segunda-feira, novembro 08, 2010
não há despedimentos nos contratados das forças armadas
Santos Silva, o proeminente e errante ministro da defesa nacional, descobriu uma maneira de dourar a pílula: despede 3000 contratados das forças armadas e diz, assim lacónico e imprudente, que "não há despedimentos no regime de contrato". Provavelmente terá razão o astuto ministro. Só tenho uma simples e metódica dúvida: haverá, na cabeça de Santos Silva, desempregados contratados?
quinta-feira, novembro 04, 2010
a aprovação do orçamento
A aprovação do Orçamento de Estado para 2011 não gerou, como incredulamente se esperava, uma onda de alívio nos mercados financeiros internacionais. Na verdade, a difícil conjuntura económico-financeira em que nos encontramos segue um rumo inexorável e aparentemente irresolúvel com estratégias artificiais como as que foram escrevinhadas pelo Governo, com o estranho apoio do maior partido da oposição (é delirantemente irónico vermos as críticas que o PSD esboça a um orçamento que teve o seu prévio visionamento e posterior beneplácito). Hoje, por exemplo, é notícia o aumento dos juros das obrigações do tesouro a 10 anos, os quais bateram um novo recorde, desta vez de 6,4%, muito perto, portanto, do limiar equacionado pelo ministro das finanças a partir do qual admite solicitar a ajuda do Fundo Monetário Internacional que Sócrates, soubemo-lo ontem, implacavelmente rejeita. Teixeira dos Santos vai mesmo mais longe na nossa tremedeira socioeconómica ao afirmar que o Orçamento de estado é a última cartada para convencer os mercados internacionais (não sei se proferiu estas palavras antes ou depois da teoria do fingimento proposta por Manuela Ferreira Leite). Estes, ávidos, agradecem.
Neste âmbito, começam a emergir novas perspetivas dialéticas, baseadas num novo e interessante pressuposto psicoeconómicosocial: é ingenuidade pensar que a simples aprovação do Orçamento de Estado ajudava a resolver os problemas do país.
Que chatice!...
Neste âmbito, começam a emergir novas perspetivas dialéticas, baseadas num novo e interessante pressuposto psicoeconómicosocial: é ingenuidade pensar que a simples aprovação do Orçamento de Estado ajudava a resolver os problemas do país.
Que chatice!...
quarta-feira, novembro 03, 2010
as declarações de manuela ferreriaa leite
Não sei onde José Sócrates alicerçou o entendimento relativamente às declarações de Manuela Ferreira Leite sobre o Orçamento de Estado. Na verdade, a ex-líder social-democrata não podia ter sido mais crítica quanto ao modus faciendi político do executivo, alicerçado, ao longo destes anos, mas principalmente nos últimos seis ou sete meses, num total enovelamento de conceitos, estratégias, previsões e definições. Daí que o principal elogio de Sócrates ao discurso de Ferreira Leite se tenha baseado na preocupação que esta afirmou no sentido de manter, externamente, um clima de ausência de crise política. Numa palavra: fingimento. E é isto que Sócrates faz melhor.
Etiquetas:
josé sócrates,
Manuela Ferreira Leite
domingo, outubro 31, 2010
mais cavaco
Vamos ter mais Cavaco Silva no caldeirão político do Natal e também, segundo todas as previsões e por vontade do povo todo soberano, no próximo lustro. O presidente apresentou-se ao país enquanto candidato e depressa foi apelidado de mestre na tática política quando ordenou que os gastos da sua campanha não ultrapassassem metade do máximo que a lei permite. Obviamente que a mestria se situa algures entre a mediatização inerente ao cargo presidencial (não pode, de fato, deixar de ser presidente) e a sua efetiva pouca inclinação para a fotogenia, filmogenia, e outras coisas afins. No entanto, a astúcia de Cavaco quedou-se naquilo que de pior o candidato domina: a demagogia. Na verdade, toda a intenção comunicativa de Cavaco Silva foi ao encontro daquele centrão amorfo que não é carne nem peixe e vê em Cavaco aquilo que o próprio construiu mas que nunca provou ser.
A par de tudo isto, Cavaco Silva emergiu-se. Prometeu tudo o que já antes prometera, agora com um acréscimo de atividade, uma "magistratura ativa", como o próprio sublinhou. Esqueceu-se, todavia, de definir o que isso é, no quadro constitucional que nos rege. Deixou também no ar a extraordinária e quase humorística interrogação, a qual presumo ser formulada retoricamente: "em que situação se encontraria o país sem a ação intensa e ponderada, muitas vezes discreta [!], que desenvolvi ao longo do meu mandato? (...) O que teria acontecido sem os alertas que lancei?"
Ainda discursivamente emparelhado, não pude deixar de me lembrar das queixas de Mário Soares presidente da República, quando o Governo era chefiado maioritariamente por Cavaco Silva. Afirmava então Soares que quando lhe fechavam uma porta, saltava pela janela. Tudo a propósito da sua pouca utilização pelo Governo enquanto chefe de Estado, principalmente quando o assubto era política externa. Pois agora é a vez de Cavaco Silva dizer o mesmo, embora num registo tradicionalmente mais dubitativo e frívolo: "sei que podia ter sido mais bem aproveitada [a sua magistratura] pelos diferentes poderes do Estado".
O povo é, pois, soberano. Escolherá, decerto, o presidente de todos os portugueses. O que nos espera, pelo menos nos próxinmos meses, não é a crise. É simples e desgraçadamete a emoção duma campanha eleitoral. Tudo terminará em Janeiro e Cavaco entrará, de novo, num singular estado de graça.
A par de tudo isto, Cavaco Silva emergiu-se. Prometeu tudo o que já antes prometera, agora com um acréscimo de atividade, uma "magistratura ativa", como o próprio sublinhou. Esqueceu-se, todavia, de definir o que isso é, no quadro constitucional que nos rege. Deixou também no ar a extraordinária e quase humorística interrogação, a qual presumo ser formulada retoricamente: "em que situação se encontraria o país sem a ação intensa e ponderada, muitas vezes discreta [!], que desenvolvi ao longo do meu mandato? (...) O que teria acontecido sem os alertas que lancei?"
Ainda discursivamente emparelhado, não pude deixar de me lembrar das queixas de Mário Soares presidente da República, quando o Governo era chefiado maioritariamente por Cavaco Silva. Afirmava então Soares que quando lhe fechavam uma porta, saltava pela janela. Tudo a propósito da sua pouca utilização pelo Governo enquanto chefe de Estado, principalmente quando o assubto era política externa. Pois agora é a vez de Cavaco Silva dizer o mesmo, embora num registo tradicionalmente mais dubitativo e frívolo: "sei que podia ter sido mais bem aproveitada [a sua magistratura] pelos diferentes poderes do Estado".
O povo é, pois, soberano. Escolherá, decerto, o presidente de todos os portugueses. O que nos espera, pelo menos nos próxinmos meses, não é a crise. É simples e desgraçadamete a emoção duma campanha eleitoral. Tudo terminará em Janeiro e Cavaco entrará, de novo, num singular estado de graça.
Etiquetas:
cavaco silva,
comunicação política
quarta-feira, outubro 27, 2010
mau sinal para os mercados
Rompe-se o diálogo sobre a aprovação do Orçamento de Estado para 2011 e logo surgem, catastroficamente, as primeiras reações. "É um mau sinal para os mercados", afirmam, pressurosos, vários agentes políticos. Começa a encher esta gente.
os visionários economistas
A candidatura de Cavaco Silva foi um estranho exercício de autopanegírico. Na verdade, o atual presidente da República não é capaz de sair do mesmo. Doutor em finanças, rígido na postura e encravado na verve, Cavaco construiu, na torre de marfim da presidência, aquilo que melhor se adapta à sua imagem de marca: o afastamento dos enredos político-partidários e um capital de confiança que, não sendo nunca posto à prova, também não corre o risco de se desgastar. Voltamos, pois, à atmosfera eleitoral de há cinco anos: votem em mim porque o que aí vem exige um homem das finanças. Acontece que é preciso muito mais do que isso para se entender o mundo em que vivemos.
terça-feira, outubro 26, 2010
salários dos magistrados
Isto das crises acaba muitas vezes por trazer ao lume da fogueira da massa comunicacional curiosidades de variadíssima ordem como, por exemplo, o que hoje saiu a respeito da soldada dos juízes em fim de carreira. É certo que já estão em fim de carreira. Mas ficarmos à frente de países como a Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Áustria relativamente ao rácio com os salários médios brutos nacionais é sintomático da sociedade que temos, ou melhor, da que não fomos capazes de construir no rescaldo da revolução de abril ocorrida no último quartel do século passado.
Do mesmo modo, a revista Sábado dá também conta dos gastos absolutamente sumptuosos do gabinete de José Sócrates. Para que raio quer o homem tantos motoristas, tantas secretárias, tantos carros, tanto tudo? Batemos muita gente nestes particulares. Zapatero, por exemplo, ganha substancialmente menos do que o "su homólogo portugués". Nada que não saibamos desde há muito. Só é pena que estas contas não possam ser feitas quando se fala em classes médias ou ordenados mínimos. Aí os rácios cantam de outra maneira.
Do mesmo modo, a revista Sábado dá também conta dos gastos absolutamente sumptuosos do gabinete de José Sócrates. Para que raio quer o homem tantos motoristas, tantas secretárias, tantos carros, tanto tudo? Batemos muita gente nestes particulares. Zapatero, por exemplo, ganha substancialmente menos do que o "su homólogo portugués". Nada que não saibamos desde há muito. Só é pena que estas contas não possam ser feitas quando se fala em classes médias ou ordenados mínimos. Aí os rácios cantam de outra maneira.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
