quarta-feira, abril 13, 2011
o perigoso mundo de uma campanha eleitoral
Há uns meses, Passos Coelho não tinha pressa. Esperava simplesmente pelo desgaste natural de um governo liderado por um altaneiro primeiro ministro. Agora, com as inconstâncias e o vazio angustiante do predito poder a curtíssimo prazo, Passos Coelho deseja que tudo passe rápido e lhe caia nas mãos a notificação do FMI.
segunda-feira, abril 11, 2011
as primeiras damas
Anda para aí um livro intitulado Primeiras Damas (e que teve honra de noticiário televisivo, não fosse o mesmo escrito por uma jornalista da casa...) que, ao que parece, tenta escrevinhar a teoria de que as grandes mulheres andam sempre ao lado dos grandes homens (nunca atrás, diz, afetada, a autora). A par disso, a obra induz o leitor impávido e sereno no seguinte pressuposto: ser primeira-dama em Portugal é desassombradamente um cargo de muito trabalho e sacrifício. Não li o livro nem o vou ler. Mas vem este a propósito do que há muito me vem remoendo os neurónios: por que razão as primeiras damas não continuam nas suas vidinhas em vez de andarem a passear por esse mundo fora à custa do erário público? Não quero obviamente esboçar juízos de valor sobre as senhoras que ocuparam tão prestigiado e moderno cargo. Acho-as até muito simpáticas. O que eu penso é que a presidência da República não deve ser um cargo com ramificações familiares institucionalizadas.
nota: quando me insurjo contra este aprazível cargo aplico a mesma energia refutatória aos ainda não criados cargos de primeiros-cavalheiros.
nota: quando me insurjo contra este aprazível cargo aplico a mesma energia refutatória aos ainda não criados cargos de primeiros-cavalheiros.
nobre, o fernando e alegre, o manuel
Fernando Nobre destabilizou o PSD e o PS e restantes partidos com a aceitação de encabeçar as listas pelo círculo de Lisboa do PSD. Não haverá muito a dizer. É um homem livre e, segundo rezam as crónicas, houve uma imposição feita pelo próprio: ser indigitado para presidir à Assembleia da República. Ou seja: Nobre ficará, se o PSD de Coelho ganhar as próximas eleições legislativas, como uma espécie de vice-presidente da República. Não consigo, pois, compreender a tremenda agitação dos partidos políticos. O sr. Vitalino Canas chegou mesmo a afiançar que o cargo de Presidente do Parlamento deveria ser preenchido por alguém com (vasta) experiência de deputado. Ridículo argumento, a partir do momento de que existe a possibilidade de cidadãos independentes concorrerem ao cargo de deputados da nação. Para além disso, este ponto de vista configura uma sobranceria nada compaginável com o pressuposto de que a Assembleia da República é a casa da democracia, isto é, dos cidadãos portugueses, os quais são representados pelos deputados. Nobre almeja um dia vir a ocupar a tribuna de Belém. Está no seu direito. Por mim, acho muito bem que se sujeite a quatro anos de trabalhos esmiuçados, enquanto Presidente da Assembleia da República. O que não deve, a meu ver, é aceitar o lugar de deputado caso o PSD perca as eleições. Aí é que colocava em causa a palavra dada aos seus estupidamente desiludidos eleitores.
Um outro curioso caso nestes dias de nebulosidades políticas é o apoio aparentemente incondicionado de Manuel Alegre a José Sócrates. É certo que o poeta já desbaratou aquilo que julgava ser a sua reforma política, mais ou menos avalizada na formosa quantia de um milhão de votantes. Formosa, mas não segura, como previsivelmente se verificou no seu último teste presidencial. Convém recordar que Alegre foi sempre um opositor – feroz! – a José Sócrates, não só enquanto deputado e candidato a Presidente da República (primeira parte), mas também enquanto membro da Comissão Política Nacional do partido. Ora, a questão que se deve colocar é: o que é que mudou? A resposta antevê-se naturalmente negativa se a ligarmos ao ainda primeiro ministro. Na verdade, José Sócrates, tem sido de uma incomensurável constância no que à projeção política diz respeito. Tudo nele é previsível, como, aliás, se viu no último congresso partidário, ao esgrimir a teoria da vitimização (os outros... os outros....), acusando a oposição de ser a responsável pelo caos financeiro-económico-político que o país se encontra. Pelo contrário, quem efetivamente alterou a sua postura interventiva foi Manuel Alegre, ao sujeitar-se a uma intervenção que não foi mais do que mero alcance propagandístico, pois Manuel Alegre está para Sócrates como Maomé está para o toucinho.
E por falar em visões propagandísticas, Passos Coelho deu um grande e arriscado passo (paronímias à parte) ao convidar Nobre para número um por Lisboa. Voltamos sempre ao mesmo: mais importante do que saber quem encima uma longa lista, é conhecermos individualmente cada candidato a deputado. Não irá decerto ser Nobre ou Ferro Rodrigues (meros candidatos fantasmas) os representativos da nação socialista ou social democrata. Aqueles, na verdade, não passam de simples e confiados pontas de lança, os quais simplesmente não podem fazer mais do que prometer marcar muitos golos. Acontece que por vezes os golos não passam de desvirtuosos e desgraçados autogolos. Tal e qual como no futebol.
Um outro curioso caso nestes dias de nebulosidades políticas é o apoio aparentemente incondicionado de Manuel Alegre a José Sócrates. É certo que o poeta já desbaratou aquilo que julgava ser a sua reforma política, mais ou menos avalizada na formosa quantia de um milhão de votantes. Formosa, mas não segura, como previsivelmente se verificou no seu último teste presidencial. Convém recordar que Alegre foi sempre um opositor – feroz! – a José Sócrates, não só enquanto deputado e candidato a Presidente da República (primeira parte), mas também enquanto membro da Comissão Política Nacional do partido. Ora, a questão que se deve colocar é: o que é que mudou? A resposta antevê-se naturalmente negativa se a ligarmos ao ainda primeiro ministro. Na verdade, José Sócrates, tem sido de uma incomensurável constância no que à projeção política diz respeito. Tudo nele é previsível, como, aliás, se viu no último congresso partidário, ao esgrimir a teoria da vitimização (os outros... os outros....), acusando a oposição de ser a responsável pelo caos financeiro-económico-político que o país se encontra. Pelo contrário, quem efetivamente alterou a sua postura interventiva foi Manuel Alegre, ao sujeitar-se a uma intervenção que não foi mais do que mero alcance propagandístico, pois Manuel Alegre está para Sócrates como Maomé está para o toucinho.
E por falar em visões propagandísticas, Passos Coelho deu um grande e arriscado passo (paronímias à parte) ao convidar Nobre para número um por Lisboa. Voltamos sempre ao mesmo: mais importante do que saber quem encima uma longa lista, é conhecermos individualmente cada candidato a deputado. Não irá decerto ser Nobre ou Ferro Rodrigues (meros candidatos fantasmas) os representativos da nação socialista ou social democrata. Aqueles, na verdade, não passam de simples e confiados pontas de lança, os quais simplesmente não podem fazer mais do que prometer marcar muitos golos. Acontece que por vezes os golos não passam de desvirtuosos e desgraçados autogolos. Tal e qual como no futebol.
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domingo, abril 10, 2011
os 47
Confesso que não entendi muito bem o que querem aquelas 47 personalidades que assinaram um documento visando (ou intitulado) um "compromisso nacional", que o Expresso este fim de semana publicou. Antes de mais, porque tudo aquilo me parece óbvio. Depois, eu não sei muito bem quem são os "principais partidos". Por último, em democracia, é sempre o povo, bem ou mal, quem escolhe as regras do jogo.
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o ps em congresso, em matosinhos
As trompetas esganam-se de cada vez que o nome de José Sócrates é pronunciado. António Vitorino, no alto do seu palanque, que o diga. O camarada Sócrates responde, com intensidade inquiridora e lacrimejante, para as suas devotas tropas, com gestos, silêncios, nadas... Afinal, o tempo é de conluios e não há lugar para dissidentes. O congresso é um lugar de desespero, de catarses enviesadas. Sonha-se com impossibilidades: aquilo é uma impossibilidade. Os comentadores, também eles, apesar de avisados, levados pela corrente orgânica do sucesso, vão deixando a mensagem: Sócrates é mesmo um animal... terrível... feroz... político. A nação treme, pois, de medo: voltaremos a existir com Sócrates ao leme?...
A estratégia do PS para estas eleições foi definida antes do Congresso. Resume-se a uma palavra: vitimização. Neste sentido, a culpa não morreu solteira: chama-se Cavaco Silva e PSD. Dantes havia um PEC4; agora há um remodelado PEC4. Dantes não havia FMI; agora já cá mora. Por conseguinte, teremos um PS numa posição curiosíssima: a sua campanha será uma espécie de oposição às suas marcações governativas. A esquerda terá, portanto, um nome: Partido Socialista.
A estratégia do PS para estas eleições foi definida antes do Congresso. Resume-se a uma palavra: vitimização. Neste sentido, a culpa não morreu solteira: chama-se Cavaco Silva e PSD. Dantes havia um PEC4; agora há um remodelado PEC4. Dantes não havia FMI; agora já cá mora. Por conseguinte, teremos um PS numa posição curiosíssima: a sua campanha será uma espécie de oposição às suas marcações governativas. A esquerda terá, portanto, um nome: Partido Socialista.
sexta-feira, abril 08, 2011
o 17º congresso
Entramos no fim de semana de congresso socialista. Este resultará em nada ou, quando muito, na demonstrada incapacidade do PS num ressurgimento interno. Existe ainda, no partido, ténues esperanças num Sócrates animal político. Nada mais errado. O mito de Sócrates se fechará, definitivamente para tarefas executivas públicas, dentro de dois meses.
A memória dos portugueses é, contudo, curta (tanto espanto, tanta agonia com a vinda do FMI e já vamos no terceiro resgate em trinta e tal anos de regime democrático, um verdeiro recorde!...) e existirá sempre o descansado pouso presidencial. Ressuscitará então o homem providencial, aquele que travou duras e penosas batalhas em nome de Portugal, o homem do Tratado de Lisboa, da Cimeira União Europeia-África, da exemplar e derradeira presidência portuguesa, do túnel do Marão, do TGV´s e aeroportos que outros, de visões estreitas, não quiseram. E será esta vastíssima experiência de Sócrates a base para uma candidatura.
A memória dos portugueses é, contudo, curta (tanto espanto, tanta agonia com a vinda do FMI e já vamos no terceiro resgate em trinta e tal anos de regime democrático, um verdeiro recorde!...) e existirá sempre o descansado pouso presidencial. Ressuscitará então o homem providencial, aquele que travou duras e penosas batalhas em nome de Portugal, o homem do Tratado de Lisboa, da Cimeira União Europeia-África, da exemplar e derradeira presidência portuguesa, do túnel do Marão, do TGV´s e aeroportos que outros, de visões estreitas, não quiseram. E será esta vastíssima experiência de Sócrates a base para uma candidatura.
quinta-feira, abril 07, 2011
a ajuda
Vamos ser ajudados, mas existem questões que devem ser colocadas: por que razão não foi o FMI solicitado mais cedo, em vez de percorrermos o caminho até ao precipício (tendo como princípio de que não haveria outra direção a tomar)? O que andou a fazer Cavaco Silva, mago em finananças, durante estes anos (ainda há bem pouco tempo, o atordoado Governo de Sócrates, decretou um aumento de mais de dois por cento aos funcionários públicos)? E o Banco de Portugal do sr. Constâncio? É com esta gente que contamos? Até à próxima?...
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