quinta-feira, setembro 23, 2010

novo mundo

Neste novo velho mundo em que vivemos, Portugal tem já selecionador de futebol. Descansamos, pois, todos. Chama-se Paulo Bento e treinou, entre faixas etárias várias, a equipa senior do Sporting Clube de Portugal. Auferirá um ordenado mensal entre 60 a 70 mil euros. Parece que não é muito. Parece que o anterior treinador, tratado por todos por professor, ganhava muito mais (Paulo Bento reduz o vencimento para menos de um terço do que era açambarcado por Queiroz). Tudo parece por aqui. Mas existe em Portugal e também na União (desde que Barroso fez o discurso do estado da União me apraz apelidar assim a instituição) algo que não converge com o parece. São aqueles seres humanos que desenharam as suas vidas em projetos fixadamente académicos (a educação, a educação...) e que não conseguem arranjar emprego.
Não há emprego em Portugal! E há também demasiada gente com ordenados miseráveis. E não se veem no horizonte alternativas credíveis. Só jogatainas de bastidores, gatos e ratos obscuros que continuam a ter o seu umbigo como ponto de chegada. O pior é que nunca chegam a partir.

terça-feira, setembro 21, 2010

o país e cavaco

De repente, acordamos e o país afigura-se falido, à espera da mão protetora do Fundo Monetário Internacional. A dívida sobe, a receita decresce, os juros da dívida aumentam e a Europa reguladora olha para nós a caminho da Grécia moderna. Entretanto, Cavaco aflora sem rasgos de sagacidade o panorama, remetendo cada palavra audível para a meticulosidade duma campanha que se avizinha fácil de ganhar. Importa não perder a áurea sebastiânica do candidato. Cavaco ainda se encontra numa espécie de resguardo político. Há de acabar o segundo mandato e ficaremos ainda à espera do seu regresso.

erc

Um eminente conselheiro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social demitiu-se, acusando o regulador de constituir um obstáculo à liberdade de imprensa. Na verdade, quando vejo na televisão pública, num determinado serviço noticioso, a primorosa informação de que Cristiano Ronaldo assinou mais um contrato publicitário com uma qualquer marca de roupa ou de perfumes, o que efetivamente se releva é que esta gente que regula a comunicação social só não é obstáculo a si próprio.

quinta-feira, setembro 16, 2010

isabel alçada e os assuntos de mercearia

Como é possível uma ministra da educação referir-se aos professores contratados do seguinte modo: "vamos ver se é possível abrir um concurso extraordinário". Esta senhora, com este tipo de discurso de dona de casa, não pode, não deve, aludir à vida dos professores como se estivesse a tratar qualquer assunto de mercearia. Os sindicatos, até agora, nada ripostaram.

federação portuguesa de futebol

Gilberto Madaíl foi a Madrid numa desesperada tentativa de contratação do treinador especial José Mourinho. Ao que parece, esta suplica tem a ver diretamente com a imperiosa necessidade de Portugal ganhar à Dinamarca e à Islândia. Esta gente, estes federativos, entretêm-se com estas coisas.

isabel alçada

Parece-me que a simpática ministra da educação anda por aí em busca de alguma reconfiguração idealista-normativa. Será sempre mais uma. Apareceu hoje um vídeo tristemente gravado para o you tube, no qual Isabel Alçada perspetiva toda a narrativa pedagógica inserta num apertado muro de um qualquer jardim de infância.

casa pia

Fiquei com mais dúvidas com a publicitação dos fundamentos do acórdão. O tribunal admite que aparecem pequenas (o adjetivo é primoroso) contradições nos depoimentos das vítimas. Todavia, justifica através duma tese duvidosa que apelidou de recuperação de memória (estarão, assim, as vítimas nesse processo dedutivo), que todo o depoimento processual dos queixosos não poderá ser encarado como uma reconstituição, mas como uma simples reconfiguração de uma realidade passada. Ora, se estamos perante uma reconfiguração, o pendor fatual tende a anular-se e sabemos que o tribunal alicerça-se, essencialmente, nesse pressuposto.
O exemplo da casa de Elvas pode ser considerado paradigmático. Diz o tribunal que as testemunhas abonatórias de Gertrudes Nunes, a dona da casa, apesar de afirmarem nunca terem visto os arguidos a entrar ou sair da casa da vizinha, os seus depoimentos não podem ser levados muito a sério, pois estas mesmas testemunhas revelaram desconhecer fatos da vida de Gertrudes como, por exemplo, a doença do marido ou o seu internamento, contrariando, assim, a alegada intimidade aventada pela arguida.
Tudo isto não é mais do que uma mera perspetiva de análise e o que verdadeiramente se releva é que vale muito pouco. Ou seja: esperava-se mais.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...