domingo, novembro 21, 2010

josé sócrates

A cimeira da Nato foi um êxito organizativo. Somos, portanto, capazes destas coisas. Meia dúzia de energúmenos basicamente europeus não chegaram sequer para a polícia suspirar por uns não sei quantos blindados que-eram-para-a-cimeira-mas-que-afinal-deixaram-de-ser-e-já-não-interessam-porque-a-cimeira-não-era-sobre-blindados-mas-sim-sobre-a-NATO.
Sempre tive a ideia que José Sócrates é muito melhor vendedor do que primeiro-ministro. Uma espécie de relações públicas de um Portugal auspicioso.

metas europeias

A pobreza. O desemprego. A exclusão social. A pobreza, o desemprego e a exclusão social. Andamos nisto, na Europa barrosista (e não barrosã, o que seria, talvez, melhor), há já não sei quanto tempo. Foi fixada, por exemplo, para o ano de 2010 uma taxa de emprego de 70% numa Europa a 27. Obviamente, não se cumpriu. Mas os cada vez mais inócuos barrosos europeus não desistem e traçam novos paradigmas quantificáveis: urge tirar pelo menos 20 milhões de pessoas da zona de risco da pobreza e exclusão social e empregar 75% da população europeia até 2020. Nada, pois, que não se faça facilmente no papel e nos discursos televisivos.
Vivemos, efetivamente, num tempo em que vislumbrar miragens se torna quase um vício. E de miragem em miragem, Barroso e companhia aguentam-se nos pódios a que deleitosamente se sujeitaram. Depois deles virão outros e depois outros. Mudam-se os tempos e mudam-se as vontades, parece ser cada vez menos verdade. Pode ser que algum dia a democracia europeia seja bem melhor apurada. Nos sonhos de Durão Barroso, 2010 implicará a cadeira que pertence agora a Cavaco.

quarta-feira, novembro 17, 2010

angela merkel reeleita com 90, 4% dos votos

Quando se fala em líderes ou ausência deles dentro do panorama europeu, aparecem-nos repentinamente resultados deste tipo: Angela Merkel reeleita presidente da União Democrata Cristã (CDU), com 90,4% dos votos, no congresso do principal partido do governo. Parece que ficou aquém das expetativas: no congresso anterior havia ganho com uma margem ainda maior, a roçar os 96%. Se tivermos em conta que a Alemanha é o centro efetivo de uma Europa desorientada, este tipo de resultados não revelam, por parte dos nossos... como direi... quase vizinhos alemães, nada de inteligente. Na verdade, a União não carece somente de líderes, mas também de interesse.

terça-feira, novembro 16, 2010

emprego desce em outubro

Este Walter Lemos é, de fato, um governante sui generis. Estavamos habituado a vê-lo na sua secretária do ministério da educação e mudaram-no para uma outra, a do emprego. O traço comum que liga as duas é o disparate.
Há algum tempo atrás bradou que o desemprego estava a descer em Portugal, tipo teoria do oásis de outros tempos, ou a saída da crise de outro tempo mais recente. Hoje, com o indicador dos centros de emprego a aligeirarem os números do desemprego, tratou logo de clarificar que é a primeira vez em 20 nos que o desemprego desce em outubro. Ficamos, claro, todos contentes. Sempre é mais qualquer coisa para as estatísticas. Qualquer dia, Lemos lembra-se de dizer que é a primeira vez desde que existem estatísticas que o desemprego desce entre o meio-dia e as cinco da tarde no mês de dezembro.

quinta-feira, novembro 11, 2010

os cortes e as escolas e a educação sexual

Notícia esclarecedora da ministra Alçada hoje no Parlamento: a educação sexual nas escolas não será afetada devido aos cortes orçamentais do ministério da educação. Haverá menos professores, turmas mais largas, menos auxiliares, menos psicólogos, menos apoios sociais, menos muita coisa... Mas a educação sexual é coisa tipo desígnio educativo nacional. Valha-nos então isto. Magalhães e educação sexual.

quarta-feira, novembro 10, 2010

o problema cultural do país

Vejo na televisão que os suíços, um país de dimensão reduzida e sem grandes recursos naturais, como nós, limitam em 1700 euros as reformas. Para além disso, não é permita a acumulação de reformas. Ora em Portugal, país de doutores, muito dificilmente se chegaria a um estádio constitucional destes. Não se trata aqui de perspetivar uma sociedade sem classes, onde não há ricos nem pobres. Nada disso. O tempo do enriquecimento (legítimo) não deve ser o tempo da reforma. Para isso, houve um outro tempo, o da idade ativa laboral, onde as pessoas tiveram a oportunidade de construir um presente olhando para o futuro. O tempo da reforma deve, pois, ser o tempo do conforto merecido, situado sempre entre o presente e, claro, o passado. E é neste passado - o do trabalho - que a diferença se faz. Nunca no presente da reforma.

só dois blindados para a cimeira da nato

Não sei se o FMI aprovaria a compra de cinco blindados anti-motim para a PSP, quando a GNR brada a todo o gás que possui carripanas com as mesmas especificidades interventivas, ainda para mais quando uma das justificações do ministro Rui Pereira para este desembolso de 1,2 milhões de euros é demasiadamente simplória: a última vez que a PSP recebeu material foi em 2004, aquando do Europeu de futebol. O facto de das cinco viaturas só chegarem duas a tempo da cimeira da Nato é coisa de somenos importância para o ministro. Portugal ficará, assim, bem equipado para cobrir os mais variados eventos de decorrentes ameaças. O parque automóvel português não é, afinal, tão desprezível quanto, sistematicamente, se faz crer. Que o digam as garagens das forças de segurança.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...