A marca de café Lavazza pagou 1,2 milhões de euros à atriz Julia Roberts para esta abrir esplenderosamente a sua boquinha e revelar a sua alva dentição. Dizem que nem precisou de se deslocar a Itália, visto que se encontrava em filmagens neste país. Daí que este trabalhinho tenha sido efetuado num dos intervalos da rodagem do filme.
Na minha humilde perspetiva, estas situações contratuais - vergonhosas - fazem também parte da chamada desregulação dos mercados. Há-as às centenas, aos milhares, com atrizes, atores, jogadores disto e daquilo, os quais sendo todos extraordinariamente bem pagos no que aos salários diz respeito, ainda penicam uns trocos a espevitadas marcas de produtos comerciais altamente globalizadas. Estas, por sua vez, tentarão sempre aproveitar-se dos incautos cidadãos (a necessidade da escola, da educação!...quão imprescindíveis!...) sempre dispostos a despender essas depenadas migalhas.
domingo, dezembro 05, 2010
sexta-feira, dezembro 03, 2010
hipocrisia política
Francisco Assis jogou aparentemente alto e excessivo com a chantagem da sua demissão de líder da bancada do grupo parlamentar do Partido Socialista, caso a maioria dos seus correligionários partidários votasse a favor da proposta do PCP, a qual preconizava a antecipação para este ano dos dividendos distribuídos pelas grandes empresas. Jogou, pois, elevado e parece que ganhou. Mas são estas pequenas vitórias da baixa política, fruto de táticas pessoais visando outras ramificações futuras, que fragilizam.
Ao mesmo tempo que Francisco Assis remetia a sua demissão para os colegas, afirmava (embora já convicto da sua vitória) que compreendia as declarações de voto por parte de alguns dos deputados socialistas. São pressupostos justificativos contraditórios e disparatados. É que não se pode ou não deve manifestar este sintoma de anuência a posteriori. Se verdadeiramente compreendesse deixava o barco correr ao sabor dos votos livres dos deputados.
A juntar a todo este circo de final de regime foram as declarações de Sócrates e Teixeira dos Santos, ao remeterem a decisão das empresas em antecipar a distribuição dos dividendos para este ano, para o domínio da moral e da ética. Como sabemos, moral e ética é coisa que sobeja nesta gente. Sempre quero ver onde parará esta dicotomia moralizadora quando se discutir a alteração para 500 euros do salário mínimo nacional. Ou (outro exemplo) a vinculação extraordinária dos professores com mais dez anos de serviço.
Ao mesmo tempo que Francisco Assis remetia a sua demissão para os colegas, afirmava (embora já convicto da sua vitória) que compreendia as declarações de voto por parte de alguns dos deputados socialistas. São pressupostos justificativos contraditórios e disparatados. É que não se pode ou não deve manifestar este sintoma de anuência a posteriori. Se verdadeiramente compreendesse deixava o barco correr ao sabor dos votos livres dos deputados.
A juntar a todo este circo de final de regime foram as declarações de Sócrates e Teixeira dos Santos, ao remeterem a decisão das empresas em antecipar a distribuição dos dividendos para este ano, para o domínio da moral e da ética. Como sabemos, moral e ética é coisa que sobeja nesta gente. Sempre quero ver onde parará esta dicotomia moralizadora quando se discutir a alteração para 500 euros do salário mínimo nacional. Ou (outro exemplo) a vinculação extraordinária dos professores com mais dez anos de serviço.
luís amado e os voos da cia
A situação é claríssima: Luís Amado afirmou que se demitiria se se provasse que aviões da CIA transportando prisioneiros passaram no espaço aéreo português. Sinceramente, estou em crer que não era caso para tanto empolgamento por parte do ministro dos negócios estrangeiros (os Estados Unidos passaram em todo o lado com aviões de Guantanamo). Ficou provado que isso, efetivamente, aconteceu. Não obstante, o Governo vem obstaculizar a situação com cenários que mais não fazem do que lançar poeiras de confusão analítica para cima dos portugueses incautos. Na verdade, esta não-opção de Luís Amado é simplesmente mais uma machadada no pouco crédito que este Governo tem junto dos portugueses. Por outro lado, o ministro da justiça revelou uma manifesta falta de noção do tempo certo para bater com a porta, preferindo optar pela protelação de mais uma situação entre muitas outras que trilharam este mesmo caminho.
quarta-feira, dezembro 01, 2010
emprego, desemprego, demagogia
José Sócrates afirmou, desavergonhadamente, que discute somente política e não politiquice. Tudo a propósito das questões levantadas pelos jornalistas sobre uma eventual remodelação governamental (e isso não é politiquice, com toda a certeza, mas entendo por que, na sua cabeça, este assunto não valha um caracol). De seguida, ainda nesse efemeramente curto espaço temporal de glória mediática, o primeiro-ministro saiu-se, desassombrado, com um registo que merece anotação: o que interessa é devolver aos portugueses os seus empregos! Presumo que naquele ténue entendimento declarações deste tipo, as quais atingem direta ou indiretamente centenas de milhares de pessoas, não sejam consideradas de politiquice.
Politiquice é tudo aquilo que se diz e sabe-se que não se cumpre. É o que se encontra mais próximo da demagogia.
Politiquice é tudo aquilo que se diz e sabe-se que não se cumpre. É o que se encontra mais próximo da demagogia.
terça-feira, novembro 30, 2010
cavaco com novo fôlego
Uma das notas extraordinárias da política diz respeito às metamorfoses, sejam elas impostas ou oriundas de um processo francamente interiorizado. Cavaco é talvez o político no ativo com maior predominância decisória. Foi primeiro-ministro num tempo muito especial - o das chamadas vacas gordas -, num tempo em que nos contentávamos com o estatuto de bom aluno dos ditames de Bruxelas; é Presidente da República e foi ainda, há já muitos anos, um irrelevante ministro das finanças. Tem, portanto, uma enormíssima quota-parte de culpa relativamente ao estado a que isto chegou.
Estamos em campanha eleitoral e com ela o regabofe demagógico. Cavaco, o político que não gosta de o parecer, desavergonha-se perante os portugueses e esbofeteia-os com coisas como esta: Portugal deve voltar a ser um "país respeitado e credível na cena internacional", adiantando que não ser este um "tempo de experimentalismos, aventuras ou fantasias". Por isso, diz ainda o candidato que se for eleito será um presidente ativo e dinâmico mas (mas... mas...) simultaneamente prudente. Mais: "um presidente da República não é responsável pela governação do país, mas também não é uma figura meramente decorativa ou simbólica. É, desde logo, o garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições". Advoga ainda que tem ideias claras e realistas para o país e que não estará ao servilo de ideologia alguma.
Ficámos, pois, entendidos, senhor presidente da República. Mas eu não acredito em si.
Estamos em campanha eleitoral e com ela o regabofe demagógico. Cavaco, o político que não gosta de o parecer, desavergonha-se perante os portugueses e esbofeteia-os com coisas como esta: Portugal deve voltar a ser um "país respeitado e credível na cena internacional", adiantando que não ser este um "tempo de experimentalismos, aventuras ou fantasias". Por isso, diz ainda o candidato que se for eleito será um presidente ativo e dinâmico mas (mas... mas...) simultaneamente prudente. Mais: "um presidente da República não é responsável pela governação do país, mas também não é uma figura meramente decorativa ou simbólica. É, desde logo, o garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições". Advoga ainda que tem ideias claras e realistas para o país e que não estará ao servilo de ideologia alguma.
Ficámos, pois, entendidos, senhor presidente da República. Mas eu não acredito em si.
segunda-feira, novembro 29, 2010
a comissão de inquérito já não existe
Henrique Granadeiro, presidente da PT, recusa entregar ao Parlamento o relatório final da auditoria feita a Rui Pedro Soares e a Paulo Penedos no âmbito do processo TVI. O motivo de tal procedimento, devidamente enquadrado na lei, como não podia deixar de ser, é daqueles que diz tudo desta gente: a comissão de inquérito já não existe! Henrique Granadeiro não consegue atingir que esta comissão de inquérito parlamentar só existiu porque havia sido avalizada pelo Parlamento, genuíno órgão de fiscalização. E uma comissão de inquérito é precisamente isso: uma fiscalização a posteriori que tem uma existência limitada no tempo. Não será, todavia, por acaso que junto da denominação comissão de inquérito se ajuntou o adjetivo parlamentar.
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os quadros e os mitos ou os mitos dos quadros
Em Portugal existiu sempre uma áurea ligada aos quadros empresariais. Então se tiver o adjetivo superior colado, fica tudo dito. Tirar o cursozinho, ser doutor foi tradicionalmente o ponto de chegada de muitas famílias portuguesas. Daí até aos quadros é um pequeno passo. Ouvi mesmo há tempos um suposto quadro exibir, perante as câmaras de televisão, um adrede e inolvidável pedantismo, ao sugerir que os elevados ordenados dos quadros superiores têm uma explicação simplista, a qual se liga à suposta exiguidade dos mesmos.
Nesta linha de sentido, o Governo, compaginado envergonhadamente com o Partido Social-Democrata, decidiu abrir uma obscena exceção aos cortes salariais previstos no âmbito da execução do Orçamento Geral do Estado. As exceções são alguns quadros de algumas empresas públicas, os quais vendo-se assim tão desprotegidos nos seus 10% de corte salarial, poderiam mudar-se para uma empresa privada. Lembrei-me logo de alguns destes quadros como Armando Vara, Rui Pedro Soares, Mira Amaral, Ferreira do Amaral, ou outras centenas de nomes que, durante décadas de política neoliberal, ora a cargo do PSD, ora por interposto Partido Socialista, têm feito do Estado (direta ou indiretamente) uma espécie de fazedores de quadros. Desde logo, um ponto notoriamente comum: carreirismo partidário, isto é, a política como mero instrumento propulsionador de ávidas personalidades em busca de sonhos eventualmente desenhados, em muitos deles, imberbemente.
O que verdadeiramente me choca, no meio de todo este desnorte político, é este olhar sobredimensionado para esta gente. Pela minha parte, qualquer destes quadros deve sair se assim o entender. Não só por fazer parte de uma ambição legítima, mas também por que, nas dezenas de milhares de desempregados muito qualificados, haverá quem, possivelmente, os supere. Não em experiência, infelizmente.
Nesta linha de sentido, o Governo, compaginado envergonhadamente com o Partido Social-Democrata, decidiu abrir uma obscena exceção aos cortes salariais previstos no âmbito da execução do Orçamento Geral do Estado. As exceções são alguns quadros de algumas empresas públicas, os quais vendo-se assim tão desprotegidos nos seus 10% de corte salarial, poderiam mudar-se para uma empresa privada. Lembrei-me logo de alguns destes quadros como Armando Vara, Rui Pedro Soares, Mira Amaral, Ferreira do Amaral, ou outras centenas de nomes que, durante décadas de política neoliberal, ora a cargo do PSD, ora por interposto Partido Socialista, têm feito do Estado (direta ou indiretamente) uma espécie de fazedores de quadros. Desde logo, um ponto notoriamente comum: carreirismo partidário, isto é, a política como mero instrumento propulsionador de ávidas personalidades em busca de sonhos eventualmente desenhados, em muitos deles, imberbemente.
O que verdadeiramente me choca, no meio de todo este desnorte político, é este olhar sobredimensionado para esta gente. Pela minha parte, qualquer destes quadros deve sair se assim o entender. Não só por fazer parte de uma ambição legítima, mas também por que, nas dezenas de milhares de desempregados muito qualificados, haverá quem, possivelmente, os supere. Não em experiência, infelizmente.
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