quinta-feira, outubro 21, 2010

como se ajuda a processar o homem providencial

Já aqui foi motivo de reflexão o nosso pendor sebastianino. Com o desenvolvimento da série Orçamento 2011 notamos que a personagem herói/vilão, duplamente agente da ação (criador e salvador da coisa causada) se tem vindo paulatinamente a desenvolver na nossa praça pública, singularmente impulsionado por pessoas (figurantes ou até mesmo personagens muito secundárias mas que costumam ter uma voz proeminente no burgo) aparentemente desconvitas. Hoje, por exemplo, li que o presidente da Unicer, António Pires de Lima, ex-dirigente do CDS-PP, acha que "o mais lógico para um partido da oposição é declarar a viabilização do Orçamento sem entrar numa negociação específica, que pode servir de pretexto para o Governo abandonar funções".
Confesso que me a custa entender este tipo de argumentos. Não vejo onde estará o problema com a demissão deste executivo.

quarta-feira, outubro 20, 2010

são seis os pressupostos

O que me parece é que por estes seis apêndices condicionais não seria necessário tanto barulho. Ainda para mais se tivermos em conta que metade deles são de uma anedotice política de bradar aos céus. Imagino o trabalhão que o grupo de conselheiros políticos (os experts da coisa) de Pedro Passos Coelho tiveram para inventar tão pressurosos pressupostos como a verdade nas contas orçamentais (!), a agência independente para as contas públicas (com o acordante Banco de Portugal, o qual, pelos vistos, não tem capacidade para fiscalizar as contas públicas) e a suspensão das grandes obras (não estavam já equilibradamente suspensivas?). Um verdadeiro grau zero político.

orçamentos

Gosto de seguir as declarações avulsivas desta gente a respeito da novela orçamental que se tem vindo a desenvolver nos últimos dias, com os nossos maiores e menores atores políticos. Miguel Relvas, o extraordinariamente tonitruante secretário-geral do PSD, veio hoje (ontem) com isto: "com ou sem Orçamento, este Governo não tem condições para continuar a governar e já não é parte do futuro para o qual temos de olhar". Mas afinal em que é que ficamos? Será isto uma cena do próximo episódio? A preparação de um clímax? Uma mensagem subliminar? Um simples bocejo? Ninguém sabe. Sorte tem o sr. Relvas em não ter decifradores semióticos assim espalhados pela comunicação social. Se se chamasse Cavaco Silva...

segunda-feira, outubro 18, 2010

as aparências

Li somente o título. E afigura-se esclarecedor para os "mercados externos". Num tempo de pruridos e puritanismos discursivos, a citação de Teixeira dos Santos que titula a primeira página do Público de ontem põe de parte qualquer teoria das aparências para o exterior. O nosso responsável maior das finanças (Cavaco vive lá no Olimpo) disse simplesmente isto: "não vejo por onde ir se os mercados exigirem mais". É, sem dúvida, uma bela frase veiculadora de um ânimo francamente exportável.

quinta-feira, outubro 14, 2010

alegre critica passos

Concordo com as críticas de Manuel Alegre quando aponta a sua verve ao líder do PSD por ter recebido ontem os quatro presidentes da banca. São, efetivamente, pessoas sem legitimidade alguma (a não ser aquela que lhes advém da própria cidadania individual) e que se arrogam no direito de se imiscuirem em assuntos essencialmente políticos.
No entanto, a ferocidade das críticas do ex-deputado ao encontro e também ao Presidente da República ("se fosse presidente da República, neste momento não permitiria que o grande capital e os grandes banqueiros andassem a exercer um papel de pressão, mediação ou moderação relativamente a uma decisão política que tem de ser tomada pelos órgãos políticos democraticamente eleitos no local próprio, que é a Assembleia da República", anotou Alegre, o que me leva a perguntar de que modo é que o faria...) não passa de pura retórica eleitoral. Na verdade, Passos Coelho não fez mais nem menos do que José Sócrates já fez em outras ocasiões semelhantes. Aliás, este gente, estruturalmente espelhentos, pela-se por este tipo de encontros. Com efeito, não é todos os dias que temos à nossa porta, com profundo sentido de Estado, parte da agiotagem nacional. Sempre é mais um sinal ao maiusculizado mercado.

quarta-feira, outubro 13, 2010

pcp

A nota de imprensa do Partido Comunista Português relativamente à atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo é simplesmente anedótica. O partido tem tantas paredes de vidro sobrepostas que a opacidade revela-se uma inevitabilidade. Com que PCP contamos? Com o da oposição parlamentar portuguesa ou com aquele que defende literalmente regimes tipo Coreia do Norte? É que estes dois PC's são incompatíveis. Levado a sério este último PC, o argumento de Alberto João Jardim, no qual é defendida de forma igualmente objetiva a ilegalização deste partido, não é de todo descabido. Numa leitura constitucional unívoca, este PC (o último, o tal da Coreia) não anda muito longe do fascismo. Daí que, para bem de todos - do partido, dos militantes e do país -, o Comité Central do Partido Comunista deveria, de uma vez por todas, esclarecer.

terça-feira, outubro 12, 2010

agarrem-me se não...

"Se não estivéssemos em vésperas de eleições presidenciais, o que hoje se estava a discutir em Portugal não era se deixávamos passar o orçamento ou se o chumbávamos. Era a apresentação de uma moção de censura a este Governo".
As minhas ténues esperanças de um chumbo ao Orçamento de Estado por parte do maior partido da oposição ficaram hoje esclarecidas, com a infantilidade da declaração/argumento do sr. dr. Passos Coelho. O homem anda inexoravelmente perdido e porventura mal aconselhado.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...