quarta-feira, março 23, 2011

futebóis português

Por causa de meia dúzia de energúmenos que deviam há muito estar presos, consomem-se horas e horas de televisão, através de comentadores devidamente encartados, como se o caso merecesse sequer 1 minuto de antena.

terça-feira, março 22, 2011

reino da fantasia e da confusão patrioteira

Se existem coisas em que somos de facto evidentes é na pouca clarificação da nossa realidade política. Andamos há meses a ouvir respeitáveis membros do maior partido da oposição criticarem veementemente o Governo da República, designadamente o primeiro-ministro. Agora, em nome de um patriotismo rebuscado, utiliza-se o argumento da estabilidade perante os outros. Os outros são mesmo os outros, mercados à cabeça.

segunda-feira, março 21, 2011

o pec do descontentamento deles

Com PEC renovado ou não, a situação é simplesmente insustentável. As conturbadas e anfratuosas linhas argumentativas do Governo e do partido que o apoia metem dó. Eu pensava que tinha sido uma aposta de José Sócrates em eleições antecipadas. Mas mudei de opinião. O que realmente se passou, em Bruxelas, foi simplesmente cegueira política. Com o ministro Wolfgang Schäuble à perna (habituemo-nos a estes espaços nominativos alemães), Sócrates não teve pejo algum em mostrar um mal feito trabalho de casa. Mais: à frente de uma nação com oito séculos de história, que não se curva perante ninguém, nas suas próprias e eloquentes palavras após uma reuniãozita com a chanceler Angela Merkel, o ainda virtual primeiro-ministro português não soube, por total inépcia política, afirmar que em Portugal, ou melhor, em democracia, as decisões não se tomam na primeira pessoa e que, num período de enorme conturbação social e política, as responsabilidades são essencialmente parlamentares. Na verdade, é com este tipo de atitudes que ganhamos o respeito dos nossos parceiros europeus.

adenda: há uns anos, tínhamos um primeiro-ministro que se chamava Santana Lopes e um Presidente da República de seu nome Jorge Sampaio. Santana foi demitido por Jorge Sampaio. O Governo, curiosamente, era também maioritário. A crise, na altura, não existia, pelo menos com estas dimensões tão nefastamente projetivas. Mas o presidente, com um risco assumido, tomou uma decisão. Atualmente, temos um Presidente da República que só age quando os destroços jazem, irremediavelmente, na rua. O silêncio não é sempre um sinal de prudência. Pode constituir também sinal de fraqueza.

quinta-feira, março 17, 2011

ricardo rodrigues

Ricardo Rodrigues é um dos vice-presidentes do grupo parlamentar do PS. É, digamos, uma personagem que nasceu, ou melhor, que se desenvolveu durante o consulado Sócrates. Discorre muitas vezes sobre ética e justiça. A mim faz-me simplesmente impressão que um deputado que um dia gamou, sorrateiro, um gravador a uns jornalistas que o entrevistavam, ainda permaneça como uma das vozes impolutas do Partido Socialista. Hoje, por exemplo, irá pedir esclarecimentos ao Procurador-Geral da República sobre a veracidade ou não das suspeitas que recaem sobre Paulo Portas no estranho negócio dos submarinos. Está no seu direito, naturalmente, nem é isso que está em causa. Mas eu vejo sempre aquela mãozinha larápia...

crise política

O argumento reiterado da crise política é, obviamente, falacioso. Na verdade, vivemos há muito em crise política. Não basta simplesmente haver governo para que o fantasma da desgovernação se ausente do discurso político. No momento presente, um novo processo eleitoral clarificaria necessariamente alguma coisa. Não nos salvava de nada, mas era um pequeno passo/sinal que se erguia na nossa sociedade.

terça-feira, março 15, 2011

o tenaz

José Sócrates não se dá conta da figura. Nem ele, nem os seus assessores de imagem ou de discurso. Hoje na televisão, o primeiro-ministro apresentou-se ao país como o redentor de um país amordaçado por uma Europa maldita. Os outros não o compreendem, ou porque não conseguem acompanhá-lo, ou porque consideram primeiramente os seus próprios umbigos. Sócrates, entretanto, sem sequer olhar relanceadamente para o lado (para ninguém), prossegue a sua vereda mítica. Ele sabe que o défice tem de estar, no final do ano, nos 4,6%. Ele conhece o caminho. O discurso está escrito nos invisíveis telepontos, ora do lado esquerdo, ora do direito. Fala para os portugueses. Estes ouvem-no e o pior é que Sócrates está mesmo convencido disso. Por isso, fala, discorre pontos de vistas, perspetivas suas e alheias. Todavia, nota-se que utiliza cada vez mais a primeira pessoa do singular nos seus encadeamentos discursivos. É, assim, ao povo que deve prestar contas. Como um bom e verdadeiro democrata.

segunda-feira, março 14, 2011

a manifestação

Gostei da manifestação geração à rasca, apesar da minha inquietude inicial. O verdadeiro sucesso medir-se-á, todavia, pelo impacto além pirinéus. Afinal, podemos ainda ser algum ponto de luz europeu.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...