quinta-feira, abril 21, 2011
futebol jornalístico
Nunca entendi muito bem a vertigem que todas as televisões sofrem com a apetência para os diretos televisivos, ora à entrada, ora à saída do jogo, ora ainda à chegada do autocarro das claques. Aquela macacada toda, com urros e outros tipos de ululações constituem, de facto, um triste panorama das nossas televisões. No entanto, tudo isto se encontra no mesmo nível da comentação oficial e daqueles desgraçados repórteres que têm a penosa incumbência de andar por ali, zoolátricos, à cata de opiniões variegadas. Igualmente confrangedor é olhar para os outros, os que se montam nas cadeiras da sala de imprensa com o dilatado desígnio de perscrutar os treinadores após a refrega dos jogos. Entra-se num atmosfera circular e não se sai disso.
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quarta-feira, abril 20, 2011
a propósito de egoísmos nacionais
Cavaco Silva remeteu de novo os portugueses para o seu facebook quando aborda a questão dos egoísmos nacionais dos diversos países, sintoma que se encontra nos antípodas dos propósitos dos pais fundadores da Comunidade Económica Europeia, os quais pensaram e desenharam o projeto como um espaço de convergência unitária em prol de um desenvolvimento hegemónico e homogéneo de todo o espaço europeu. É pois verdade que tudo isto se encontra perdido no tempo, em virtude dos tristes líderes europeus que nos calharam na rifa (basta olharmos para aqueles encontros de Bruxelas, o modo como aquela gente se cumprimenta, se deleita com uma qualquer triste anedota de algum qualquer triste personagem para denotarmos sem dificuldade o nível "brutucratizado" daquilo). Acontece que estes egoísmos nacionais também moram em Portugal. Basta lembrar, por exemplo, que temos vivido alegremente no país com o índice de desigualdade (económica, social, cultural, profissional...) mais proeminente de todo o espaço europeu e que o 25 de abril também não se fez para isso. E o que consta é que nunca nenhum dos nossos afamados governantes adormeceu pior com esta triste constatação.
terça-feira, abril 19, 2011
o político tipo do psd coelhista
É notório que Passos Coelho tem mergulhado num paulatino declínio no que diz respeito à sua mensagem política, se é que alguma vez teve alguma. Ganhou a direção do partido como uma espécie autocultivada de homem novo político, o que, nos tempos que correm, queria somente dizer que não é aldrabão. Ora, quanto a este qualificativo, estamos conversados com a história do saber/não saber atempadamente do PEC 4.
Chegou a altura das apetecíveis (apetecíveis? Que ideia obtusa, pacóvia, delirante, acusar-me-ão alguns deles) listas de deputados e, com estas, algumas (notórias, demasiadas...) recusas. A par de alguns indefetíveis como Miguel Relvas, eis que surgem algumas caras novas (novas?!... Eu?!... Incriminar-me-á o ofendido) como o senhor que se apresenta com esta prosa deliciosa em artigo no Jornal de Notícias de ontem, de seu nome Carlos Abreu Amorim, cabeça de lista por Viana do Castelo:
“O que me leva, enquanto professor em duas universidades, escrevendo regularmente em três publicações de prestígio, comentando o estado do país na televisão e tendo-me tentado afirmar por uma visão politicamente livre e desinteressada, a aceitar um convite para ser candidato a deputado nas próximas legislativas? Que razões motivarão o risco de abandonar uma posição confortável e a amena arrumação das rotinas existenciais estabilizadas em prol de uma vida de alvoroço em Lisboa, numa cidade que não é a minha, distante da família e dos amigos de sempre e irremediavelmente colocado numa perigosa fronteira com a contagiante lógica da corte cujos desmandos tanto tenho combatido em intervenções públicas?”
Chegou a altura das apetecíveis (apetecíveis? Que ideia obtusa, pacóvia, delirante, acusar-me-ão alguns deles) listas de deputados e, com estas, algumas (notórias, demasiadas...) recusas. A par de alguns indefetíveis como Miguel Relvas, eis que surgem algumas caras novas (novas?!... Eu?!... Incriminar-me-á o ofendido) como o senhor que se apresenta com esta prosa deliciosa em artigo no Jornal de Notícias de ontem, de seu nome Carlos Abreu Amorim, cabeça de lista por Viana do Castelo:
“O que me leva, enquanto professor em duas universidades, escrevendo regularmente em três publicações de prestígio, comentando o estado do país na televisão e tendo-me tentado afirmar por uma visão politicamente livre e desinteressada, a aceitar um convite para ser candidato a deputado nas próximas legislativas? Que razões motivarão o risco de abandonar uma posição confortável e a amena arrumação das rotinas existenciais estabilizadas em prol de uma vida de alvoroço em Lisboa, numa cidade que não é a minha, distante da família e dos amigos de sempre e irremediavelmente colocado numa perigosa fronteira com a contagiante lógica da corte cujos desmandos tanto tenho combatido em intervenções públicas?”
os outsiders
O Bloco de Esquerda e o PCP decidiram ficar de fora dos encontros que os agentes (não infiltrados) do FMI estão a desenvolver pelas várias forças políticas e instituições (bancos, sindicatos...). A razão peca pela previsibilidade patológica: são contra. Numa altura destas, é claramente um erro de político de palmatória. Não entendo como é que esta gente vem depois apontar o dedo aos abstencionistas nas (próximas?) eleições legislativas.
plafonamentos nas reformas públicas
Passos Coelho acordou hoje para a questão dos tetos nas reformas públicas. Em Espanha, diz o líder do PSD, não existe nenhuma reforma pública superior a 2500 euros. Teve de imediato a resposta do PS, numa apagadíssima segunda linha, acusando-o de querer privatizar a segurança social e implementar um regime profundamente neoliberal.
Este episódio é claramente revelador do modo como se vão desenrolar a pré-campanha e campanha eleitorais. O grau zero da clarificação política será a norma e não a execeção. Valer-nos-á, porventura, a troika para acreditarmos em alguém, em alguma coisa.
Este episódio é claramente revelador do modo como se vão desenrolar a pré-campanha e campanha eleitorais. O grau zero da clarificação política será a norma e não a execeção. Valer-nos-á, porventura, a troika para acreditarmos em alguém, em alguma coisa.
quinta-feira, abril 14, 2011
perfeita inocuidade
A ainda ministra do trabalho saiu-se hoje com esta excecional tirada: "o desemprego em Portugal tem tido aumento no último ano e não nos podemos assustar. Temos de agir e temos de encontrar soluções para apoiar o regresso das pessoas ao mercado de trabalho e é isso que estamos a fazer".
Eu não sei bem se a senhora já se deu conta que vive num tempo ligeiramente diferente do de há mais ou menos um ano, altura em que este tipo de inocuidades discursivas abraçava um país letárgico, ainda mergulhado numa esperança de acreditar no que o Governo lhe dizia. Mas agora é tudo diferente. Daí que este tipo de comunicações à Sócrates não tem, no tempo presente, razão para existir.
Eu não sei bem se a senhora já se deu conta que vive num tempo ligeiramente diferente do de há mais ou menos um ano, altura em que este tipo de inocuidades discursivas abraçava um país letárgico, ainda mergulhado numa esperança de acreditar no que o Governo lhe dizia. Mas agora é tudo diferente. Daí que este tipo de comunicações à Sócrates não tem, no tempo presente, razão para existir.
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helena andré
quarta-feira, abril 13, 2011
os puristas da linguagem
Não é novidade a crítica, por parte de alguns elementos do Governo, relativamente ao uso da linguagem que outros - a oposição - fazem. Passos Coelho quer saber a verdade, não quer "gato escondido com o rabo de fora", ou "esqueletos no armário". Silva Pereira, presunçoso, no alto do seu pendor socratino, afirmou, despeitado, que este tipo de pendor vernacular do líder do maior partido da oposição é impróprio para o momento.
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