domingo, outubro 10, 2010

referência de segurança, diz santana

É por estas e por outras que Santana Lopes ocupa um lugar especial na configuração político-partidária portuguesa. Quando ainda há pouquíssimas meses atacava subliminar e objetivamente Cavaco Silva, ao ponto de defender uma alternativa pela direita nas eleições presidenciais, vem agora afirmar, convitamente, que o atual presidente é um referencial de segurança. Se não tivéssemos habituados a volte-faces identitários por parte dos nossos políticos (o governo que nos governa é um exemplar exemplo desta idiossincrasia), estranhávamos. Como a coisa é regulada por este tipo matricial, enranhamos, naturalmente.

sábado, outubro 09, 2010

o desgastado teixeira dos santos

Diz Teixeira dos Santos em entrevista ao Expresso: "A questão que se coloca agora não é a de saber se as medidas deviam ter sido tomadas há mais tempo ou não mas perceber qual vai ser a nossa atitude perante estas medidas". Pois é. Foi este mesmo pragmatismo (o de ganhar eleições primeiro) que o faz afirmar agora, desassombradamente, que o que lá vai, lá vai. O importante, agora, é a nossa atitude. Acerta, portanto, pois a dele já sabemos qual foi. Ou ficamos a saber.

a falsa questão do orçamento

Aprova-se; não se aprova?... Dá-se mais uma volta e retornamos a esta bifurcação retórica. A maioria corre atrás do politicamente correto: pois com certeza que sim que se deve aprovar o Orçamento de Estado; o país não pode viver de duodécimos; que pensará de nós aquela gente de Bruxelas; entramos numa crise política; o Presidente não pode fazer nada, visto que se encontra numa espécie de coartação constitucional; e por aí fora.
Custa-me este letargo. Custa-me que os responsáveis primeiros por esta situação ainda se arroguem numa espécie de somos nós a salvação (a teoria do caos do tempo de Cavaco ministro deu frutos e ainda pesponta). A equação é, pois, simples. Pelo menos deveria sê-la, se tivéssemos clarividência e desassombramentos.
O último Governo de Sócrates, com uma confortável e prometedora maioria parlamentar, não foi capaz de nos tornar melhores e mais prósperos, enquanto país. Falhou, por isso. Ao invés, preferiu maquilhar todos os percalços e conjeturas de crise. O resultado é o que se vê.
O Governo moldou-se a José Sócrates. Este sempre soube, todavia, uma coisa importante: é imperioso a construção de uma imagem de homem providencial. Tivemo-los na nossa história recente: desde os mitos da República à imagem de Sidónio Pais enquanto presidente-rei, passando, obviamente, por Salazar e desaguando em Cavaco. Todos foram salvadores, verdadeiros impulsionadores da nossa úlcera sebastianina. O atual primeiro-ministro alicerçou tentacularmente esta imagem, rodeando-se de homens decerto academicamente resolutos, mas fracos na alma. Basta olhar para eles. O que vemos em Santos Silva, por exemplo, para além de um espécie de ateador de fogos parlamentares? E no Silva Pereira, uma espécie de pajem travestido de braço direito? E os Laurentinos? E os Albertos Martins? E o próprio Teixeira dos Santos (todos os ministros das finanças são considerados os que encaram a coisa, a res publica, de forma mais gravemente comprometedora)? E as senhoras da Educação? O que tem esta gente para mostrar ao país? Nada. Não têm nada, absolutamente nada. Esgotaram já o nada que eventualmente possuíam. Ainda assim, José Sócrates conseguiu o feito de secar o que poderia ainda florescer à sua volta.
O que importa, agora, é protegê-lo. Afinal, ainda poderemos vir a precisar dele, numa insignificante manhã de nevoeiro.

quinta-feira, outubro 07, 2010

as compras da anacom e a resposta à mexia

A ANACOM foi às compras para comemorar o seu aniversário. Como não se comemoram duas décadas de existência todos os dias (na verdade, só uma vez na vida, tal como os 21 ou 22 anos), os responsáveis pela entidade reguladora das comunicações postais e comunicações eletrónicas andaram por aí, loucos, a alugar tendas, a estufar bancos de viaturas em pele bancos de viaturas (parece que isto foi no natal, numa festita que custou 30 mil euros), a exibir vídeos humorísticos, a encomendar penduricalhos, entre outras utilidades inseparáveis daquilo que se pretende com a passagem do décimo nono para o vigésimo ano de vida. Questionada pelos jornalistas, a ANACOM ou um dos seus representantes mais eruditos,desenhou uma resposta à Mexia, afirmando que apenas atua na legalidade e que faz compras transparentes de acordo com o código das compras públicas a distribuir.
António Sérgio afirmava em 1916 que o mal do país reside mais nas elites do que propriamente na (in)capacidade da nação. Não sei se esta gente que assim responde numa altura destas é elite. O que sei é que deveria simplesmente estar calado. E desocupar o lugar.

alemanha: o contraste

A locomotiva económica da Europa anda em contraciclo. O próprio ministro da economia alemão, Rainer Bruederle, defende um aumento substancial dos salários. Portugal afastar-se-á, em 2011, deste paradigma. Seremos cada vez mais uma jangada de pedra.

quarta-feira, outubro 06, 2010

previsões fmi

As previsões do FMI para 2010 são tenebrosas. Espera-nos uma recessão, com uma queda do produto interno bruto e um aumento do desemprego, este na ordem dos 12%. Isto é, atenua-se as finanças e agrava-se a economia. Ora como é na economia que as pessoas se inserem, fácil é entender que estaremos, no próximo ano, a viver pior, cada vez pior.
Entretanto, o PSD critica o orçamento e o Presidente Cavaco Silva aspira a eternos e pouco saudáveis consensos. Em tempos de firmações comemorativas revolucionárias, será este o tempo de novos voos. Tenho mágoa em verificar que Portugal não possui ninguém no ativo capaz de rasgar lucidamente uma realidade cada vez mais enlodada.
No nosso descalabro paulatino, temos metido todos na cabeça que somos pequenos, dez milhões, etc. Essa atitude é, desde logo, um sinal de fraqueza da nossa parte, um sinal de irremitente desgraça.

futebol português

Vi posteriormente um comentador futebolístico abandonar um programa em direto. Julgo saber a razão: insurgia-se contra o colega comentador do lado (afeto ao Benfica) por este ter, mais uma vez, avocado o caso das escutas e do apito dourado, agora com supostas novas conversas gravadas que estão, novamente, no espaço voyeur da internet. Teve razão Rui Moreira, o tal comentador futebolístico que não é só comentador futebolístico.
O povo desportivo futeboleiro gosta disto: casos vezes casos. Basta olharmos para os ditos programas do género que abundam nas televisões portuguesas, com com caros convidados, e rapidamente verificamos que continuam a alimentar o grunhido da sociedade portuguesa.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...