quinta-feira, julho 15, 2010

estado da nação

Sócrates retrata uma nação de números e tem aparentemente razão nas contas. Acontece que toda esta aritmética se encontra estruturada numa debilidade triste, como triste é o país que tem um primeiro-ministro que se vangloria com um limiar da pobreza na ordem dos 18%.

segunda-feira, julho 05, 2010

ronaldo foi pai

Cristiano Ronaldo é pai de uma criança do sexo masculino. Ao que parece, o petiz nasceu em pleno mundial africano. Duas notas relativamente ao assunto:
A primeira tem a ver com a tese de alguns psicólogos (desportivos, presumo) que defendem tenazmente a relação direta da novel paternidade do jogador com o fraco rendimento enquanto jogador profissional de futebol patenteado em África do Sul. Obviamente, a tese acompanha (ou o contrário, provavelmente) umas não sei quantas emoções recalcadas, frustrações muitas vezes cabalmente exteriorizadas, como o cuspir para a câmara de filmar e o "perguntem ao Queiroz" e outras coisas que os senhores que estudam a coisa conseguem insolitamente vislumbrar.
O segundo apontamento acompanha a suposta e sistematicamente plangente ausência de privacidade dos jogadores e outras espécies de celebridades mediáticas. Afinal, quando esta gente quer manter-se afastado dos holofotes da fama, consegue esse mesmo fito...

quinta-feira, julho 01, 2010

golden-shares e afins

Na hora de contar euros, não há absolutamente sentido algum patriótico. O capital, dizem, não tem pátria. Vivemos, como todos nós sabemos, uma crise financeiro-económica muito grande, a qual parece ainda longe de se harmonizar. É também de entendimento comum que foi a desregularização dos mercados o principal impulsionador da crise. Dito de forma simples: o apagamento cada vez mais notório do dedo Estatal fez com que a “economia de casino” corroborasse o enriquecimento febril de muita gente, especuladores financeiros à cabeça. Neste sentido, passada a tormenta inicial, pensou-se que o mundo iria entrar numa espécie de nova ordem financeira e mundial. E é verdade que este pressuposto teve o seu zénite com a surpreendente eleição de Obama e a sua própria consequência prática, em que a reviravolta que foi alvo o sistema de saúde americano, alargado a todos através do apoio financeiro do Estado, pode ser considerada o paradigma deste novo mundo pretensamente florescente.
Assim, podemos todos afirmar alegremente que se aprende sempre alguma coisa com as crises financeiras. Ou talvez não.
A telefónica quer, como se sabe, comprar a participação da Portugal Telecom na operadora de celulares VIVO. 7, 15 mil milhões de euros, isto é, cerca de 90% da capitalização bolsista da empresa portuguesa. Números que deixam doidos qualquer um, mesmo que este qualquer um seja Ricardo Salgado, o maior acionista da PT. Segundo o presidente do BES, o dinheiro da venda serviria para capitalizar a empresa e investir, sobretudo no Brasil. Curioso raciocínio: investir no Brasil... A mim, parco em bolsa, parece-me que com a concretização do negócio verificar-se-á um desinvestimento efetivo na nossa distante ex-colónia (meti aqui propositada e ironicamente esta semântica colonialista por ter lido, através da imprensa portuguesa, o disparate do Financial Times, acusando o Estado português de ter ainda complexos de colonizador). E o raciocínio é simples: ficamos com o graveto, mas limitados a um mercado cada vez mais estreito.
Posso até colidir aqui comparativamente um exemplo futebolístico: os nossos clubes compram jogadores mais ou menos baratos; alcançam mais-valias com as vendas a ligas de maior e melhor dimensão mas, paulatinamente, empurram o campeonato nacional para um fundo cada vez mais desinteressante e internacionalmente pouco apetecível e credível.
Daí que concorde com a posição do Estado português na utilização das suas "ações douradas". Curiosa e oportuna é a justificação do PSD através do seu porta-voz Miguel Relvas, indiciador do que será um Governo chefiado por Pedro Passos Coelho, num afã obstinadamente neoliberal: "não teríamos utilizado a golden share, apesar de reconhecer que o negócio não era bom para a PT". Traduzindo: deixávamos o mercado funcionar e enriquecíamos ainda mais o grande capital (o salivante argumento de Ricardo Salgado é, nessa perspetiva, notório).
Pelos vistos, a União Europeia, através da sua comissão chefiada pelo nosso mais famoso desertor político (um percurso político notável a este nível), é da opinião que o Estado deve deixar funcionar o mercado e, consequentemente, não deve possuir este tipo de força acionista. Não creio que seja este o caminho diretor que melhor se adequa a uma Europa cada vez mais interveniente do ponto de vista financeiro, precisamente porque o mercado necessita de uma regulação racional e independente, a qual só pode ser conferida pelo Estado em quantidades obviamente equilibradas.
Não queria deixar de apontar uma nota final. Os acionistas da PT sabiam, desde sempre, da golden share estatal. Não sei se muitos destes acionistas, pequenos ou grandes, que clamam a venda da VIVO, têm participações nos recentemente bancos falidos. É que não me parece ter ouvido qualquer desenvolvimento crítico sobre a nacionalização do BPN. E intervenção estatal maior do que uma nacionalização sinceramente não conheço.

quarta-feira, junho 30, 2010

chicoespertismo

Atrasado, mas entra aqui ainda a tempo: primeira página do Expresso: "Ex-assessor do Governo vende chips para SCUT". Depois vem o enredo. E a conclusão que se tira é que nós, enquanto nação governada por algumas luminárias, estamos cavadamente mergulhados neste tipo de espertezas. Tudo dentro dos postulados da legalidade vigente, obviamente.

selecção de futebol

Não gosto de endeusamentos. No caso de Cristiano Ronaldo, ele também não tem culpa no que à volta dele se gerou. Daí que a pressão de ser capitão da selecção, de ser o jogador mais bem pago do mundo (1 euro por segundo de nível salarial) tornou-se o maior calvário para o jogador. Tudo isto aliado a um treinador confrangedoramente mediano, deu no que deu: uma equipa vazia, despersonalizada.

sábado, junho 19, 2010

morte de saramago

Dos primeiros pensamentos que me ocorreu quando soube do falecimento de José Saramago foi que esta bem poderia esperar mais uns tempos. Saramago, na sua vertente polemizada, ainda fazia muita falta à sociedade portuguesa. Pela coragem, pela clareza, pelo ideário, pela inércia da própria sociedade.

domingo, junho 13, 2010

o amadureciento precoce dos pré-adolescentes

Ontem passou nos telejornais um estudo orientado por um (ou mais?) psicólogo(s) o qual deduzia que as crianças na entrada da pré-adolescência adquirem, nos dias que correm, um sentido de maturidade muito mais evidente que as gerações precedentes. O motivo de tal conclusão relaciona-se, exclusivamente (foi este o meu entendimento), com a apetência destas criancinhas para a chamada tecnologia.
Permitam-me, caros psicólogos, discordar. Quando muito, estas criancinhas ganharão mais à-vontade no trabalho com jogos e computadores e afins. O que tem isto a ver com amadurecimento? O que dirão estes investigadores sobre aquelas crianças que, aos doze anos, em vez de facebooks e messenger's, têm na mão uma enxada que usam nos intervalos escolares?

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...