Ontem passou nos telejornais um estudo orientado por um (ou mais?) psicólogo(s) o qual deduzia que as crianças na entrada da pré-adolescência adquirem, nos dias que correm, um sentido de maturidade muito mais evidente que as gerações precedentes. O motivo de tal conclusão relaciona-se, exclusivamente (foi este o meu entendimento), com a apetência destas criancinhas para a chamada tecnologia.
Permitam-me, caros psicólogos, discordar. Quando muito, estas criancinhas ganharão mais à-vontade no trabalho com jogos e computadores e afins. O que tem isto a ver com amadurecimento? O que dirão estes investigadores sobre aquelas crianças que, aos doze anos, em vez de facebooks e messenger's, têm na mão uma enxada que usam nos intervalos escolares?
domingo, junho 13, 2010
sábado, junho 12, 2010
o hotel da seleção
Ouvi hoje na televisão a cretinice transmitida por um dos responsáveis da seleção de futebol na África do Sul a respeito dos custos do hotel. Parece que o local onde a comitiva se encontra hospedada é um dos mais caros, de entre todas as seleções. A explicação desse responsável foi esta: a qualidade e os custos da hospedagem estão de acordo com a nossa posição no ranking da FIFA. Para esta gente não existem país, défice, dívida pública, pec, subida de impostos, cortes sociais, desemprego, nível de vida.
Para este magote futebolístico, acarinhado como verdadeiro herói pelo povo, o país começa e acaba no jogo e nos proventos excelsos que dele tiram. A seleção da Dinamarca, por exemplo, que até ficou à nossa frente no grupo de apuramento, optou por uma estadia bem mais despretensiosa.
Seguindo o raciocínio deste responsável, os pergaminhos da nossa equipa, com o honroso terceiro lugar à partida, dar-nos-á para, no mínimo, mantermos esta posição.
Para este magote futebolístico, acarinhado como verdadeiro herói pelo povo, o país começa e acaba no jogo e nos proventos excelsos que dele tiram. A seleção da Dinamarca, por exemplo, que até ficou à nossa frente no grupo de apuramento, optou por uma estadia bem mais despretensiosa.
Seguindo o raciocínio deste responsável, os pergaminhos da nossa equipa, com o honroso terceiro lugar à partida, dar-nos-á para, no mínimo, mantermos esta posição.
sexta-feira, junho 11, 2010
avaliação dos professores
Mais uma volteada nesta novela da avaliação dos professores. De recurso em recurso, a carta chega sempre a Garcia. Como já é do conhecimento público (apesar da Fenprof ainda não ter sido formalmente informada) os tribunais administrativos e fiscais de Lisboa e Beja deram razão ao recurso apresentado pelo Governo contra a providência cautelar apresentada pela central sindical. Quero, no entanto, questionar o propósito do Ministério em incluir a avaliação de desempenho na graduação para efeitos de concurso. Vamos por partes.
Esta avaliação de desempenho (a do presente ano) destina-se a professores contratados. Ora, se são contratados, não estão na carreira. Não devem, por isso, estar sujeitos a regras compagináveis a uma qualquer carreira profissional. Procedendo deste modo, está o Ministério da Educação a atribuir uma espécie de carreira paralela a estes docentes contratados. Ainda há bem pouco tempo, no consulado de Maria de Lurdes Rodrigues, estes professores eram tratados, nos boletins dos concursos, como indivíduos, precisamente para os distanciar dos "verdadeiros" professores, isto é, daqueles que haviam sido integrados nos quadros. O próprio ex-Secretário de Estado da Educação, de seu nome Walter Lemos, referiu que aqueles (indivíduos) não podem ser considerados professores, visto não estarem ainda na carreira. E tem toda a razão. Acontece que estes trabalhadores contratados com habilitação profissional para dar aulas não podem "usufruir" desta distinção quando o que está em causa é a avaliação e não desfrutarem da mesma dignidade para subirem na graduação (já que é disto que estamos a falar) quando, por exemplo, concluem um mestrado ou então para solicitar uma licença sabática.
Deste modo, parece-me que a questão é, pois, constitucional: ou estes professores contratados são efetivamente tratados como professores – e aí devem ser abrangidos por todas os parâmetros que regem a profissão –, ou então devem continuar contratados e só estarem sujeitos a avaliação quando, verdadeiramente, entrarem nos quadros.
Esta avaliação de desempenho (a do presente ano) destina-se a professores contratados. Ora, se são contratados, não estão na carreira. Não devem, por isso, estar sujeitos a regras compagináveis a uma qualquer carreira profissional. Procedendo deste modo, está o Ministério da Educação a atribuir uma espécie de carreira paralela a estes docentes contratados. Ainda há bem pouco tempo, no consulado de Maria de Lurdes Rodrigues, estes professores eram tratados, nos boletins dos concursos, como indivíduos, precisamente para os distanciar dos "verdadeiros" professores, isto é, daqueles que haviam sido integrados nos quadros. O próprio ex-Secretário de Estado da Educação, de seu nome Walter Lemos, referiu que aqueles (indivíduos) não podem ser considerados professores, visto não estarem ainda na carreira. E tem toda a razão. Acontece que estes trabalhadores contratados com habilitação profissional para dar aulas não podem "usufruir" desta distinção quando o que está em causa é a avaliação e não desfrutarem da mesma dignidade para subirem na graduação (já que é disto que estamos a falar) quando, por exemplo, concluem um mestrado ou então para solicitar uma licença sabática.
Deste modo, parece-me que a questão é, pois, constitucional: ou estes professores contratados são efetivamente tratados como professores – e aí devem ser abrangidos por todas os parâmetros que regem a profissão –, ou então devem continuar contratados e só estarem sujeitos a avaliação quando, verdadeiramente, entrarem nos quadros.
pt-tvi e a comissão de inquérito
Concluiu finalmente a Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso PT-TVI que o primeiro-ministro, afinal, havia tido conhecimento do enredo que preconizava a compra da TVI pela PT. Voltamos assim ao início desta narrativa política. Sócrates pode muito bem afirmar o que sempre o norteou: não tinha conhecimento formal daquilo; o que sabia era pelos jornais, como qualquer cidadão.
Curioso conhecimento; estranha Comissão. O que esta relatou foi simplesmente isto: Sócrates mentiu ao Parlamento, perante os deputados e perante os portugueses. Só que ninguém naquela sala de sábios comissários teve a coragem de apontar esta circunstância. Ao invés, enredaram-se em justificativas e anfratuosidades oratórias. É que ninguém quer, neste momento, eleições antecipadas. Para o PSD, será sempre mais adequado esperar ventos mais favoráveis para tomar de assalto São Bento.
Curioso conhecimento; estranha Comissão. O que esta relatou foi simplesmente isto: Sócrates mentiu ao Parlamento, perante os deputados e perante os portugueses. Só que ninguém naquela sala de sábios comissários teve a coragem de apontar esta circunstância. Ao invés, enredaram-se em justificativas e anfratuosidades oratórias. É que ninguém quer, neste momento, eleições antecipadas. Para o PSD, será sempre mais adequado esperar ventos mais favoráveis para tomar de assalto São Bento.
quinta-feira, junho 10, 2010
ex-ministros condecorados
Eu não entendo muito bem a lógica das condecorações presidenciais. Hoje vi dois ex-ministros que foram despedidos por Sócrates receberem o penduricalho presidencial: a Isabel Pires de Lima, que norteou a cultura, e o do ambiente, cujo nome não sei (nem eu nem presumo 99, 2% dos portugueses). Fizeram estes dois assim tanto pelo país que justifique esta distinção? Cavaco Silva lá saberá. Do mesmo modo, a atriz Eunice Munoz já vai na terceira medalha. Não haverá aqui uma tendência demasiado impressionista?
a nossa superioridade
Bastaram dois assaltos a jornalistas ocorridos em dois hotéis distintos, em África do Sul, para que a nossa superioridade colonial desse logo amostras. O pivot do telejornal da TVI teve mesmo tempo para endereçar ao seu colega do direto sul-africano uma piadinha que revela bem o que esta gente tem na cabeça: olha que estás num sítio bem propenso para seres assaltado (as palavras não foram estas mas o sentido está lá). O outro, coitado, riu às gargalhadas. Presumo que muita gente consumidora destas idiotices futebolísticas que têm inundado as televisões tenha tido uma reação semelhante ao acefálico repórter. É que como todos nós sabemos, assaltos violentos só acontecem nesses países africanos. Nós, por cá, na segurança presumida do campanário europeu, não estamos nada habituados a essas coisas.
segunda-feira, junho 07, 2010
presunção e água benta...
... cada um toma a que quer. Esta gente é toda ela farinha do mesmo saco. As palavras hoje proferidas por Constâncio, o extraordinário ex-governador do Banco de Portugal, quando se despediu do cargo que ocupou tão brilhantemente nos últimos anos, fizeram-me lembrar o não menos extraordinário ex-primeiro ministro Durão Barroso, aquele que fugiu às suas responsabilidades governativas. Constâncio agora é mais um lá nos meandros da Europa. Deixa de se dedicar às miudezas domésticas para mergulhar nos negócios do Banco Central Europeu. Disse então o nosso ex-governador, de malas já há muito aviadas, que foi decerto escolhido para vice-presidente dessa instituição europeia por causa do seu bom empenho cá no burgo. Presunção e água benta, cada um toma a que quer...
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