Mais uma volteada nesta novela da avaliação dos professores. De recurso em recurso, a carta chega sempre a Garcia. Como já é do conhecimento público (apesar da Fenprof ainda não ter sido formalmente informada) os tribunais administrativos e fiscais de Lisboa e Beja deram razão ao recurso apresentado pelo Governo contra a providência cautelar apresentada pela central sindical. Quero, no entanto, questionar o propósito do Ministério em incluir a avaliação de desempenho na graduação para efeitos de concurso. Vamos por partes.
Esta avaliação de desempenho (a do presente ano) destina-se a professores contratados. Ora, se são contratados, não estão na carreira. Não devem, por isso, estar sujeitos a regras compagináveis a uma qualquer carreira profissional. Procedendo deste modo, está o Ministério da Educação a atribuir uma espécie de carreira paralela a estes docentes contratados. Ainda há bem pouco tempo, no consulado de Maria de Lurdes Rodrigues, estes professores eram tratados, nos boletins dos concursos, como indivíduos, precisamente para os distanciar dos "verdadeiros" professores, isto é, daqueles que haviam sido integrados nos quadros. O próprio ex-Secretário de Estado da Educação, de seu nome Walter Lemos, referiu que aqueles (indivíduos) não podem ser considerados professores, visto não estarem ainda na carreira. E tem toda a razão. Acontece que estes trabalhadores contratados com habilitação profissional para dar aulas não podem "usufruir" desta distinção quando o que está em causa é a avaliação e não desfrutarem da mesma dignidade para subirem na graduação (já que é disto que estamos a falar) quando, por exemplo, concluem um mestrado ou então para solicitar uma licença sabática.
Deste modo, parece-me que a questão é, pois, constitucional: ou estes professores contratados são efetivamente tratados como professores – e aí devem ser abrangidos por todas os parâmetros que regem a profissão –, ou então devem continuar contratados e só estarem sujeitos a avaliação quando, verdadeiramente, entrarem nos quadros.
sexta-feira, junho 11, 2010
pt-tvi e a comissão de inquérito
Concluiu finalmente a Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso PT-TVI que o primeiro-ministro, afinal, havia tido conhecimento do enredo que preconizava a compra da TVI pela PT. Voltamos assim ao início desta narrativa política. Sócrates pode muito bem afirmar o que sempre o norteou: não tinha conhecimento formal daquilo; o que sabia era pelos jornais, como qualquer cidadão.
Curioso conhecimento; estranha Comissão. O que esta relatou foi simplesmente isto: Sócrates mentiu ao Parlamento, perante os deputados e perante os portugueses. Só que ninguém naquela sala de sábios comissários teve a coragem de apontar esta circunstância. Ao invés, enredaram-se em justificativas e anfratuosidades oratórias. É que ninguém quer, neste momento, eleições antecipadas. Para o PSD, será sempre mais adequado esperar ventos mais favoráveis para tomar de assalto São Bento.
Curioso conhecimento; estranha Comissão. O que esta relatou foi simplesmente isto: Sócrates mentiu ao Parlamento, perante os deputados e perante os portugueses. Só que ninguém naquela sala de sábios comissários teve a coragem de apontar esta circunstância. Ao invés, enredaram-se em justificativas e anfratuosidades oratórias. É que ninguém quer, neste momento, eleições antecipadas. Para o PSD, será sempre mais adequado esperar ventos mais favoráveis para tomar de assalto São Bento.
quinta-feira, junho 10, 2010
ex-ministros condecorados
Eu não entendo muito bem a lógica das condecorações presidenciais. Hoje vi dois ex-ministros que foram despedidos por Sócrates receberem o penduricalho presidencial: a Isabel Pires de Lima, que norteou a cultura, e o do ambiente, cujo nome não sei (nem eu nem presumo 99, 2% dos portugueses). Fizeram estes dois assim tanto pelo país que justifique esta distinção? Cavaco Silva lá saberá. Do mesmo modo, a atriz Eunice Munoz já vai na terceira medalha. Não haverá aqui uma tendência demasiado impressionista?
a nossa superioridade
Bastaram dois assaltos a jornalistas ocorridos em dois hotéis distintos, em África do Sul, para que a nossa superioridade colonial desse logo amostras. O pivot do telejornal da TVI teve mesmo tempo para endereçar ao seu colega do direto sul-africano uma piadinha que revela bem o que esta gente tem na cabeça: olha que estás num sítio bem propenso para seres assaltado (as palavras não foram estas mas o sentido está lá). O outro, coitado, riu às gargalhadas. Presumo que muita gente consumidora destas idiotices futebolísticas que têm inundado as televisões tenha tido uma reação semelhante ao acefálico repórter. É que como todos nós sabemos, assaltos violentos só acontecem nesses países africanos. Nós, por cá, na segurança presumida do campanário europeu, não estamos nada habituados a essas coisas.
segunda-feira, junho 07, 2010
presunção e água benta...
... cada um toma a que quer. Esta gente é toda ela farinha do mesmo saco. As palavras hoje proferidas por Constâncio, o extraordinário ex-governador do Banco de Portugal, quando se despediu do cargo que ocupou tão brilhantemente nos últimos anos, fizeram-me lembrar o não menos extraordinário ex-primeiro ministro Durão Barroso, aquele que fugiu às suas responsabilidades governativas. Constâncio agora é mais um lá nos meandros da Europa. Deixa de se dedicar às miudezas domésticas para mergulhar nos negócios do Banco Central Europeu. Disse então o nosso ex-governador, de malas já há muito aviadas, que foi decerto escolhido para vice-presidente dessa instituição europeia por causa do seu bom empenho cá no burgo. Presunção e água benta, cada um toma a que quer...
sentidos patrióticos
Actualmente, torna-se demasiado híbrido falar em patriotismo. Para Cavaco, por exemplo, constitui um sinal de patriotismo passar férias cá dentro. Tomando essa atitude, evitamos mais importações e o crescimento da dívida pública. Pelo contrário, o Ministro da Economia reza para que os outros presidentes e chefes de Estado não optem por este tipo de assimilações, pois constituiria, para Portugal, uma quebra de receitas assinalável, tendo em conta o destino turístico do país para muitos estrangeiros. Já o anterior ministro da economia, o saudoso Manuel Pinho, apelou para que se consumissem produtos portugueses. No mesmo sentido, olho para a Europa, para a União, e vejo cada um a tratar da sua vidinha. O que eu singela e envergonhadamente concluo de tudo isto, é que a União Europeia existe somente para nos guiar, diariamente, nos tortuosos caminhos do além défice. O pior é que só temos uma vida. E o primeiro-ministro inglês, David Cameron, já tornou público que temos crise para muitos anos. Que é como quem diz, andaremos neste impasse existencial mais tempo do que supúnhamos. O melhor é mesmo fazer férias cá dentro... mas de casa.
Etiquetas:
cavaco silva,
crise,
união europeia
domingo, junho 06, 2010
o desejo de sócrates
Sócrates tinha o imperioso e secreto desejo de conhecer Chico Buarque de Hollanda. A este tal coisa nunca lhe passara pela cabeça. Sócrates meteu uma cunha. Nada mais, nada menos do que o presidente Lula. Vieram depois as habituais confusões socráticas: o Chico conhecera finalmente o primeiro de Portugal. Barafustou aquele: não partira do cantor e escritor a realização do encontro. O famoso gabinete de Sócrates teve de resolver a contenda: um mero mal-entendido: foi de facto a vontade do primeiro-ministro que despoletou tudo isto. Vasco Pulido Valente escreve um artigo a criticar Sócrates, acusando-o de provincianismo e de se aproveitar do cargo que ocupa para satisfazer um capricho juvenil. É seguido por muitos analistas políticos. Com razão, digo eu. Mas têm também de apontar o dedo para as veleidades de outros estadistas. Afinal, qual o presidente ou primeiro-ministro que nunca aproveitou viagens de Estado para conhecer ou dar a conhecer à sua dama um qualquer destino turístico? Ainda recentemente, vi a nossa primeira-dama regozijar de felicidade com a demorada e quase irrealizável oferenda do marido: passar um dia inteiro em Capadócia (um velho sonho de Maria Cavaco Silva). É que a visita de Estado à Turquia ficava mesmo ali ao lado...
Etiquetas:
cavaco silva,
josé sócrates,
visitas de Estado
Subscrever:
Mensagens (Atom)
