sábado, junho 05, 2010

é assim que começam

Afinal, as juventudes partidárias sempre servem para isto: catapultar incógnitos políticos para a esfera pública. Então quando estes precoces seres têm uma mãozinha dum sénior, a coisa corre, de facto, sobre rodas. Manuel Alegre, o candidato, ajudou a promover um pouquinho mais Duarte Cordeiro, líder da Juventude Socialista, ao convidá-lo para dirigir a sua campanha nacional. Diz então Cordeiro que, para além de não ter hesitado, acha mesmo que é um convite naturalíssimo, pois tem o poeta a expectativa de ser ele (o Cordeiro) uma "via facilitadora para um contacto com as estruturas socialistas e com as gerações mais novas". Empolgado, não se deixa ficar: "conheço bem os dirigentes distritais e os presidentes de câmara. E tenho uma boa relação com o Bloco". A minha dúvida é tão-somente saber se os presidentes de câmara conhecem Cordeiro. Para além disso, esta escola socrática-de-trazer-por-casa não me parece a melhor aposta para dirigir uma campanha eleitoral para as presidenciais. E sabendo que foi já este Cordeiro que esteve à frente da campanha de Soares em Lisboa (estes candidatos não resistem ao fátuo fogo desta partidarite jovem, de facto), na qual ajudou o ex-Presidente da República a ficar à frente de Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e Garcia Pereira, tem Manuel Alegre, aparente e prenunciadoramente, uma tarefa algo complicada. Nada que assuste este promissor líder da JS: em resposta a uma pergunta sobre como irá conciliar apoios tão contraditórios como o BE e o PS, disse: "um dia de campanha ou um fim-de-semana de campanha são suficientemente longos para que todos possam aparecer". Pois, e os eleitores são burros, pensará o Cordeiro.

quinta-feira, junho 03, 2010

o retroactivo teixeira dos santos

Sigo a linha de pensamento de António Pina hoje no Jornal de Notícias sobre o princípio avocado por Teixeira dos Santos que tem em conta uma suposta retroactividade fiscal. Acontece que a Constituição da República preconiza o seu oposto, isto é, o princípio da não retroactividade fiscal. Mas para o nosso ministro das finanças este paradigma constitucional não é um "valor absoluto", nem se sobrepõe ao bem público. Acontece que, por princípio, qualquer Constituição é uma espécie de reorganização social imposta politicamente, onde a lei "natural" é pois substituída por normas de funcionamento reguladoras. E é este regulador que desenvolve laços referenciais duradouros. Se é certo que o texto constitucional pode e deve ser alterado de acordo com a vontade do povo (princípio no qual já se baseava a Constituição Francesa de 1793), não me parece que um ministro das finanças tenha qualquer espécie de prerrogativa que lhe permita uma reinterpretação conveniente.

adenda ao post anterior

O que um miúdo de uma aldeia de Chaves respondeu ao jornalista do Jornal de Notícias domina todo o meu argumentário a respeito do encerramento das escolas (parece que vão ser 900 até final do próximo ano lectivo). Afirma então o Gonçalo, de 7 anos, que preferia ficar na aldeia onde poderia dormir mais.

quarta-feira, junho 02, 2010

encerramento de escolas

Mais uma das extraordinárias medidas "pedagógicas" levadas a cabo por as não menos extraordinárias equipas ministeriais, as quais decidiram que as escolas com menos de 21 alunos devem, em nome da evolução escolar dos discentes, encerrar. Depois, vem a hipocrisia: melhores escolas, melhores professores (?), mais e melhores equipamentos, mais miúdos a conviver entre si. É importante que se anote este último ponto: a convivência dos alunos.
A escola é, indubitavelmente, um espaço de convivência. Todavia, deve ser encarada, sobretudo, como um espaço de aprendizagem. Aliás, existem outros espaços de convivência para além dos muros escolares, bem mais saudáveis. Só se considerarmos que a denominada convivência deve andar de mãos dadas com o espaço da aprendizagem, com igual percentagem de relevância. A meu ver, não. Os alunos devem, desde o primeiro ciclo, objectivar a escola como aquele lugar onde a brincadeira fica de fora, onde se faculta mais um salto progressivo no seu desenvolvimento humano. Nesta perspectiva, não era de todo descabida o que se passava "antigamente", com os alunos a encararem o primeiro dia de aulas do primeiro ano escolar como uma "opção" obrigatória, em que a fronteira do sonho e da realidade emergia, tenuemente, num envolvimento teimosamente indagador. Esperem, senhores das ciências da educação, esperem psicopedagogos e assistentes pedagógicos e afins, esperem... não me crucifiquem já!... Eu também sei da importância do lúdico, dos afectos, dos vídeos projectores e dos power points. Sei isso tudo. Mas também sei o que é ir para uma escola de autocarro a não sei quantos quilómetros de distância, chegar a casa de noite, com frio, após uma viagem mal amanhada.
E também sei do despovoamento da ruralidade do país. Sei que depois se fecham centros de saúde porque as pessoas que vivem numa determinada área geográfica não são suficientemente "rentáveis" para a manutenção desse mesmo espaço. Sei que só com muita abnegação é que um jovem casal decide alicerçar uma vida num lugar assim.
Sei que Portugal é um pequeno país e é, provavelmente, o que mais sofre, em toda a União Europeia, de gritantes desigualdades sociais e regionais. Sei que depois vêm articulistas famosos satirizar os habitantes de Valença, precisamente com base no escasso número de utentes do concelho, quando estes simbolicamente decidiram agradecer ao alcaide de Tui a disponibilização das urgências locais para socorrer a população.
Sei, pois, isso tudo. Mas teimamos neste Portugal com "p" pequeno, neste Portugal futuro onde, ao contrário dos versos de Ruy Belo, é cada vez mais difícil ser feliz.

domingo, maio 30, 2010

o triste apoio a alegre

Eu já não fico espantado com José Sócrates. Bastou vê-lo na Madeira, naquele diálogo anfractuoso com Alberto João Jardim, para ter a certeza que o homem não merece, de facto, o governo do país. E é por isso que ele vai perder categoricamente as eleições. Estou mesmo em crer que Sócrates representa aquilo que de pior tem a política: o cinismo, a mentira e a falsidade.
Como é possível que ele se transfigure num apoiante fervoroso de Alegre? Sócrates pensa o contrário daquilo que diz. Neste sentido, ao afirmar que é seu desejo que o ex-deputado ganhe as eleições, o que ele realmente quer que aconteça é o oposto. O mesmo se aplica ao seu apoio convicto.

sábado, maio 29, 2010

recurso do ministério da educação

Que o Ministério da Educação recorra da decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja que manteve uma providência cautelar para travar o concurso de docentes enquadra-se na legitimidade própria de um Estado de Direito. Agora que invoque, como justificativa, os interesses dos professores é que já me parece notoriamente abusivo e delirante.

j p sá couto favorecida

A Comissão Parlamentar de inquérito redigiu já o seu parecer final sobre o negócio em torno dos computadores Magalhães. O que concluiu é muito simples e inequívoco (este último adjectivo foi mesmo empregue pela própria comissão para atestar o seu grau de certeza): houve favorecimento do Governo direcionado para a empresa J P Sá Couto. Mais: a criação da Fundação para as Comunicações Móveis teve um fito determinado: fugir à obrigação do concurso público internacional. Enquanto isso, a empresa faturou como nunca pensara que seria possível. Entretanto, os responsáveis pela estrangeirinha andam por aí (anda muita gente por aí), refutando, com a venalidade dos mais variados argumentos - entre os quais aquele que Sócrates se especializou ao longo destes anos: até aqui, milhares de crianças não tinham acesso à internet e foi graças ao computador Magalhães, etc. etc. etc. -, mais este cozinhado político.
O relatório da comissão será enviado para o Tribunal de Contas e para a Comissão Europeia.
Será isso suficiente para o Presidente da República tomar uma atitude? É que eu não queria dar razão a Santana Lopes quando reitera o seu permanente e angustiante estado de exonerado político. De fato, ele foi à vida por bem menos...

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...