segunda-feira, janeiro 24, 2011

a estabilidade

Igualmente interessante foi o discurso airoso de Sócrates na ventosa noite eleitoral. Disse o primeiro-ministro que os portugueses foram claros: optaram, na sua sabedoria popular, pela estabilidade, que é como quem diz: eu também sou um dos anunciadores (e fazedores) da estabilidade no nosso amado país. Faltou somente afirmar, descomplexado, que votou em Cavaco. Tudo em nome da tal estabilidade.

o cavaquinho

Cavaco não foi mais do que um cavaquinho na sua noite vitoriosa. Tornar a repetir os remoques da campanha (a sua famigerada expressão "vil baixeza" fez, no seu ressabiado entendimento, um opinante percurso), não engradeceu o político, o homem e, muito menos, o presidente da República. Estamos, assim, condenados, durante o próximo lustro, a mais destas coisas. Estou propenso a crer que o verdadeiro Cavaco Silva, isto é, aquele que encarna uma certa rasa portugalidade (rasa no seu sentido mais epistemológico), surgirá, inevitavelmente, em pleno no seu próximo consulado presidencialista.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

o que vai mudar?

A pergunta ocorreu-me ao ver um debate na RTP. Foi o comentador do PCP que a colocou. Tem, a meu ver, razão de ser. De entre os cenários pós-presidenciais, o mais provável é a vitória de Cavaco Silva. Irá Cavaco ser, do ponto de vista da sua ação política, diferente do que foi o seu primeiro mandato? Fará sentido a sua autoproclamada metamorfose para uma magistratura ativa (de intervenção?). Será isso que é isso que desejam os seus eleitores? Será também isso o anseio de Passos Coelho?
Apenas uma nota final: a conversa do professor Cavaco Silva como brilhante economista enjoa (temos um homem na presidência que é um brilhante economista, professor de finanças, diz-se, por aí, amiúde, como se o povo português andasse desesperado à procura de brilhantes economistas. Destes há-os para aí aos montes...)
Outra pequena anotação: Mário Soares presidente disse um dia que só tinha percebido uma qualquer questão económica quando viu o Peres Metello explicá-la com simplicidade na televisão. Era Cavaco primeiro-ministro. Outros tempos!...

quarta-feira, janeiro 19, 2011

os candidatos do regime

As repisadas declarações de Cavaco Silva que anunciam um estado de sítio se não for ele o eleito para o leme da nação (o caos... o caos...), ou os custos monetários de uma segunda volta, ou ainda a impreparação dos adversários (o caos, outra vez...) têm um interessante paralelo perlocutório quando Manuel Alegre afirma, garbosamente, que o que está em causa no próximo domingo é a democracia ("luta de vida ou de morte para a democracia", ou seja: o caos...).
Estamos perante duas formas de fazer ou viver a política que me parecem esgotadas ou, quando muito, a breve prazo inoperantes. Neste sentido, tem aparente razão Francisco Lopes quando advoga que tanto Manuel Alegre como Cavaco Silva têm um similar percurso "de décadas que comprometeram o país". Acontece que o candidato comunista não será propriamente uma roupagem nova da nossa política. Do mesmo modo, ele também encarna o tipo de candidato do regime.

o futuro défice da educação

Gostaria que os candidatos do arco do poder - Alegre e Cavaco - me repondessem a uma simples e honesta questão: de que modo é que o sistema educativo irá funcionar, no próximo ano letivo, com um corte de 800 (leram bem: 800) milhões de euros?

segunda-feira, janeiro 17, 2011

mau serviço

Revela-se importante esclarecermos que presidente queremos para o país e não andarmos de cinco em cinco anos a discutir o mesmo. Soares era acusado, por parte dos cavaquistas, de intervir em excesso, isto é, de opinar critica e sistematicamente. Santos Silva vem agora tentar reduzir os poderes do presidente Cavaco, remetendo-o para aquilo que Soares nunca foi nem nunca aceitou ser. Tudo porque quem está no governo é o PS. Se por acaso tivéssemos um governo PSD, o discurso seria necessariamente outro. E são estas coisas que toldam o raciocínio político não só dos agentes mas também dos pacientes.

desemprego - o pior já passou

Vi de relance o título em qualquer sítio: já passou o pior relativamente ao desemprego. Logo de imediato, vislumbrei que esta estatística mental só poderia ter saído duma cabecinha costumeira nestas enormidades: Walter Lemos. Não me enganei.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...