segunda-feira, setembro 06, 2010

protagonismos

De repente, exclusivamente por culpa do titubeante Passos Coelho, José Sócrates surge como um paladino do Estado Social, quase siamês de um Manuel Alegre alegremente eleitoralista, quase uma cópia do estafado e resistente PCP. Enquanto isso, Cavaco lá vai tecendo com cautela a trama do tempo que chegará breve. Afinal, o país precisa de uma viragem à esquerda, a crer nas palavras do primeiro-ministro.

sábado, setembro 04, 2010

a campanha presidencial

Torna-se necessário entender uma coisa simples: um Presidente da República paira numa espécie de etéreo espaço político. A culpa não é só do figurino constitucional que origina esta partilha de poderes (semipresidencialismo). A sebastianicamente frívola mentalidade dos portugueses e dos órgãos de comunicação social alimentam fortemente este pressuposto. Daí que um Presidente da República, qualquer que ele seja, se tranfigure num espécime inexoravelmente sobredimensionado: um presidente-rei. Por isso, o desgastado argumento de que Cavaco Silva anda em pré-campanha eleitoral há já não sei quanto tempo (Manuel Alegre, Defensor Moura e, agora, Francisco Lopes) é revelador dum típico amorfismo normativo. O que é que eles queriam que Cavaco fizesse? O contrário de Eanes, Soares e Sampaio, os quais só disponibilizaram publicamente a sua decisão de recandidatura dois ou três meses antes do dia eleitoral? Que alterasse o seu modus faciendi? Se há coisa em que Cavaco Silva é, de fato, imutável, é na sua própria imutabilidade.

casa pia

Por que será que o falso final deste tenebroso processo judicial se espelha de implausível? Ao ver aquela juíza arrumar estranha e penosamente os papéis enquanto ouvia um dos advogados dos réus algo se projeta deslocadamente naquele insólito espaço físico. Não sei muito bem o quê, mas eu não gostava, enquanto réu condenado, que uma juíza ou juiz ouvisse o meu advogado ao mesmo tempo que limpava, atarefada, a secretária.
Por outro lado, há algumas questões que me sobressaltam: quem são as vítimas no meio disto tudo? Qual a razão que leva a instituição Casa Pia a sair incólume disto tudo?

quarta-feira, setembro 01, 2010

ministério da educação: os serviços

Deixo aqui uma amostragem do que é o Ministério da Educação. Outro dia vi um filme em que um polícia, encarregado de formar uma equipa altamente especializada (à boa maneira americana), referiu que não podia confiar num polícia que não comesse um bom cachorro quente (era vegetariano o preterido). Pois bem, com esta gente do ministério, com a cabeça cheia de siglas, passa-se o mesmo.
A educação é, em Portugal, uma gigante siglação, configurando infindáveis diretrizes. Perdemo-nos na visita à página da internet. Atentem:
CCAP, CCPFC, DGIDC, DGRHE, EME, GAVE, GEPE, GGF, IGE, SG, DREN, DREC, DRELVT, DREALENT, DREALG, ANQ, PNL, RBE, PRODEP, ANSOCLEO, JNE, CENOR, CNE.
Cada grupo destas simpáticas letras abrem mais uns não sei quantos links, cheios de decretos-leis e de portarias várias. Podem crer que há mentes (brilhantes) que reconhecem esta coisa de trás para a frente e de frente para trás.

terça-feira, agosto 31, 2010

a instabilidade presidencial

As eleições presidenciais que se avizinham serão uma amalgamação. Não saberemos quem é quem num contexto de crise política. Vejamos um dos argumentos de Alegre, pela boca de António Costa: Portugal não pode ter uma crise política, porém "tanto pode ocorrer com um desentendimento no Orçamento de Estado, como pelas más escolhas nas eleições presidenciais". Este raciocínio faz de Cavaco Silva aquilo que não é. Por sua vez, remete Alegre para aquilo que ele também não afigura ser. Por um lado, o atual Presidente da República é um homem de pouca coragem política, incapaz de rasgos visionários ou de leituras atentas da sociedade. As atarantadas comunicações ao país são, de certo modo, prova disso. Por outro lado, Manuel Alegre é um homem que, aparentemente, necessita de um certo protagonismo político, aquele que não teve ao longo da sua vida. Não é por acaso que foi no decorrer desta era socratiana que a sua voz de "a mim ninguém me cala" se fez mais audível. Existirão, portanto, nos próximos meses, palavreado e mentalismos vários. A mim, parecem-me poucos os candidatos.

sábado, agosto 28, 2010

estrada nacional 351

Inaugurar ums estrada nacional quando a mesma se encontra ativa há já dois meses é uma verdadeira redundância. José Sócrates fala, mais uma vez, das desigualdades ("reduzir as desigualdades": "eu sei bem a importância que esta obra tem para Proença e Oleiros", manifestou o primeiro-ministro para a imprensa). Sócrates já não consegue ir muito para além disto.

segunda-feira, agosto 23, 2010

a comunicação social e o futebol

Há pouco vi a TVI 24 infundir a classificação da primeira liga: depois dos três primeiros segui-se o oitavo (Sporting) para depois saltar para o antepenúltimo, o Benfica. Entre eles, o vazio, simbolizado com reticências. Se eu fosse adepto do Paços de Ferreira, por exemplo, sentir-me-ia injuriado.
Pensava que em Portugal havia uma coisa chamada ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social - cuja orientação primeira era a de levar a cabo uma fiscalização no sentido de se constituir em Portugal uma imprensa livre, democrática e equitativa. Pelos vistos, nada disto se passa.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...