sexta-feira, dezembro 17, 2010

luís amado e os voos cia

Foi interessante ver Luís Amado explicar hoje os rasantes voos da CIA sobre território português. O nosso representante máximo no estrangeiro, homem costumadamente pesado nas palavras e de compleição cuidada, ficou hoje singularmente decomposto com as perguntas efetuadas pelos jornalistas que o aguardavam à saída de um qualquer encontro. Justificou-se com uma espécie de grau zero argumentativo, claudicando amiudadas vezes nas justificações que pairavam obstinadamente na sua cabeça. Fiquei esclarecidíssimo. Melhor do que ele, só José Sócrates.

eurobond

O economiquês continua a sua senda. O tempo, agora, é de eurobonds. Sorridente, ouvimos José Sócrates, lá em Bruxelas, na terra dos eurobonds, fazer-nos descomplexadamemnte acreditar que desde há muito defende esta receita contratual entre estados membros. Parece que a Alemanha, a menos eurobondista do grupo, não quer encarrilhar nesta vereda.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

escorreitamente

Tem-se multiplicado em Portugal uma espécie de altruísmo sinalético do tipo dai de comer a quem não tem. Vemos inclusivamente um (o) Presidente da República apadrinhar uma iniciativa de um grupo de restaurantes que fazem das sobras refeições para os carenciados. É este tipo de portugalidade que eu não gosto. Cavaco espelha-o bem.

voos cia autorizados

A ser verdade a autorização em segredo dos voos da CIA com prisioneiros para Guantánamo, os dois devem apresentar de imediato a demissão (e, consequentemente, o Governo) ao Presidente da República. A mentira não deve, de fato, ser congénita no discurso político.

jardim 2

A questão em torno dos subsídios regionais açorianos em resposta aos cortes nacionais é mais de forma do que de conteúdo. Foi interessante verificar que, vendo César a aproveitar um pequeno apontamento televisivo continental, as semelhanças com Jardim são muitas. Em primeiro lugar, esta gente engorda muito. Depois, são os tiques. No Jardim da Madeira existe, todavia, a vantagem da patente. No dos Açores nota-se muito mais a anfratuosidade do discurso: um nos Açores e um outro no Continente. Alguns tolos comentadores já esboçaram voos nacionais para este. Seriam demasiados rasos.

terça-feira, dezembro 14, 2010

o portugal errático

Vejo ali na televisão António Barreto criticar, com razão, as opções de Portugal enquanto país de há 20 ou 25 anos atrás. Viviamos então envolvidos e mergulhados na onda europeia de uma espécie de refundação nacional, onde as prioridades se centravam no que era novo: autoestradas e subsídios da CEE. Deixávamos para trás importantes setores estruturais da nossa vida enquanto nação: a agricultura, o mar, as pescas. Lembro-me desses tempos. E o que me recordo é que andávamos todos embevecidos com os novos caminhos que os automóveis, impingidos cada vez mais veementemente em suaves prestações, breve e celeremente percorreriam.
Pena foi que estes visionários do passado não tivessem projetado esgares luminosos para o futuro. O futuro que, afinal, chegou neste presente.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

propagandisticamente

José Sócrates, o melhor vendedor de ilusões que o país teve a chefiar um Governo (e houve-os mais ou menos às carradas), debate no Parlamento sobre os resultados do último PISA (2009). Portugal ficou, nestes testes, pouco abaixo da média dos países intervenientes. Sócrates salienta os resultados notáveis, os quais marcam uma época no país, um antes e um depois, segundo as suas próprias e extraordinárias palavras.
Neste sentido, importa relevar o seguinte: foi a primeira vez que Portugal atingiu, de facto, estes desígnios. Daí que se afigure notavelmente incipiente este alarido à volta do programa PISA. Aliás, este exemplo adequa-se na perfeição ao que foi e continua a ser o paradigma do sistema educativo em Portugal: tudo muito avulsivo, tudo muito sincrónico, tudo muito pouco projetivo. Neste sentido, ainda havemos de ver alguma luminária proclamar Maria de Lurdes Rodrigues como o melhor ministro da educação do Portugal democrático.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...