O nosso "rei", D. Duarte Pio: "Tornar obrigatório o ensino da educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade, divirtam-se, façam o que quiserem mas com higiene".
Eu também sou contra a criação desta disciplina nas escolas. É, digamos, um forte exemplo daquilo que se chama eduquês. Uma vitória dos nossos pedagogos de meia-tigela, a começar pelo inquestionável Daniel Sampaio, o principal guru e defensor da tese de que educar é também educar na sexualidade. Nada a opor neste ponto. Só que bastaria olhar para os conteúdos programáticos duma disciplina que se chama Ciências da Natureza e depressa se concluiria que, afinal, os nossos alunos iniciam uma educação sexual desde muito cedo, designadamente desde o 2º ciclo de escolaridade, continuando no 3º e, depois, no secundário, com uma disciplina que se chama Biologia. Mas esta perspetiva fatual não interessa nada para estas sumidades das ciências da educação. É preciso uma disciplina de Educação Sexual e pronto. Despreconceituosamente, metem-se uns preservativos numa banana esverdeada, convidam-se uns alunos a realizarem imaculadamente esta tarefa e, entretanto, a aula acaba. Na próxima haverá mais.
sábado, maio 15, 2010
os candidatos mudos
Cavaco Silva ainda não é candidato, é certo. Mas é Presidente da República. Manuel Alegre já se desvinculou do seu próprio gradeamento epistemológico-político. Ambos são mudos relativamente às medidas veiculadas pelo Governo para combater a crise, ou melhor, o défice (são coisas diferentes, penso, e uma não implica necessariamente a outra: eu preferiria de longe que o verdadeiro escopo se centrasse na crise social). Compreendo a posição de Cavaco Silva, enquanto Presidente da República que não se deve imiscuir nas decisões governamentais (mas porquê?...). Já não entendo Manuel Alegre - sinais do tempo: apoio, a quanto obrigas!... - que fantasia um oportuno silêncio sobre o tema.
Valha-nos Fernando Nobre (por isso é que é, por ora, o meu candidato: despartidário, sem compromissos com nenhum partido) que já sublinhou o seguinte: "ninguém questiona a necessidade de o país adoptar medidas correctivas, o que me questiono é sobre temas específicos como a questão da não existência de uma discriminação positiva ao nível do IVA e do IRS", ao mesmo tempo que propõe um corte de 10% nos salários superiores a 10 mil euros e que os salários inferiores a 700 euros não devem sofrer qualquer penalização em matéria de IRS.
O combate desenfreado (obsessivo: afinal, já não vão ser 8,3% em 2010 mas sim 7,3% e, em 2011, 4,6%!...) ao défice não deve ser feito à custa duma crescente miséria social. Neste ponto, é óbvio que os mais pobres se encontram bem mais próximos do que os que ganham razoavelmente e dos que recebem salários milionários. Convém referir que pobres, em Portugal, estão contabilizados em cerca de 2 milhões (pasme-se: muitos destes são trabalhadores com salários vergonhosamente infames). Para além destes, existem outros tantos que se posicionam no fio da navalha, isto é, um pouco acima do limiar da pobreza. Ora, este agravamento fiscal não vai trazer ao país (à sociedade) uma maior homogeneidade social. Infelizmente, penso que os nossos governantes, estejam eles em coligação ou a governar sozinhos (e eles lá sabem com quem se coligam... é fácil pedir desculpa quando se continua a viver bem) pensam mais em cifras do que em pessoas (desculpem, mas vem-me sempre à minha vertente neurolinguística o grito de António Guterres a Cavaco Silva quando lhe trombeteou que os portugueses não são números...).
É, portanto, necessário, de uma vez por todas, que a fundação política assente naquilo que o padre Anselmo Borges apelidou, apropriadamente, de inteligência social. Sem ela, os portugueses não passarão, inevitável e desconsoladamente, de números rascas.
Valha-nos Fernando Nobre (por isso é que é, por ora, o meu candidato: despartidário, sem compromissos com nenhum partido) que já sublinhou o seguinte: "ninguém questiona a necessidade de o país adoptar medidas correctivas, o que me questiono é sobre temas específicos como a questão da não existência de uma discriminação positiva ao nível do IVA e do IRS", ao mesmo tempo que propõe um corte de 10% nos salários superiores a 10 mil euros e que os salários inferiores a 700 euros não devem sofrer qualquer penalização em matéria de IRS.
O combate desenfreado (obsessivo: afinal, já não vão ser 8,3% em 2010 mas sim 7,3% e, em 2011, 4,6%!...) ao défice não deve ser feito à custa duma crescente miséria social. Neste ponto, é óbvio que os mais pobres se encontram bem mais próximos do que os que ganham razoavelmente e dos que recebem salários milionários. Convém referir que pobres, em Portugal, estão contabilizados em cerca de 2 milhões (pasme-se: muitos destes são trabalhadores com salários vergonhosamente infames). Para além destes, existem outros tantos que se posicionam no fio da navalha, isto é, um pouco acima do limiar da pobreza. Ora, este agravamento fiscal não vai trazer ao país (à sociedade) uma maior homogeneidade social. Infelizmente, penso que os nossos governantes, estejam eles em coligação ou a governar sozinhos (e eles lá sabem com quem se coligam... é fácil pedir desculpa quando se continua a viver bem) pensam mais em cifras do que em pessoas (desculpem, mas vem-me sempre à minha vertente neurolinguística o grito de António Guterres a Cavaco Silva quando lhe trombeteou que os portugueses não são números...).
É, portanto, necessário, de uma vez por todas, que a fundação política assente naquilo que o padre Anselmo Borges apelidou, apropriadamente, de inteligência social. Sem ela, os portugueses não passarão, inevitável e desconsoladamente, de números rascas.
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sexta-feira, maio 14, 2010
medidas entusiasmantes
As recentes medidas de austeridade preconizadas pelos vários Governos europeus parece não terem entusiasmado os mercados financeiros, em especial no nosso país. O que se passa é que se olha para estes orgulhosos líderes e não se vislumbra qualquer sombra de um pensamento estruturado, uma visão para o país. Vamos vivendo com medidas avulsas como as que foram agora implementadas. Pior do que isto: estes sinais pseudo-directores são, de facto, o resultado dos desvarios dos mesmos que originaram todo este imbróglio socio-económico-financeiro. Infelizmente, parece que nada, efectivamente, tende a mudar.
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quinta-feira, maio 13, 2010
sócrates e passos
Sejamos claros: o que se tem vindo a passar na política portuguesa em nome da crise é verdadeiramente vergonhoso. Sócrates sempre defendeu que o Governo não aumentaria os impostos; Passos Coelho sempre criticou essa mesma possibilidade. Conhecíamos Sócrates (do ponto de vista personalista, a amigação que resultou do dílúvio madeirense é exemplo maior); ficámos, agora, a divisar Passos. Afinal, onde pára a mudança? Mas interessa também focar o seguinte ponto: o aumento da carga fiscal recai mais pesadamente sobre os contribuintes de menores recursos. Basta somente seguir alguns exemplos: é bem mais apetecível deixar de usufruir de algumas dezenas de milhares de euros por ano para quem ganha 3 milhões do que 200 euros para quem tem um ordenado de pouco mais de 1000 euros por mês. Mas estes senhores já enchem o peito e afirmam que é possível descer o défice mais do que o previsto (penso que Sócrates falou em 4, 3% em 2011). Parece o Mexia da EDP com a conversa dos objectivos atingidos. Assim, também eu.
adenda: Passos Coelho pediu desculpas aos portugueses por assinar este acordo com o Governo. Remeto o leitor para a primeira frase deste post.
adenda: Passos Coelho pediu desculpas aos portugueses por assinar este acordo com o Governo. Remeto o leitor para a primeira frase deste post.
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Pedro Passos Coelho
as medidas
O acordo está iminente: Passos e Sócrates reúnem-se hoje a fim de decretar as esperadas medidas de austeridade para os trabalhadores. Acontece que há trabalhadores e trabalhadores. Um gestor de uma empresa pública, que ganha dezenas de milhares de euros por mês, é um trabalhador. Do mesmo modo, o porteiro do Ministério das Finanças é também um trabalhador. Acontece que entre o porteiro e o gestor existe um profundo abismo remuneratório. Ou entre, por exemplo, um professor, um engenheiro e esse mesmo senhor gestor. No entanto, o que este rotativismo prevê é que o gestor tenha um aumento da sua carga fiscal de 1,5% e o porteiro, porque ganha mais do que o salário mínimo, seja implicado em 1%. Ora, no meu modesto entendimento, o que isto preconiza não é um combate ao profundo fosso social existente no nosso país. Ou estes senhores não sabem fazer contas, ou os seus conceitos de justiça social ficam muito aquém daquilo que seria, no mínimo, exigível. Podem os dois políticos olhar - porque não? - para a doutrina social da igreja (a qual é, diga-se desde já, confluente com o discurso inerente às centrais sindicais) e reflectir . Na verdade, tanto a igreja como as centrais sindicais têm como fundamento primeiro, dentro de uma lógica de abrangência diferenciada, a defesa dos mais pobres, isto é, dos que ganham menos.
O que estas medidas de agravo fiscal comprovam é que o combate às assimetrias sociais não é, infelizmente, uma prioridade. E, para piorar esta visão descrente, aparece, vigoroso e observador, o rotativismo, agora com uma variante (nova) de pré-cozinhado.
O que estas medidas de agravo fiscal comprovam é que o combate às assimetrias sociais não é, infelizmente, uma prioridade. E, para piorar esta visão descrente, aparece, vigoroso e observador, o rotativismo, agora com uma variante (nova) de pré-cozinhado.
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quarta-feira, maio 12, 2010
sócrates e coelho
Esta intimidade latente entre os dois líderes parece-me demasiado plastificada. Não que não se afigure útil e profícua, pelo menos na aparência política e mediática. Acontece que estes dois partidos que se têm revezado no poder ao longo desta segunda república, hostilizam propositada e estrategicamente os restantes partidos parlamentares. É que medidas como as que foram propostas por Passos Coelho, as quais passam invariavelmente por uma distribuição racionalizada de uma diminuição dos salários dos funcionários públicos (com políticos e gestores de empresas públicas e de parcerias público-privadas à cabeça) e de uma discriminação positiva para os que auferem salários mais baixos, poderiam ser subscritas por todos os partidos, desde o CDS-PP (que foi o primeiro partido a focar este ponto, o que nos leva a acreditar que o espaço mediático de Paulo Portas está paulatinamente a ser ocupado pelo mais telegénico Passos Coelho) até à esquerda parlamentar. Mas talvez seja esta mesma esquerda (e porque não, o próprio CDS-PP) que os dois partidos temem. Afinal, o rotativismo não pode acabar.
a imbecilidade jornalística (parte 2)
O mesmo zeloso jornalista desta vez interrompe um rastejar lacrimoso de uma mulher com uma filha ao colo. Esboça novamente o que julga como alto jornalismo:
- Por que está a cumprir a sua promessa?
- Por que está a cumprir a sua promessa?
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