, na verdade, muitas opções de refúgio para esconder o que foi os seus frutuosos e dispersos atos de comunicação política ao longo destes últimos meses. E quando o tenta, cai inevitavelmente no ridículo quando é exposto perante essas mesmas declarações. Foi talvez o melhor momento de Portas (e do debate) quando o líder do PP confrontou o "candidato José Sócrates" com as suas declarações de um Portugal oasiano semanas antes da realidade lhe cair em cima. No entanto, há sempre a marcha da propaganda do partido que sempre pode alcançar algumas mentes mais desacauteladas.

domingo, maio 08, 2011

sevinate pinto troca psd pelo pp

A notícia foi este fim de semana veiculada pelos jornais. O antigo ministro da agricultura de Durão Barroso (que foi, outrora, num Portugal de tanga, primeiro-ministro da República portuguesa e que num ápice se exilou em Bruxelas como presidente da Comissão Europeia, o que constituiu, na altura, um incomensurável orgulho pátrio, deixando o governo entregue, com a conivência do extraordinário presidente Sampaio, a Santana Lopes, o qual, na primeira oportunidade de voto, os portugueses remeteram para o limbo paradisíaco do comentário político, originando, por sua vez, um longo consulado socialista socratiano) trocou o seu tradicional voto no PSD pelo apoio a Paulo Portas. As razões são invariavelmente pertinentes e porventura capazes de gozar de um significado mais exemplar e abrangente na relação dicotómica destes dois partidos, designadamente na presente campanha eleitoral. Segundo Sevinate, o CDS-PP é o único partido que atenta aos problemas da agricultura e do mundo rural. Paulo Portas, como se sabe, estende essa exclusividade ao Partido Comunista Português. Todavia, o que me importa perspetivar nesta atitude racional do ex-ministro da agricultura são as suas próprias premissas, ao afirmar que desde que José Sócrates chefia o governo foi feito "um conjunto de maldades incontáveis" nas questões da agricultura e do mundo rural. Adianta que "os agricultores foram sistematicamente humilhados e o PSD tornou-se cúmplice dessa humilhação, na medida em que entrou mudo e saiu calado", não tendo "uma única palavra sobre agricultura durante os quatro anos e meio" do primeiro mandato de Sócrates. Na verdade, a recente e estrambólica proposta de Passos Coelho em transformar o ministério da agricultura numa secretaria de estado parece dar razão em absoluto a Sevinato Pinto.
Acontece que o sr. Sevinato Pinto não é uma pessoa qualquer no mundo da agricultura. Tendo sido já ministro da agricultura ainda não há muito tempo, tem, obviamente, uma quota-parte de responsabilidade relativamente ao estado de insolvência do nosso mundo rural e agrícola. No entanto, não é por aí que pretendo ir com estas linhas (aliás, este tipo de raciocínio retroativo no que às culpas no cartório diz respeito não se afigura, como se sabe, novidade). O sr. Sevinato Pinto ocupa, atualmente (e decerto bem remunerado - um complemento de alguma coisa...), desde 2006, a nobre e mui distinta função de consultor do Presidente da República para os assuntos agrícolas e do mundo rural. Ora, não me parece de dificuldade assinalável concluir que ou o presidente não ligou patavina aos seus doutos conselhos, ou o sr. Sevinate prefere andar assim pelos jornais nesta atmosfera de aconselhamento tardio e estéril.
Em qualquer dos casos, é óbvio que urge também uma reestruturação, por parte do Palácio de Belém, relativamente ao número de conselheiros temáticos e políticos do Presidente da República. É que este presidente tem vindo a dar uma imagem de completa inocuidade política efetiva. Eu sei que não é a ele que cabe decidir, governar. Mas, com tantos e teoricamente bons (e repito: eventualmente bem remunerados) conselheiros, a ele compete avisar os portugueses dos desvios infundados e dramáticos que o rumo governativo, nos diversos momentos, teimosamente (contra os conselhos de muita gente, como se tem vindo abundantemente a provar) delineia. E este exemplo da desgraça que a agricultura portuguesa caiu pode ser considerado paradigmático desta ausência de respostas do órgão de soberania que é a Presidência da República. Não é, pois, por falta de estudos nem de conselheiros (e de estado ou de outros) que Portugal está como está. O problema são, a maior parte das vezes, os políticos.

quinta-feira, maio 05, 2011

a comunicação de teixeira dos santos

Teixeira dos Santos comunicou ao país o que José Sócrates, anteontem, silenciou. E o que ficamos a saber resume-se a uma vida muito difícil nos próximos três anos, com aferições periódicas trimestrais de equipas da troika. Ficamos também a saber que o empréstimo de 78 mil milhões não será suficiente para sairmos dos mercados. O que quer dizer que esta retoma aos mercados acrescentará mais dificuldades à economia portuguesa.
Foi também interessante o início do discurso de Teixeira dos Santos, ao afirmar que o programa foi assumido pelo governo com a colaboração da troika. Eu pensava que tinha sido o contrário.

adenda: Teixeira dos Santos desmitificou o pec4, quando afirmou que este programa de ajuda externa assenta naquela proposta de austeridade chumbada pela oposição, mas com aprofundamentos, dando assim razão àqueles que diziam que depois do quatro vinha o quinto e depois do quinto, o sexto.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...