sexta-feira, agosto 13, 2010
cavaco e sócrates apagam fogos
Vi na televisão o chefe do Governo e o Presidente da República em reunião no comando central da proteção civil, presumo que em Lisboa (onde deveria ser?) (os monitores de computadores compenetradamente eretos, como também não podia deixar de ser). À saída, ambos prestaram declarações (à entrada, Sócrates esperava Cavaco com um cumprimento institucional). Ambos se declararam mais descansados. Ambos irão retomar as suas férias, lá de onde hoje debandaram.
uma verdadinha
António Arnaud: "Com o PS na oposição o SNS está mais bem defendido. Porque o PS na oposição é de esquerda".
A atmosfera gorgolejante dos partidos políticos portugueses adequa-se a este tipo de comentários. Havemos de ver um dia, num novo ciclo (expressão politicamente correta), o PCP congratular-se com o retorno do PS ao poder, para, enfim, facultar ao país a emersão de uns ventos de esquerda, ainda que ténues.
A atmosfera gorgolejante dos partidos políticos portugueses adequa-se a este tipo de comentários. Havemos de ver um dia, num novo ciclo (expressão politicamente correta), o PCP congratular-se com o retorno do PS ao poder, para, enfim, facultar ao país a emersão de uns ventos de esquerda, ainda que ténues.
o social revolucionário almerindo marques
Almerindo Marques, um vetusto gestor público que ganhou nome na RTP, desabrochou hoje (ou ontem) com uma tirada digna de registo. Insurge-se então Almerindo contra a demagogia que é prefigurada com os cortes nos prémios (prémios!...) dos gestores públicos. Fá-lo assim, livre e pateticamente:
é de um "populismo desbragado [pensar] que toda a gente que recebe mais que um salário mínimo é um parasita social (...) Isto é um mau serviço que se está a prestar ao país sobretudo quando há tantos outros problemas, pois aponta-se criticamente o dedo àqueles que "trabalham com empenho, dedicação e esforço para além do razoável". Continua, entusiasmado, o sr. Almerindo Marques: "a mim ninguém me manda trabalhar 12 horas por dia, mas trabalho-as. Aliás eu gostava de saber o que é isso de um bom salário. Há que fazer uma simples operação aritmética de divisão: salário dividido pelo número de horas de trabalho para fazer comparações". Depois apazigua, de certo modo, o lampejo revolucionário, reconhecendo que "existe uma tara de algum capitalismo especulativo que inventa génios onde não existem e que às vezes até fazem sindicatos de atribuição de prémios. É um abuso".
Confisco a questão que ele coloca sobre o que é um bom salário. Ele não sabe e eu também não o posso ajudar nessa sua demanda. No entanto, se mo permitir, posso facultar-lhe uma série de maus salários auferidos por trabalhadores da empresa que tão estoicamente (12 horas por dia, meu Deus!... E sem ser mandado!...) lidera. Pelo menos, fica a saber alguma coisa.
é de um "populismo desbragado [pensar] que toda a gente que recebe mais que um salário mínimo é um parasita social (...) Isto é um mau serviço que se está a prestar ao país sobretudo quando há tantos outros problemas, pois aponta-se criticamente o dedo àqueles que "trabalham com empenho, dedicação e esforço para além do razoável". Continua, entusiasmado, o sr. Almerindo Marques: "a mim ninguém me manda trabalhar 12 horas por dia, mas trabalho-as. Aliás eu gostava de saber o que é isso de um bom salário. Há que fazer uma simples operação aritmética de divisão: salário dividido pelo número de horas de trabalho para fazer comparações". Depois apazigua, de certo modo, o lampejo revolucionário, reconhecendo que "existe uma tara de algum capitalismo especulativo que inventa génios onde não existem e que às vezes até fazem sindicatos de atribuição de prémios. É um abuso".
Confisco a questão que ele coloca sobre o que é um bom salário. Ele não sabe e eu também não o posso ajudar nessa sua demanda. No entanto, se mo permitir, posso facultar-lhe uma série de maus salários auferidos por trabalhadores da empresa que tão estoicamente (12 horas por dia, meu Deus!... E sem ser mandado!...) lidera. Pelo menos, fica a saber alguma coisa.
quarta-feira, agosto 11, 2010
a linguagem e o contexto
Há momentos, no telejornal da SIC, uma novel jornalista que cobria em direto um insistente incêndio em Sabugal, ela própria rodeada de labaredas por tudo quanto era lado, reportava o flagelo da seguinte forma: "o vento está a ajudar à festa". Lembrei-me de repente de Laurentino Dias e do caso Carlos Queiroz. Retomando os argumentos de Pinto da Costa: será que alguém ficou ofendido pelo registo pseudofestivaleiro da jornalista televisiva?...
o caso carlos queiroz
Pinto da Costa clarificou a coisa: ridículo. E tem razão. Todos sabemos que o que se está a passar com o atual selecionador nacional de futebol se encontra relacionado com os maus resultados obtidos no campeonato do mundo. Tivessem sido outros e não havia Laurentino Dias a esboçar receitas de maior ou menor gravidade dos "fatos ocorridos". E também sabemos que o contrato que liga Queiroz à Federação é, do mesmo modo, ridículo (os montantes e a duração). Assim, amanhou-se isto, à falta de melhor. Mas esta gente não contava com a reação do ex-adjunto de Alex Ferguson no Manchester United.
Lembro-me de que há tempos, era então António Oliveira o treinador, houve também uma situação de um certo pundonor exacerbado por parte de alguma imprensa, quando se descortinou, nos lábios do selecionador, no momento em que este esboçava as últimas diretrizes táticas ao jogador Dominguez (que se preparava para entrar em campo) qualquer coisa do género: "mostra a estes nazis como se joga" ou "vamos dar cabo destes nazis" (era a Áustria o adversário). Como Oliveira já havia caído em desgraça na imprensa desportiva, o episódio assemelha-se, nestes princípios, a este do Carlos Queiroz. Não sei se na altura o desbocado Laurentino Dias tutelava a área...
Lembro-me de que há tempos, era então António Oliveira o treinador, houve também uma situação de um certo pundonor exacerbado por parte de alguma imprensa, quando se descortinou, nos lábios do selecionador, no momento em que este esboçava as últimas diretrizes táticas ao jogador Dominguez (que se preparava para entrar em campo) qualquer coisa do género: "mostra a estes nazis como se joga" ou "vamos dar cabo destes nazis" (era a Áustria o adversário). Como Oliveira já havia caído em desgraça na imprensa desportiva, o episódio assemelha-se, nestes princípios, a este do Carlos Queiroz. Não sei se na altura o desbocado Laurentino Dias tutelava a área...
terça-feira, agosto 10, 2010
os incêndios e as pessoas
Gostam de ter umas arvorezinhas bem perto da vivenda. Não ouvem quando são chamados atenção para o perigo que pode advir desse fetiche. Depois, quando veem as labaredas lamber as paredes do castelo, apontam os queixumes para as câmaras de televisão, as quais, por esta altura do ano, alicerçam-se sobretudo nos disparates. O que mais me preocupa, no meio de tudo isto, é verificar que muitas destas pessoas que se organizam mentalmente desta forma são já o fruto da nova escola, isto é, foram inundados, na sua escolarização, com disciplinas como - repare-se - formação cívica, área de projeto e outras tais. A refletir...
a culpa
É já tempo dos partidos tradicionalmente oposicionistas não sacudirem a água do capote quando abordam as várias incongruências do país. Por exemplo, justiça: a culpa é do PS e do PSD que estiveram com a respetiva pasta durante estes trinta e tal anos de regime democrático. Acontece que há uma instituição chamada Parlamento, outra Presidência da República e ainda uma outra (oculta, mas porventura a maior de todas) denominada sociedade civil, a qual - essa sim - tem a responsabilidade maior através do voto democrático e sistemático. Daí que convém perspetivarmos todos nós uma tendência de cariz mais autocrítico sem, no entanto, deixar de relevar a responsabilidade de quem se julga (mal, deficiente) iluminado. Por norma, não simpatizo nem costumo votar em homens providentes. Dão sempre mau resultado. Para providenciais, bastaram Cavaco e Sócrates e os selecionadores de futebol.
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