Este Walter Lemos é, de fato, um governante sui generis. Estavamos habituado a vê-lo na sua secretária do ministério da educação e mudaram-no para uma outra, a do emprego. O traço comum que liga as duas é o disparate.
Há algum tempo atrás bradou que o desemprego estava a descer em Portugal, tipo teoria do oásis de outros tempos, ou a saída da crise de outro tempo mais recente. Hoje, com o indicador dos centros de emprego a aligeirarem os números do desemprego, tratou logo de clarificar que é a primeira vez em 20 nos que o desemprego desce em outubro. Ficamos, claro, todos contentes. Sempre é mais qualquer coisa para as estatísticas. Qualquer dia, Lemos lembra-se de dizer que é a primeira vez desde que existem estatísticas que o desemprego desce entre o meio-dia e as cinco da tarde no mês de dezembro.
terça-feira, novembro 16, 2010
quinta-feira, novembro 11, 2010
os cortes e as escolas e a educação sexual
Notícia esclarecedora da ministra Alçada hoje no Parlamento: a educação sexual nas escolas não será afetada devido aos cortes orçamentais do ministério da educação. Haverá menos professores, turmas mais largas, menos auxiliares, menos psicólogos, menos apoios sociais, menos muita coisa... Mas a educação sexual é coisa tipo desígnio educativo nacional. Valha-nos então isto. Magalhães e educação sexual.
quarta-feira, novembro 10, 2010
o problema cultural do país
Vejo na televisão que os suíços, um país de dimensão reduzida e sem grandes recursos naturais, como nós, limitam em 1700 euros as reformas. Para além disso, não é permita a acumulação de reformas. Ora em Portugal, país de doutores, muito dificilmente se chegaria a um estádio constitucional destes. Não se trata aqui de perspetivar uma sociedade sem classes, onde não há ricos nem pobres. Nada disso. O tempo do enriquecimento (legítimo) não deve ser o tempo da reforma. Para isso, houve um outro tempo, o da idade ativa laboral, onde as pessoas tiveram a oportunidade de construir um presente olhando para o futuro. O tempo da reforma deve, pois, ser o tempo do conforto merecido, situado sempre entre o presente e, claro, o passado. E é neste passado - o do trabalho - que a diferença se faz. Nunca no presente da reforma.
só dois blindados para a cimeira da nato
Não sei se o FMI aprovaria a compra de cinco blindados anti-motim para a PSP, quando a GNR brada a todo o gás que possui carripanas com as mesmas especificidades interventivas, ainda para mais quando uma das justificações do ministro Rui Pereira para este desembolso de 1,2 milhões de euros é demasiadamente simplória: a última vez que a PSP recebeu material foi em 2004, aquando do Europeu de futebol. O facto de das cinco viaturas só chegarem duas a tempo da cimeira da Nato é coisa de somenos importância para o ministro. Portugal ficará, assim, bem equipado para cobrir os mais variados eventos de decorrentes ameaças. O parque automóvel português não é, afinal, tão desprezível quanto, sistematicamente, se faz crer. Que o digam as garagens das forças de segurança.
segunda-feira, novembro 08, 2010
não há despedimentos nos contratados das forças armadas
Santos Silva, o proeminente e errante ministro da defesa nacional, descobriu uma maneira de dourar a pílula: despede 3000 contratados das forças armadas e diz, assim lacónico e imprudente, que "não há despedimentos no regime de contrato". Provavelmente terá razão o astuto ministro. Só tenho uma simples e metódica dúvida: haverá, na cabeça de Santos Silva, desempregados contratados?
quinta-feira, novembro 04, 2010
a aprovação do orçamento
A aprovação do Orçamento de Estado para 2011 não gerou, como incredulamente se esperava, uma onda de alívio nos mercados financeiros internacionais. Na verdade, a difícil conjuntura económico-financeira em que nos encontramos segue um rumo inexorável e aparentemente irresolúvel com estratégias artificiais como as que foram escrevinhadas pelo Governo, com o estranho apoio do maior partido da oposição (é delirantemente irónico vermos as críticas que o PSD esboça a um orçamento que teve o seu prévio visionamento e posterior beneplácito). Hoje, por exemplo, é notícia o aumento dos juros das obrigações do tesouro a 10 anos, os quais bateram um novo recorde, desta vez de 6,4%, muito perto, portanto, do limiar equacionado pelo ministro das finanças a partir do qual admite solicitar a ajuda do Fundo Monetário Internacional que Sócrates, soubemo-lo ontem, implacavelmente rejeita. Teixeira dos Santos vai mesmo mais longe na nossa tremedeira socioeconómica ao afirmar que o Orçamento de estado é a última cartada para convencer os mercados internacionais (não sei se proferiu estas palavras antes ou depois da teoria do fingimento proposta por Manuela Ferreira Leite). Estes, ávidos, agradecem.
Neste âmbito, começam a emergir novas perspetivas dialéticas, baseadas num novo e interessante pressuposto psicoeconómicosocial: é ingenuidade pensar que a simples aprovação do Orçamento de Estado ajudava a resolver os problemas do país.
Que chatice!...
Neste âmbito, começam a emergir novas perspetivas dialéticas, baseadas num novo e interessante pressuposto psicoeconómicosocial: é ingenuidade pensar que a simples aprovação do Orçamento de Estado ajudava a resolver os problemas do país.
Que chatice!...
quarta-feira, novembro 03, 2010
as declarações de manuela ferreriaa leite
Não sei onde José Sócrates alicerçou o entendimento relativamente às declarações de Manuela Ferreira Leite sobre o Orçamento de Estado. Na verdade, a ex-líder social-democrata não podia ter sido mais crítica quanto ao modus faciendi político do executivo, alicerçado, ao longo destes anos, mas principalmente nos últimos seis ou sete meses, num total enovelamento de conceitos, estratégias, previsões e definições. Daí que o principal elogio de Sócrates ao discurso de Ferreira Leite se tenha baseado na preocupação que esta afirmou no sentido de manter, externamente, um clima de ausência de crise política. Numa palavra: fingimento. E é isto que Sócrates faz melhor.
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josé sócrates,
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