segunda-feira, maio 09, 2011
debate portas sócrates
Foi um bom debate este entre Portas e Sócrates. A meu ver, Portas foi mais esclarecedor do que Sócrates. Este não tem, na verdade, muitas opções de refúgio para esconder o que foi os seus frutuosos e dispersos atos de comunicação política ao longo destes últimos meses. E quando o tenta, cai inevitavelmente no ridículo quando é exposto perante essas mesmas declarações. Foi talvez o melhor momento de Portas (e do debate) quando o líder do PP confrontou o "candidato José Sócrates" com as suas declarações de um Portugal oasiano semanas antes da realidade lhe cair em cima. No entanto, há sempre a marcha da propaganda do partido que sempre pode alcançar algumas mentes mais desacauteladas.
domingo, maio 08, 2011
sevinate pinto troca psd pelo pp
A notícia foi este fim de semana veiculada pelos jornais. O antigo ministro da agricultura de Durão Barroso (que foi, outrora, num Portugal de tanga, primeiro-ministro da República portuguesa e que num ápice se exilou em Bruxelas como presidente da Comissão Europeia, o que constituiu, na altura, um incomensurável orgulho pátrio, deixando o governo entregue, com a conivência do extraordinário presidente Sampaio, a Santana Lopes, o qual, na primeira oportunidade de voto, os portugueses remeteram para o limbo paradisíaco do comentário político, originando, por sua vez, um longo consulado socialista socratiano) trocou o seu tradicional voto no PSD pelo apoio a Paulo Portas. As razões são invariavelmente pertinentes e porventura capazes de gozar de um significado mais exemplar e abrangente na relação dicotómica destes dois partidos, designadamente na presente campanha eleitoral. Segundo Sevinate, o CDS-PP é o único partido que atenta aos problemas da agricultura e do mundo rural. Paulo Portas, como se sabe, estende essa exclusividade ao Partido Comunista Português. Todavia, o que me importa perspetivar nesta atitude racional do ex-ministro da agricultura são as suas próprias premissas, ao afirmar que desde que José Sócrates chefia o governo foi feito "um conjunto de maldades incontáveis" nas questões da agricultura e do mundo rural. Adianta que "os agricultores foram sistematicamente humilhados e o PSD tornou-se cúmplice dessa humilhação, na medida em que entrou mudo e saiu calado", não tendo "uma única palavra sobre agricultura durante os quatro anos e meio" do primeiro mandato de Sócrates. Na verdade, a recente e estrambólica proposta de Passos Coelho em transformar o ministério da agricultura numa secretaria de estado parece dar razão em absoluto a Sevinato Pinto.
Acontece que o sr. Sevinato Pinto não é uma pessoa qualquer no mundo da agricultura. Tendo sido já ministro da agricultura ainda não há muito tempo, tem, obviamente, uma quota-parte de responsabilidade relativamente ao estado de insolvência do nosso mundo rural e agrícola. No entanto, não é por aí que pretendo ir com estas linhas (aliás, este tipo de raciocínio retroativo no que às culpas no cartório diz respeito não se afigura, como se sabe, novidade). O sr. Sevinato Pinto ocupa, atualmente (e decerto bem remunerado - um complemento de alguma coisa...), desde 2006, a nobre e mui distinta função de consultor do Presidente da República para os assuntos agrícolas e do mundo rural. Ora, não me parece de dificuldade assinalável concluir que ou o presidente não ligou patavina aos seus doutos conselhos, ou o sr. Sevinate prefere andar assim pelos jornais nesta atmosfera de aconselhamento tardio e estéril.
Em qualquer dos casos, é óbvio que urge também uma reestruturação, por parte do Palácio de Belém, relativamente ao número de conselheiros temáticos e políticos do Presidente da República. É que este presidente tem vindo a dar uma imagem de completa inocuidade política efetiva. Eu sei que não é a ele que cabe decidir, governar. Mas, com tantos e teoricamente bons (e repito: eventualmente bem remunerados) conselheiros, a ele compete avisar os portugueses dos desvios infundados e dramáticos que o rumo governativo, nos diversos momentos, teimosamente (contra os conselhos de muita gente, como se tem vindo abundantemente a provar) delineia. E este exemplo da desgraça que a agricultura portuguesa caiu pode ser considerado paradigmático desta ausência de respostas do órgão de soberania que é a Presidência da República. Não é, pois, por falta de estudos nem de conselheiros (e de estado ou de outros) que Portugal está como está. O problema são, a maior parte das vezes, os políticos.
Acontece que o sr. Sevinato Pinto não é uma pessoa qualquer no mundo da agricultura. Tendo sido já ministro da agricultura ainda não há muito tempo, tem, obviamente, uma quota-parte de responsabilidade relativamente ao estado de insolvência do nosso mundo rural e agrícola. No entanto, não é por aí que pretendo ir com estas linhas (aliás, este tipo de raciocínio retroativo no que às culpas no cartório diz respeito não se afigura, como se sabe, novidade). O sr. Sevinato Pinto ocupa, atualmente (e decerto bem remunerado - um complemento de alguma coisa...), desde 2006, a nobre e mui distinta função de consultor do Presidente da República para os assuntos agrícolas e do mundo rural. Ora, não me parece de dificuldade assinalável concluir que ou o presidente não ligou patavina aos seus doutos conselhos, ou o sr. Sevinate prefere andar assim pelos jornais nesta atmosfera de aconselhamento tardio e estéril.
Em qualquer dos casos, é óbvio que urge também uma reestruturação, por parte do Palácio de Belém, relativamente ao número de conselheiros temáticos e políticos do Presidente da República. É que este presidente tem vindo a dar uma imagem de completa inocuidade política efetiva. Eu sei que não é a ele que cabe decidir, governar. Mas, com tantos e teoricamente bons (e repito: eventualmente bem remunerados) conselheiros, a ele compete avisar os portugueses dos desvios infundados e dramáticos que o rumo governativo, nos diversos momentos, teimosamente (contra os conselhos de muita gente, como se tem vindo abundantemente a provar) delineia. E este exemplo da desgraça que a agricultura portuguesa caiu pode ser considerado paradigmático desta ausência de respostas do órgão de soberania que é a Presidência da República. Não é, pois, por falta de estudos nem de conselheiros (e de estado ou de outros) que Portugal está como está. O problema são, a maior parte das vezes, os políticos.
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quinta-feira, maio 05, 2011
a comunicação de teixeira dos santos
Teixeira dos Santos comunicou ao país o que José Sócrates, anteontem, silenciou. E o que ficamos a saber resume-se a uma vida muito difícil nos próximos três anos, com aferições periódicas trimestrais de equipas da troika. Ficamos também a saber que o empréstimo de 78 mil milhões não será suficiente para sairmos dos mercados. O que quer dizer que esta retoma aos mercados acrescentará mais dificuldades à economia portuguesa.
Foi também interessante o início do discurso de Teixeira dos Santos, ao afirmar que o programa foi assumido pelo governo com a colaboração da troika. Eu pensava que tinha sido o contrário.
adenda: Teixeira dos Santos desmitificou o pec4, quando afirmou que este programa de ajuda externa assenta naquela proposta de austeridade chumbada pela oposição, mas com aprofundamentos, dando assim razão àqueles que diziam que depois do quatro vinha o quinto e depois do quinto, o sexto.
Foi também interessante o início do discurso de Teixeira dos Santos, ao afirmar que o programa foi assumido pelo governo com a colaboração da troika. Eu pensava que tinha sido o contrário.
adenda: Teixeira dos Santos desmitificou o pec4, quando afirmou que este programa de ajuda externa assenta naquela proposta de austeridade chumbada pela oposição, mas com aprofundamentos, dando assim razão àqueles que diziam que depois do quatro vinha o quinto e depois do quinto, o sexto.
quarta-feira, maio 04, 2011
o acordo troika
Independentemente da demente declaração triunfalista de José Sócrates, ao proclamar, ontem, o que o acordo com a troika não abrangia, a verdade é que este não consegue ir ao fulcro da nossa marginalidade europeia, a qual tem, basicamente, a ver com a nossa profunda desigualdade social. Com efeito, neste memorando oriundo do triunvirato não existe uma única palavra que vá ao encontro do combate a este desgraçado e tradicional mal português. E neste campo torna-se sempre necessário falar clara e desassombradamente: não deveria ser possível a partilha de reformas públicas basiladas entre umas poucas centenas de euros e dezenas de milhares de euros. Pois é: existem reformas públicas em Portugal de mais de vinte mil euros. E assim não vamos lá.
terça-feira, maio 03, 2011
o momento político de sócrates
Sócrates fez a esperadíssima declaração ao país, dando conta dos resultados da decisões da troika, a qual é composta, como se sabe, por delegações do FMI, Comissão Europeia e BCE. E o que se passou, com toda a solenidade do depoimento (ao ponto de ter um Teixeira dos Santos que mais parecia um candeeiro mal iluminado) foi deplorável. Em primeiro lugar, porque Sócrates nada disse. Pelo contrário, discorreu sobre o que aparentemente não ficou decidido pelo triunvirato. Depois, porque Sócrates apareceu como um vitorioso e não como principal responsável pela crise em que nos encontramos. E a palavra crise de repente deixou de fazer sentido na semântica derramada pelo primeiro-ministro. Ao ponto de nos questionarmos, a fazer fé nas suas palavras (coisa impraticável conhecendo a peça) sobre a necessidade desta ajuda.
Desgraçadamente, o PSD conseguiu entrar na onda politiqueira eleitoralista da missiva. Catroga depressa veio à televisão rebater as palavras de Sócrates. Não poderia ser de outro modo, é verdade. Mas há formas e formas. E neste ponto, Assunção Cristas bateu aos pontos tudo e todos. Disse simplesmente que não conhece o resultado da suposta negociação.
Desgraçadamente, o PSD conseguiu entrar na onda politiqueira eleitoralista da missiva. Catroga depressa veio à televisão rebater as palavras de Sócrates. Não poderia ser de outro modo, é verdade. Mas há formas e formas. E neste ponto, Assunção Cristas bateu aos pontos tudo e todos. Disse simplesmente que não conhece o resultado da suposta negociação.
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segunda-feira, maio 02, 2011
países irmãos
Não pude deixar de reparar na expressão deveras curiosa, deveras lusófona (quando diz respeito a nações) de Passos Coelho ao apelidar de irmãos os países da União Europeia. Sabendo que são estes irmãos os que mais dispostos estão a castigar os devaneios deste lusofonismo tropical, ao ponto de o FMI necessitar de acalmar este "mercado" (sempre emergente), talvez então seja mais adequado outro tipo de linguagem na cabecinha do presidente do PSD.
domingo, maio 01, 2011
a pássaro e o forum
Acompanhei a oportuna visita de Sócrates à ETAR de Alcântara, a qual mereceu, de resto, honra de inauguração. Tratava-se, no fundo, de mostrar ao povo, que o engenheiro é, realmente, um homem de valor incalculável, desmesurado mesmo, tendo em conta a pequenez do Portugal coevo. A seu lado, estava uma senhora que olhava para o sr. primeiro ministro com fulgurantes radiações quase osculares, mas de certo imensamente agradecida por aquele pisar conjunto do chão da ETAR. O sr.primeiro-ministro, ali, tornou-se, portanto, uma apoteose para a ministra do ambiente. "Sabe, sr. primeiro ministro..." "O sr. primeiro-ministro agora já pode..." era o que se ouvia, amiudada e nesciamente, da boca da senhora. Lembrei-me de repente da intervenção da primeira ouvinte do extraordinário fórum TSF. Era a mesma senhora!... Ou talvez não, estou confuso... E o primeiro-ministro, do alto do seu ego, esboçava para a senhora umas curiosas perguntazitas que os jornalistas, igualmente amorfos, sugavam. E aquilo foi, também, uma reunião de trabalho entre tão distintas criaturas.
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