quinta-feira, junho 10, 2010

ex-ministros condecorados

Eu não entendo muito bem a lógica das condecorações presidenciais. Hoje vi dois ex-ministros que foram despedidos por Sócrates receberem o penduricalho presidencial: a Isabel Pires de Lima, que norteou a cultura, e o do ambiente, cujo nome não sei (nem eu nem presumo 99, 2% dos portugueses). Fizeram estes dois assim tanto pelo país que justifique esta distinção? Cavaco Silva lá saberá. Do mesmo modo, a atriz Eunice Munoz já vai na terceira medalha. Não haverá aqui uma tendência demasiado impressionista?

a nossa superioridade

Bastaram dois assaltos a jornalistas ocorridos em dois hotéis distintos, em África do Sul, para que a nossa superioridade colonial desse logo amostras. O pivot do telejornal da TVI teve mesmo tempo para endereçar ao seu colega do direto sul-africano uma piadinha que revela bem o que esta gente tem na cabeça: olha que estás num sítio bem propenso para seres assaltado (as palavras não foram estas mas o sentido está lá). O outro, coitado, riu às gargalhadas. Presumo que muita gente consumidora destas idiotices futebolísticas que têm inundado as televisões tenha tido uma reação semelhante ao acefálico repórter. É que como todos nós sabemos, assaltos violentos só acontecem nesses países africanos. Nós, por cá, na segurança presumida do campanário europeu, não estamos nada habituados a essas coisas.

segunda-feira, junho 07, 2010

presunção e água benta...

... cada um toma a que quer. Esta gente é toda ela farinha do mesmo saco. As palavras hoje proferidas por Constâncio, o extraordinário ex-governador do Banco de Portugal, quando se despediu do cargo que ocupou tão brilhantemente nos últimos anos, fizeram-me lembrar o não menos extraordinário ex-primeiro ministro Durão Barroso, aquele que fugiu às suas responsabilidades governativas. Constâncio agora é mais um lá nos meandros da Europa. Deixa de se dedicar às miudezas domésticas para mergulhar nos negócios do Banco Central Europeu. Disse então o nosso ex-governador, de malas já há muito aviadas, que foi decerto escolhido para vice-presidente dessa instituição europeia por causa do seu bom empenho cá no burgo. Presunção e água benta, cada um toma a que quer...

sentidos patrióticos

Actualmente, torna-se demasiado híbrido falar em patriotismo. Para Cavaco, por exemplo, constitui um sinal de patriotismo passar férias cá dentro. Tomando essa atitude, evitamos mais importações e o crescimento da dívida pública. Pelo contrário, o Ministro da Economia reza para que os outros presidentes e chefes de Estado não optem por este tipo de assimilações, pois constituiria, para Portugal, uma quebra de receitas assinalável, tendo em conta o destino turístico do país para muitos estrangeiros. Já o anterior ministro da economia, o saudoso Manuel Pinho, apelou para que se consumissem produtos portugueses. No mesmo sentido, olho para a Europa, para a União, e vejo cada um a tratar da sua vidinha. O que eu singela e envergonhadamente concluo de tudo isto, é que a União Europeia existe somente para nos guiar, diariamente, nos tortuosos caminhos do além défice. O pior é que só temos uma vida. E o primeiro-ministro inglês, David Cameron, já tornou público que temos crise para muitos anos. Que é como quem diz, andaremos neste impasse existencial mais tempo do que supúnhamos. O melhor é mesmo fazer férias cá dentro... mas de casa.

domingo, junho 06, 2010

o desejo de sócrates

Sócrates tinha o imperioso e secreto desejo de conhecer Chico Buarque de Hollanda. A este tal coisa nunca lhe passara pela cabeça. Sócrates meteu uma cunha. Nada mais, nada menos do que o presidente Lula. Vieram depois as habituais confusões socráticas: o Chico conhecera finalmente o primeiro de Portugal. Barafustou aquele: não partira do cantor e escritor a realização do encontro. O famoso gabinete de Sócrates teve de resolver a contenda: um mero mal-entendido: foi de facto a vontade do primeiro-ministro que despoletou tudo isto. Vasco Pulido Valente escreve um artigo a criticar Sócrates, acusando-o de provincianismo e de se aproveitar do cargo que ocupa para satisfazer um capricho juvenil. É seguido por muitos analistas políticos. Com razão, digo eu. Mas têm também de apontar o dedo para as veleidades de outros estadistas. Afinal, qual o presidente ou primeiro-ministro que nunca aproveitou viagens de Estado para conhecer ou dar a conhecer à sua dama um qualquer destino turístico? Ainda recentemente, vi a nossa primeira-dama regozijar de felicidade com a demorada e quase irrealizável oferenda do marido: passar um dia inteiro em Capadócia (um velho sonho de Maria Cavaco Silva). É que a visita de Estado à Turquia ficava mesmo ali ao lado...

a seleção

Voltemos à seleção de quase todos nós. Parece-me a mim, neste meu acesso modesto de patriotismo, muito difícil ficar indiferente a toda a movimentação dos emigrantes portugueses em África do Sul em torno da seleção. É, no fundo, uma a ausência forçada da terra que eles podem, naquele momento, reclamar. Mais do que o fenómeno futebolístico, aquelas pessoas querem sentir o calor do que deixaram para trás, muitos há trinta e mais anos (o que torna esta posição de carinho muito mais relevante).
Daí que nos coloquemos na cabeça dos jogadores brasileiros que jogam na equipa de Portugal. Entenderão eles isso, o entranhado cultural subjacente a este fenómeno migratório tipicamente português? Não. Obviamente que não. Basta vê-los a trautear o hino. Pergunta que me imponho fazer, que estará decerto, neste momento, a trabucar a cabecinha de muitos leitores: e os outros, os indígenas? Sentirão eles isso? Neste sentido, retive uma resposta do nosso jogador mais carismático a uma pergunta estúpida (são incontáveis) de um jornalista sobre se (ele) prometia alguma coisa aos adeptos (o título, vitórias...). Respondeu então o madeirense: "se eu não prometo à minha família, vou agora prometer aos outros...". Aos outros!... Lembrei-me dos emigrantes, dos outros... Os outros, para aqueles luso-sul-africanos, somos nós. E é este nós que faz toda a diferença. Para esta casta de jogadores, habituados a mundos e fundos, não há - porque não entendem - o nós. O nós é aquele contrato de milhões. Portugal é uma vaga ideia.

sábado, junho 05, 2010

a passagem do 8º para o 10º ano

Não me parece que esta medida do Ministério da Educação, a qual possibilita que alunos com mais de quinze anos e que ainda não tenham completado o 8º ano de escolaridade possam transitar diretamente para o 10º ano se obtiverem avaliação positiva nos exames nacionais (mediante a respetiva proposta e autorização dos encarregados de educação), seja mais do que uma colateralidade pedagógica. Por isso, o natural reboliço político e, diga-se desde já, de alguns pedagogos e aspirantes a sê-lo, não é mais do que um mero registo lógico (protesto, logo existo).
A medida é correta porque abrange uma faixa etária muito particular, em que as mudanças são por demais evidentes a todos os níveis constitutivos das personalidades dos rapazes e raparigas. Para além disso, quem atingir, no âmbito dos exames nacionais do 9º ano, níveis positivos, mesmo que tenha atrás de si uma história de retenção (ou retenções), merece a inexorável possibilidade de continuar o seu futuro, matriculando-se no ensino secundário.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...