Hugo Chavez afirmou hoje que o seu governo apoia naturalmente o governo libanês, apoio esse extensível ao seu homólogo Kadafi. Adiantou ainda que existe uma manipulação ocidental, assim como tendências intervencionistas. Depois rematou que é a favor da paz.
Acontece que a favor da paz somos todos, mesmo os mais ignóbeis ditadores. Não basta, porém, ficarmos por aí.
sábado, fevereiro 26, 2011
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
o mundo e a líbia
Torna-se curioso verificar, através do espelho mediático que é, neste momento, a Líbia, certas desarmonias da nossa ocidentalizada ordem mundial. Para além de pertencer ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU - cujo escopo é a verificação e consequente elaboração de um relatório público (público, quero repetir) sobre a situação dos direitos humanos (direitos humanos, permito-me reiterar) em países ou territórios específicos (em Marte?...) -, a Líbia possui também, na mesma ONU, uma "embaixadora da boa vontade", a qual é, obviamente, a filha do decaníssimo ditador Kadafi.
Parece que a organização, num veradeiro e hilariante e exemplar trabalho preventivo, tratou já de expulsar esta gente...
Parece que a organização, num veradeiro e hilariante e exemplar trabalho preventivo, tratou já de expulsar esta gente...
marinho pinto
Pode-se criticar os guardas prisionais da cadeia de Paços de Ferreira. O que a meu ver fica mal a Marinho Pinto é dizer que o os guardas pretendiam somente experimentar as famosas pistolas taser. Acontece que estas situações sao as ideais para essa experimentação. Segundo Marinho Pinto, o que se revelava necessário, ali, era uma equipa de psicólogos. Para quê?!...
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
salários rtp
Parece que o país Correio da Manhã acordou hoje para aquilo que constitui desde há muito um escândalo bem portuguesinho: os obtusos salários dos trabalhadores da RTP. A questão será sempre evocada pelos mestres da justificação neoliberal: é o peso do talento, é o valimento do mercado a funcionar. Acontece que a RTP não tem e não deve seguir estes preceitos concorrenciais.
domingo, fevereiro 20, 2011
redução salarial dos gestores públicos
Nesta semana foi rejeitada, no Parlamento, a proposta que visava a redução salarial dos gestores públicos. Os vários e unívocos projetos partiram, exemplarmente, dos partidos tradicionalmente à margem do arco do poder. Os votos desfavoráveis foram, também exemplarmente, dos partidos que, por norma, são uma espécie de agência de alto-emprego: o PS e o PSD. Subjacente ao chumbo destas propostas, alinharam-se variadíssimos pretextos, desde a regulação dos objetivos das empresas (dos cargos), até à demagogia inerente a tal tipo de juízos proclamatórios e ao momento da sua apresentação.
Há, todavia, algumas variáveis que convém não esquecer. Uma delas diz respeito à paranóica visão de que estes gestores são uma espécie de "special one" da gestão. É, obviamente, uma pura divagação. Quando de repente uma música dos Deolinda se converteu num símbolo de uma geração "que parva que eu sou", "revelando" que, afinal, existem muitas pessoas - muitos jovens e menos jovens entronizados nos corredores (virtuais ou não) dos centros de emprego - cujos perfis profissionais e académicos nada devem a esta gente que sistematicamente pulula de governo em governo com sequiosas e por vezes pensadas pausas mais ou menos longas, damo-nos então conta – pelo menos os mais incautos –, de que existe, na nossa sociedade, uma narrativa ainda muito apegada ao culto dos homens providenciais. Neste ponto de vista, estes homens (e poucas mulheres) não devem, por isso, obedecer às mesmas leis laborais do que os demais. São senadores da coisa pública. São, por isso, tidos como demasiado valiosos para que isso aconteça. A pátria partidária não pode prescindir dos seus serviços.
Uma outra variável diz respeito ao agravamento do fosso entre os que recebem mais e os que auferem ordenados miseráveis. Neste propósito, convém igualmente recordar que Portugal apresenta um salário mínimo que é dos mais baixos da zona euro. Ou, se quisermos ir mais além, dos países da OCDE, só a Turquia e o México ficam atrás de nós nos índices de desigualdade social (na UE somos os primeiros). Pelo contrário, a discrepância relativamente aos salários mais altos (os representantes cerebrais públicos da nação) é bem menor, muitas vezes até a ultrapassarem a média europeia. Portugal é também a terceira maior potência europeia no que à precariedade laboral diz respeito.
Tudo isto se revela, portanto, digno de uma democracia evoluída, tipo Egito, Líbia, e outros países que andam nestes conturbados tempos a alimentar os noticiários internacionais.
Há, todavia, algumas variáveis que convém não esquecer. Uma delas diz respeito à paranóica visão de que estes gestores são uma espécie de "special one" da gestão. É, obviamente, uma pura divagação. Quando de repente uma música dos Deolinda se converteu num símbolo de uma geração "que parva que eu sou", "revelando" que, afinal, existem muitas pessoas - muitos jovens e menos jovens entronizados nos corredores (virtuais ou não) dos centros de emprego - cujos perfis profissionais e académicos nada devem a esta gente que sistematicamente pulula de governo em governo com sequiosas e por vezes pensadas pausas mais ou menos longas, damo-nos então conta – pelo menos os mais incautos –, de que existe, na nossa sociedade, uma narrativa ainda muito apegada ao culto dos homens providenciais. Neste ponto de vista, estes homens (e poucas mulheres) não devem, por isso, obedecer às mesmas leis laborais do que os demais. São senadores da coisa pública. São, por isso, tidos como demasiado valiosos para que isso aconteça. A pátria partidária não pode prescindir dos seus serviços.
Uma outra variável diz respeito ao agravamento do fosso entre os que recebem mais e os que auferem ordenados miseráveis. Neste propósito, convém igualmente recordar que Portugal apresenta um salário mínimo que é dos mais baixos da zona euro. Ou, se quisermos ir mais além, dos países da OCDE, só a Turquia e o México ficam atrás de nós nos índices de desigualdade social (na UE somos os primeiros). Pelo contrário, a discrepância relativamente aos salários mais altos (os representantes cerebrais públicos da nação) é bem menor, muitas vezes até a ultrapassarem a média europeia. Portugal é também a terceira maior potência europeia no que à precariedade laboral diz respeito.
Tudo isto se revela, portanto, digno de uma democracia evoluída, tipo Egito, Líbia, e outros países que andam nestes conturbados tempos a alimentar os noticiários internacionais.
Etiquetas:
desigualdades socias,
ordenados gestores,
ps,
psd
brincar às moções
Já foi aqui dito muito sobre moções de censura. Adianto, porém, o último esgar bloquista, protagonizado pelo líder parlamentar do partido de Louçã (e esta designação proprietária tem, cada vez mais, razão de ser), Manuel Pureza, que afirma que jamais viabilizará (entende-se o partido) uma moção de censura vinda das bandas da direita parlamentar. Andamos nisto e Sócrates, entretanto, agradece. E o PCP também.
Etiquetas:
bloco de esquerda,
moção de censura
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
as censuras e o rotativsmo
O PSD revelou já o sentido do seu voto em relação à moção de censura apresentada pelo Bloco: abstenção. Com umas vozes contra (queriam o voto contra), outras assim assim, e ainda outras perdidas, a Comissão Política Nacional do partido apresentou mais uma prova de (pois, claro) responsabilidade face à grave situação do país. Conseguintemente, elaborou (pois, claro) uma declaração que esboça princípios curiosos face à justificação da abstenção: "Se chegarmos a um estado em que o Governo não cumpra com o que se comprometeu, que o país esteja num beco sem saída, o PSD arranjará uma saída para a situação". Esqueceu-se, porém, de determinar o balizamento temporal desse prazo. É que quanto a compromissos incumpridos deste Governo, estamos há muito bem conversados.
Não fora o espetro partidário português estar assente num doentio e maléfico rotativismo, em que basta esperar que a fruta caia, podre, da árvore, independentemente do mérito do senhor que se segue, e esta conversa teria sido, decerto, outra. Este rotativismo, esta incapacidade de formar governos (maioritários) com texturas ideológicas diferenciadas, é que nos tem vindo, desde há três décadas, a aniquilar.
Não fora o espetro partidário português estar assente num doentio e maléfico rotativismo, em que basta esperar que a fruta caia, podre, da árvore, independentemente do mérito do senhor que se segue, e esta conversa teria sido, decerto, outra. Este rotativismo, esta incapacidade de formar governos (maioritários) com texturas ideológicas diferenciadas, é que nos tem vindo, desde há três décadas, a aniquilar.
Etiquetas:
moção de censura,
psd,
rotativismo
Subscrever:
Mensagens (Atom)
