sexta-feira, fevereiro 04, 2011
redução de deputados
A margem de manobra constitucional permite uma redução de deputados até ao número 180. Lacão, a título meramente individual, dizem, trouxe, surpreendentemente, a questão para o espaço político (e público: quem é que diz que os cidadãos estão divorciados da política?...). Logo apareceram os corifeus das pontas criticarem aquilo que, segundo os próprios, seria uma espécie de golpe de estado constitucional. Perdia-se a representatividade, advogam. É claro que não. A questão deve-se colocar, na verdade, tendo em conta a representatividade individual dos deputados em vez de uma representação partidária.
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
a aplicação do simplex em Trás-os-Montes
Tudo muito simplex, demasiado. No distrito de Bragança encerraram-se as valências noturnas de vários Serviços de Atendimento Permanente (SAP) (os quais deixam, naturalmente, de ter argumentos que lhes permitam justificar esta tão democrática designação). Este recolhimento definitivo das portas noturnas dos antigos Centros de Saúde foi efetuado no próprio dia em que estes receberam, através dos zelosos e pragmáticos e simplificados serviços da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, um fax (ou melhor, oito faxes, correspondentes aos oito concelhos afetados: Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Torre de Moncorvo, Mogadouro, Vimioso e Vinhais) dando-lhes conta da triste e amarga notificação claustral. É certo que tudo isto estava já previsto há mais de três anos. Mas até mesmo por esta razão - o de não se ter encetado nada no sentido do encerramento dos SAP's durante este período de tempo - as populações, as parcas populações destes concelhos, deveriam usufruir de medidas um pouco menos "simplexificadas".
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segunda-feira, janeiro 31, 2011
o prós e contras da educação
O que sai dali, daquela cabecinha da ministra é pouco mais que nada. É o eloquente paradigma das vacuidades argumentativa e expositiva. A refundação educativa - aquilo que não está em jogo no debate - passa quase exclusivamente por ilusórios e excessivos pormenores que mais não são do que meros danos (ou ganhos, consoante o ponto de vista) colaterais.
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domingo, janeiro 30, 2011
conselho nacional do ps e o porta-voz
O Conselho Nacional do Partido Socialista reuniu hoje com uma ordem de trabalhos que passava, inevitavelmente, pela análise dos resultados presidenciais. O porta-voz do partido, que antigamente era Vitalino Canas e agora se chama Fernando Medina, salientou, sabiamente, aquilo que estava já escrito há muito, não sei se nas estrelas, se na cabeça de José Sócrates desde a vencida noite eleitoral: o povo, na sua venturosa sapiência e serenidade, optou pela estabilidade e condenou exemplarmente as mudanças na ordem política nacional. O que aí vem, adiantou, exemplarmente, o porta-voz, não se compadece com resoluções disjuntadas. O povo tem, portanto, como se sabe, sempre razão nestas coisas.
O que é deveras interessante nestas reuniões reside precisamente na total ausência de problematização, essência primeira de respostas lógicas e frutuosas. É que o que foi concluído na reunião da Comissão Nacional do Partido Socialista - órgão composto por dezenas de individualidades - foi, ipsis verbis, o que dissera, porventura ainda a quente, Sócrates na noite eleitoral. Faz, pois, todo o sentido questionarmos a real vocação de um órgão de debate interno dentro de um partido político, se ele não faz mais do que papaguear o que por sua vez havia papagueado o seu líder, por muito carismático que este seja, por muito inebriante seja também o diáfano manto da fantasia do poder. O que realmente podemos aferir destas infelizes e inócuas reuniões, é tão só o péssimo serviço que esta gente presta à causa democrática, para além, obviamente, de não entenderem a urgência de uma mudança neste pastoso modus faciendi da política partidária nacional.
Para além disto tudo, ouvindo e acreditando nesta tese da estabilidade, sou levado a concluir que, afinal, o PS e Sócrates votaram em Cavaco Silva. E as razões são óbvias.
Adenda: ouvi também hoje Francisco Assis afirmar que o governo não irá ser um destabilizador político e social. Que eu saiba, Assis não faz parte do Conselho de Ministros.
O que é deveras interessante nestas reuniões reside precisamente na total ausência de problematização, essência primeira de respostas lógicas e frutuosas. É que o que foi concluído na reunião da Comissão Nacional do Partido Socialista - órgão composto por dezenas de individualidades - foi, ipsis verbis, o que dissera, porventura ainda a quente, Sócrates na noite eleitoral. Faz, pois, todo o sentido questionarmos a real vocação de um órgão de debate interno dentro de um partido político, se ele não faz mais do que papaguear o que por sua vez havia papagueado o seu líder, por muito carismático que este seja, por muito inebriante seja também o diáfano manto da fantasia do poder. O que realmente podemos aferir destas infelizes e inócuas reuniões, é tão só o péssimo serviço que esta gente presta à causa democrática, para além, obviamente, de não entenderem a urgência de uma mudança neste pastoso modus faciendi da política partidária nacional.
Para além disto tudo, ouvindo e acreditando nesta tese da estabilidade, sou levado a concluir que, afinal, o PS e Sócrates votaram em Cavaco Silva. E as razões são óbvias.
Adenda: ouvi também hoje Francisco Assis afirmar que o governo não irá ser um destabilizador político e social. Que eu saiba, Assis não faz parte do Conselho de Ministros.
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sábado, janeiro 29, 2011
sócrates, santos silva e a hipocrisia politicamente acostumada
Cúmulo da hipocrisia 1: ter ouvido hoje José Sócrates dizer que o grande projeto para Portugal é a aposta na educação. E afirmou-o assim, desavergonhada e libertinamente: "aqui está o grande projeto nacional. Esta época vai ficar marcada pela aposta na educação".
Cúmulo da hipocrisia 2: ter lido no Sol que Santos Silva, o ministro da defesa, afirmou, desassombrado, que o governo sempre teve as melhores relações com o presidente da República e, para além disso, teve mesmo a honra e o orgulho de com ele trabalhar. Di-lo assim: "a cooperação tem sido excelente, as relações são as institucionalmente corretas e adequadas e o país tem beneficiado muito desse bom relacionamento".
Cúmulo da hipocrisia 2: ter lido no Sol que Santos Silva, o ministro da defesa, afirmou, desassombrado, que o governo sempre teve as melhores relações com o presidente da República e, para além disso, teve mesmo a honra e o orgulho de com ele trabalhar. Di-lo assim: "a cooperação tem sido excelente, as relações são as institucionalmente corretas e adequadas e o país tem beneficiado muito desse bom relacionamento".
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sexta-feira, janeiro 28, 2011
a não demissão do ministro e os votos que não chegaram a ser
É também nestas coisas que se afere a qualidade da democracia de um país. Nas últimas eleições presidenciais, milhares de cidadãos não puderam votar. Tudo por existir incongruências entre o local de voto e o simplificado cartão de cidadão. O voto é, em democracia, a única arma democrática que o cidadão comum possui para alterar o estado das coisas. É, digamos, a vertente sacra da democracia. O ministro que tutela estas coisas, o sr. Pereira da Administração Interna, adiantou desde logo que jamais equacionou demitir-se do seu cargo. Com gente assim não vamos a lado nenhum. Será que os últimos demissionários honrados da política foram Guterres, Jorge Coelho e António Vitorino?
o congresso e o ps e o país
Um novo congresso socialista nascerá brevemente. De novo, ouvir-se-ão novos amanhãs que, desbragadamente, cantarão. Ainda bem. O que irá estar mal será a indagação da incapacidade deste PS (realisticamente: qualquer partido em Portugal) de se autoregenerar estando ainda montado no poder, mesmo que este não passe de meras e fátuas aparências. A tão proclamada qualidade da democracia mede-se também por estas coisas.
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