terça-feira, fevereiro 15, 2011
brincar às moções
Vai ser o ano das moções de censura. Para já, iniciaram-se as virtuais (PCP, BE, PP). Para depois, com os chumbos reais às virtuais declarados, cada partido terá a legítima oportunidade de apresentar a sua. As desculpas são variegadas, determinando-se, sobretudo, pelo teor conteudístico do texto. Esta gente gosta de precisão, já se sabe, principalmente quando o que está em causa pouco ou nada tem a ver com excessivas preocupações minudentes. Como resultado destes imbróglios, iremos ter Sócrates apontar o dedo aos seus companheiros da oposição social democrata, afirmando, mais ou menos o seguinte, no alto da tribuna parlamentar, para o povo bem ouvir (permito-me colocar aspas, num mero e pouco digno exercício futurologista): "meus senhores, isto é o exemplo acabado do que é a cobardia política. Agora que se projeta para 2012 uma recuperação da economia, é que o PSD aposta em eleições. Tiveram a oportunidade em março, mas isso era fazer o trabalho sujo..." (etc., etc., etc.). O discurso já deve estar feito. Falta só saber se terá razão.
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descredibilização política,
moção de censura
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
o comentário de marcelo
Marcelo Rebelo de Sousa passou de um "o Governo acabou, está acabado", para um "o Governo não tem condições para continuar mais dois anos". E tudo numa semana. O professor anda um pouco abaixo de forma no que diz respeito ao paradigma que o celebrizou: periodicista de factos políticos.
domingo, fevereiro 13, 2011
as moções de censura
São já demasiadas as moções de censura que se alevantam. O governo Sócrates teve, no seu decurso governativo, salvo erro duas. Devida e estrategicamente chumbadas, obviamente. Nesta fase pós-eleições presidenciais, com Cavaco Silva acalentado como nunca na cadeira de Belém (o não-político chegará, finalmente, ao fim deste seu interessante e profícuo percurso político dentro de cinco anos), o PCP adiantou-se à concorrência e sugeriu o óbvio: não prescindirá da possibilidade constitucional de apresentar uma moção de censura ao governo. Marcelo Rebelo de Sousa, comentador-mor do reino, numa ânsia devoradora concorrencial, rematou que o governo estava já morto. Seria, portanto, uma questão de semanas, porventura meses. Entretanto, o Bloco de Esquerda, espreitou uma janela de oportunidade: com o fracasso do estapafúrdio acordo presidencial, urgia a possibilidade de determinar a agenda política. Aparentemente sem grande debate interno, Francisco Louçã, num infantilóide jogo de palavras com o primeiro-ministro no Parlamento, respondeu-lhe com a apresentação de uma moção de censura, a qual ocorrerá no primeiro dia "útil" de Cavaco Silva enquanto presidente da República deste seu segundo mandato. Sócrates tremeu (tremeu sim, senhores). Louçã, no entanto, habituado à caridade dos meios de comunicação social, foi por estes esmagado, aniquilado, ridicularizado...
O desporto preferido dos comentadores políticos nestes últimos meses (anos) tem sido a caça ao Sócrates. Eis que Louçã, esse endiabrado e eterno contestatário de abriladas passadas, tem a coragem de sugerir, assim, por dá cá aquela palha, a prostração definitiva de José Sócrates, o nosso primeiro-ministro. Saltam para a arena, ávidos, gulosos, impiedosos, os jornais - televisivos, escritos, radiofónicos -, os quais, através dos seus fazedores de opiniões (gostava de saber se é ao quilo que esta gente é paga), remetem o Bloco de Esquerda para uma extenuação que poderá significar o seu fim enquanto partido político (um PRD tardio). Neste momento, toda a gente se esquece que o país anda miseravelmente governado por pessoas animicamente derrotadas, impossibilitadas, por isso, de efetuar um bom trabalho. Na verdade, não existe Governo: só Sócrates. Do mesmo modo, as palavras de todos os agentes políticos da oposição, sem exceção, são repentinamente esquecidas. Mas o que interessa isso se o que está aqui em causa não é o país mas antes o partido, ou então o momento mais oportuno para pegar nas rédeas orçamentais. Preencheria horas de citações, mas deixo aqui a de Pedro Passos Coelho, na sua bendita contenção frásica: "Não vamos andar com o Governo ao colo com medo de queimar os dedos. Ou entrar em calculismos políticos para deixar que ele 'torre' até ao mais difícil estar realizado (...) Apesar de não termos grande expetativa sobre a confiança que o Governo merece para fazer as reformas que nunca quis fazer até hoje, colocamos o interesse do país à frente de qualquer objetivo interno (...) também quero garantir que avaliaremos sempre, dentro de uma análise custo/benefício para o país, o comportamento a seguir: mantendo as coisas com estão ou contribuindo para as alterar" (entrevista ao Diário Económico, no dia 4/02/2011).
O exemplo da moção de censura apresentada pelo Bloco é um infeliz exemplo de como os políticos da nossa praça obedecem a uma agenda mediática. Todos, sem exceção (e posso estar a ser um pouco injusto com o Partido Comunista Português). Por conseguinte, é triste verificar como se espera por essa gente que pulula de jornais em jornais (televisivos, preferencialmente) para se esboçar as diversas inclinações discursivas partidárias. E, nestas coisas, bastam os dois ou três primeiros opinion makers abrirem a boca...
O Bloco de Esquerda foi censurado. Essa é a verdade.
O desporto preferido dos comentadores políticos nestes últimos meses (anos) tem sido a caça ao Sócrates. Eis que Louçã, esse endiabrado e eterno contestatário de abriladas passadas, tem a coragem de sugerir, assim, por dá cá aquela palha, a prostração definitiva de José Sócrates, o nosso primeiro-ministro. Saltam para a arena, ávidos, gulosos, impiedosos, os jornais - televisivos, escritos, radiofónicos -, os quais, através dos seus fazedores de opiniões (gostava de saber se é ao quilo que esta gente é paga), remetem o Bloco de Esquerda para uma extenuação que poderá significar o seu fim enquanto partido político (um PRD tardio). Neste momento, toda a gente se esquece que o país anda miseravelmente governado por pessoas animicamente derrotadas, impossibilitadas, por isso, de efetuar um bom trabalho. Na verdade, não existe Governo: só Sócrates. Do mesmo modo, as palavras de todos os agentes políticos da oposição, sem exceção, são repentinamente esquecidas. Mas o que interessa isso se o que está aqui em causa não é o país mas antes o partido, ou então o momento mais oportuno para pegar nas rédeas orçamentais. Preencheria horas de citações, mas deixo aqui a de Pedro Passos Coelho, na sua bendita contenção frásica: "Não vamos andar com o Governo ao colo com medo de queimar os dedos. Ou entrar em calculismos políticos para deixar que ele 'torre' até ao mais difícil estar realizado (...) Apesar de não termos grande expetativa sobre a confiança que o Governo merece para fazer as reformas que nunca quis fazer até hoje, colocamos o interesse do país à frente de qualquer objetivo interno (...) também quero garantir que avaliaremos sempre, dentro de uma análise custo/benefício para o país, o comportamento a seguir: mantendo as coisas com estão ou contribuindo para as alterar" (entrevista ao Diário Económico, no dia 4/02/2011).
O exemplo da moção de censura apresentada pelo Bloco é um infeliz exemplo de como os políticos da nossa praça obedecem a uma agenda mediática. Todos, sem exceção (e posso estar a ser um pouco injusto com o Partido Comunista Português). Por conseguinte, é triste verificar como se espera por essa gente que pulula de jornais em jornais (televisivos, preferencialmente) para se esboçar as diversas inclinações discursivas partidárias. E, nestas coisas, bastam os dois ou três primeiros opinion makers abrirem a boca...
O Bloco de Esquerda foi censurado. Essa é a verdade.
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
as demissões decorrentes das falhas no cartão de eleitor
O que faz me realmente impressão é a maneira como o ministro da Administração Interna aceitou descomplexadamente a demissão do diretor-geral da administração interna, Paulo Machado, sem que antes não tivesse, ele próprio, disponibilizado a sua própria demissão do cargo que ocupa. É neste reino da fantasia que andamos cada vez mais enchafurdados, cada vez mais singularmente atónitos.
portugal-argentina
Logo é noite de futebol. A brutalizaçõa levada a cabo pelas nossas televisões, designadamente a pública, iniciou desde logo um suposto duelo entre Ronaldo e Messi. Fazem-se debates, dão-se palpites, os comentadores comentam, e os filmes são remetidos para as duas da manhã. A crise deixa também de existir e o que interessa é saber se Ronaldo é melhor do que Messi. Os jornalistas presentes em Genebra esboçam questões estúpidas aos treinadores das duas seleções, talvez porque sejam mesmo estúpidos, ou talvez porque o patrão, em Lisboa, os obriga a ser.
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
política nacional
2011 antevê-se politicamente interessante. Sócrates tem, nas suas mãos, um desígnio que, na sua trémula consciência, aparenta ser nacional: o encerramento dos portões ao FMI. Os outros, principalmente o CDS-PP, anseiam por eleições o mais rapidamente possível. O PSD, neste propósito, divide-se: uns querem; outros não. Aqueles desejam-no pelo inebriante cheiro do poder; estes porque aguardam pelas decisões (leia-se: presidente da república e moções de censura) dos outros. Passos Coelho anda perdido, apesar de querer a todo o custo mostrar o contrário. Sócrates também. A diferença é que nestes espaços de perdição, é o primeiro-ministro quem melhor se orienta.
adenda: chama-se mentiroso ao primeiro-ministro com uma facilidade atroz. Miguel Macedo é, nisso, useiro.
adenda: chama-se mentiroso ao primeiro-ministro com uma facilidade atroz. Miguel Macedo é, nisso, useiro.
a canção dos deolinda
Não é grupo musical que particularmente me encante. Projeta-se, nele, um certo saudosismo de um certo embrionarismo contestatário, tentando-se colar, aparentemente sem sucesso, ao que foram as canções revolucionárias das décadas antes e pós-revolução. No entanto, aquela letra da tal canção "que parva que eu sou", tem, no seu ideário social, todas as condições para se tornar uma espécie de bandeira coletiva de uns certos jovens que não sabem realmente quem são porque simplesmente não lhes dão oportunidade para ser. Acontece que a juventude já não é a mesma. Esta, a que ouviu e se riu, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, da apontada e simples letra da canção, é de consumo imediato. A outra, a dos protestos primeiros contra a ditadura salazarista (e marcelista) era muito menos espumosa e mais consistente. Não porque eram melhores. Simplesmente porque viviam diferente.
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