Vi relançado o nome de Telmo, um rapaz que participou no programa televisivo "Big Brother", como uma das escolhas para deputado pelas listas do PS Leiria, a mesma que é encabeçada por Basílio Horta. Li depois os argumentos justificativos desta opção. E li o seguinte, do sr. Miguel Chagas, líder do PS Batalha: "É um jovem empresário e facilmente pode ser reconhecido por ter participado num programa de televisão".
Posto isto, não é claramente necessário acrescentar mais nada para este pastoreio nacional partidário.
quinta-feira, abril 21, 2011
teixeira dos santos
Teixeira dos Santos bem pode afirmar que se soubesse o que sabe hoje, teria feito muita coisa diferente. E uma delas - talvez a mais importante (para si e para o país) - seria decerto apresentar atempadamente o seu pedido de demissão ao primeiro-ministro, o que já foi há muito defendido aqui e aqui. No entanto, deixou-se enredar na enevoada rede socratista-partidária. Ao que consta, não foi convidado pela direção do PS para deputado. Vieira da Silva, seu apaniguado colega no Governo, justificou assim a coisa: "não se colocou a questão de Teixeira dos Santos ser convidado para integrar as listas do PS. Um partido faz sempre opções. São convidadas umas centenas de pessoas e muitos milhares não são convidadas".
Aprende-se muito com esta gente.
Aprende-se muito com esta gente.
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futebol jornalístico
Nunca entendi muito bem a vertigem que todas as televisões sofrem com a apetência para os diretos televisivos, ora à entrada, ora à saída do jogo, ora ainda à chegada do autocarro das claques. Aquela macacada toda, com urros e outros tipos de ululações constituem, de facto, um triste panorama das nossas televisões. No entanto, tudo isto se encontra no mesmo nível da comentação oficial e daqueles desgraçados repórteres que têm a penosa incumbência de andar por ali, zoolátricos, à cata de opiniões variegadas. Igualmente confrangedor é olhar para os outros, os que se montam nas cadeiras da sala de imprensa com o dilatado desígnio de perscrutar os treinadores após a refrega dos jogos. Entra-se num atmosfera circular e não se sai disso.
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quarta-feira, abril 20, 2011
a propósito de egoísmos nacionais
Cavaco Silva remeteu de novo os portugueses para o seu facebook quando aborda a questão dos egoísmos nacionais dos diversos países, sintoma que se encontra nos antípodas dos propósitos dos pais fundadores da Comunidade Económica Europeia, os quais pensaram e desenharam o projeto como um espaço de convergência unitária em prol de um desenvolvimento hegemónico e homogéneo de todo o espaço europeu. É pois verdade que tudo isto se encontra perdido no tempo, em virtude dos tristes líderes europeus que nos calharam na rifa (basta olharmos para aqueles encontros de Bruxelas, o modo como aquela gente se cumprimenta, se deleita com uma qualquer triste anedota de algum qualquer triste personagem para denotarmos sem dificuldade o nível "brutucratizado" daquilo). Acontece que estes egoísmos nacionais também moram em Portugal. Basta lembrar, por exemplo, que temos vivido alegremente no país com o índice de desigualdade (económica, social, cultural, profissional...) mais proeminente de todo o espaço europeu e que o 25 de abril também não se fez para isso. E o que consta é que nunca nenhum dos nossos afamados governantes adormeceu pior com esta triste constatação.
terça-feira, abril 19, 2011
o político tipo do psd coelhista
É notório que Passos Coelho tem mergulhado num paulatino declínio no que diz respeito à sua mensagem política, se é que alguma vez teve alguma. Ganhou a direção do partido como uma espécie autocultivada de homem novo político, o que, nos tempos que correm, queria somente dizer que não é aldrabão. Ora, quanto a este qualificativo, estamos conversados com a história do saber/não saber atempadamente do PEC 4.
Chegou a altura das apetecíveis (apetecíveis? Que ideia obtusa, pacóvia, delirante, acusar-me-ão alguns deles) listas de deputados e, com estas, algumas (notórias, demasiadas...) recusas. A par de alguns indefetíveis como Miguel Relvas, eis que surgem algumas caras novas (novas?!... Eu?!... Incriminar-me-á o ofendido) como o senhor que se apresenta com esta prosa deliciosa em artigo no Jornal de Notícias de ontem, de seu nome Carlos Abreu Amorim, cabeça de lista por Viana do Castelo:
“O que me leva, enquanto professor em duas universidades, escrevendo regularmente em três publicações de prestígio, comentando o estado do país na televisão e tendo-me tentado afirmar por uma visão politicamente livre e desinteressada, a aceitar um convite para ser candidato a deputado nas próximas legislativas? Que razões motivarão o risco de abandonar uma posição confortável e a amena arrumação das rotinas existenciais estabilizadas em prol de uma vida de alvoroço em Lisboa, numa cidade que não é a minha, distante da família e dos amigos de sempre e irremediavelmente colocado numa perigosa fronteira com a contagiante lógica da corte cujos desmandos tanto tenho combatido em intervenções públicas?”
Chegou a altura das apetecíveis (apetecíveis? Que ideia obtusa, pacóvia, delirante, acusar-me-ão alguns deles) listas de deputados e, com estas, algumas (notórias, demasiadas...) recusas. A par de alguns indefetíveis como Miguel Relvas, eis que surgem algumas caras novas (novas?!... Eu?!... Incriminar-me-á o ofendido) como o senhor que se apresenta com esta prosa deliciosa em artigo no Jornal de Notícias de ontem, de seu nome Carlos Abreu Amorim, cabeça de lista por Viana do Castelo:
“O que me leva, enquanto professor em duas universidades, escrevendo regularmente em três publicações de prestígio, comentando o estado do país na televisão e tendo-me tentado afirmar por uma visão politicamente livre e desinteressada, a aceitar um convite para ser candidato a deputado nas próximas legislativas? Que razões motivarão o risco de abandonar uma posição confortável e a amena arrumação das rotinas existenciais estabilizadas em prol de uma vida de alvoroço em Lisboa, numa cidade que não é a minha, distante da família e dos amigos de sempre e irremediavelmente colocado numa perigosa fronteira com a contagiante lógica da corte cujos desmandos tanto tenho combatido em intervenções públicas?”
os outsiders
O Bloco de Esquerda e o PCP decidiram ficar de fora dos encontros que os agentes (não infiltrados) do FMI estão a desenvolver pelas várias forças políticas e instituições (bancos, sindicatos...). A razão peca pela previsibilidade patológica: são contra. Numa altura destas, é claramente um erro de político de palmatória. Não entendo como é que esta gente vem depois apontar o dedo aos abstencionistas nas (próximas?) eleições legislativas.
plafonamentos nas reformas públicas
Passos Coelho acordou hoje para a questão dos tetos nas reformas públicas. Em Espanha, diz o líder do PSD, não existe nenhuma reforma pública superior a 2500 euros. Teve de imediato a resposta do PS, numa apagadíssima segunda linha, acusando-o de querer privatizar a segurança social e implementar um regime profundamente neoliberal.
Este episódio é claramente revelador do modo como se vão desenrolar a pré-campanha e campanha eleitorais. O grau zero da clarificação política será a norma e não a execeção. Valer-nos-á, porventura, a troika para acreditarmos em alguém, em alguma coisa.
Este episódio é claramente revelador do modo como se vão desenrolar a pré-campanha e campanha eleitorais. O grau zero da clarificação política será a norma e não a execeção. Valer-nos-á, porventura, a troika para acreditarmos em alguém, em alguma coisa.
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