A Quercus decidiu formalizar mais uma queixa à União Europeia para que trave a construção de um Parque Eólico do Douro Sul. Tudo por que, segundo estes ambientalistas, o empreendimento põe em causa a vivência dos animais. É bom recordar que por causa destas queixinhas foram gastos largos milhões de euros na construção dum viaduto na A24. Até ao momento, ainda não foram detectados vestígios de lobo algum. Este facto torna-se exasperadamente anedótico quando verificamos que, mesmo ao lado do viaduto, se plantaram trabalhosas pedreiras.
Ora, se tivermos em conta que a causa do declínio do Lobo Ibérico se deve, essencialmente, à sua perseguição directa e ao extermínio das suas presas selvagens, não nos custará admitir que uns postes eólicos em cima de um monte não serão preponderantes para o regular funcionamento da vida destes animais.
terça-feira, outubro 27, 2009
sacerdócio
Li uns parágrafos que prefiguram alguns traços distintivos daqueles que aspiram a uma vida sacerdotal. Assim, no documento intitulado "Orientações para a utilização das competências psicológicas na admissão e na formação dos candidatos ao sacerdócio", de 2008, encontramos este tipo de "razões": "estabilidade clara da identidade masculina", "a capacidade de integrar a sua sexualidade no todo da pessoa". Para além disso, parece que nestas orientações não cabem aqueles que sofrem de graves carências físicas, os adolescentes criados fora do convívio dos pais, os emigrados de terra em terra e também aqueles com têm o infortúnio de terem parentes alcoólicos ou dementes. Estes últimos devem ser minuciosamente avaliados, pois nunca se sabe o que pode resultar desta tenebrosa conjugação de factores somáticos. E assim prega Frei Tomás...
segunda-feira, outubro 26, 2009
um representante da república na madeira
Na espuma dos nossos dias, há notícias que o não são pelas mais prosaicas razões. Este fim-de-semana deparei-me com uma que se liga ao Representante da República para a Região Autónoma da Madeira. Fui ver os alicerces constitucionais deste cargo e reparei que faz justiça ao provérbio que dita que "o que nasce torto tarde ou nunca se endireita". Vejamos: fundado pela Lei Constitucional nº 1/2004, de 24 de Julho, no âmbito da sexta revisão constitucional, só quatro anos mais tarde se consagrou, de modo definitivo, na Constituição da República, com a publicação da Lei nº 30/2008, de 10 de Julho. Torna-se, pois, fácil entender que todo este hiato temporal foi caracterizado por uma enormíssima indefinição de competências, algumas das quais vinham já do primeiro desenho constitucional (em democracia) que criara a figura de Ministro da República para as Regiões Autónomas. Convém notar, no entanto, que o âmbito competencial deste cargo lhe confere uma importância que não se adequa à prática política. Na verdade, não me ocorre ter alguma vez ouvido o Juiz Conselheiro Monteiro Diniz pronunciar-se sobre qualquer decreto legislativo regional, seja sob a forma de uma fiscalização preventiva ou mesmo através do veto político. Assim, temos na Madeira (e presumo também na Região Autónoma dos Açores) um Representante da República que pouco mais faz do que... representar a República, seja lá o que isso possa circunscrever.
Mas é precisamente aqui que a notícia emerge. Monteiro Diniz confessou sentir-se de "mãos atadas" e que nada pode fazer perante certos despautérios oriundos, por exemplo, da práxis política madeirense, designadamente da Assembleia Regional, reconhecendo, deste modo, que não tem competências para actuar, pois este é um cargo solitário circunscrito a uma magistratura de influência. Acrescenta ainda, para sublinhar o seu desconforto, que já por duas vezes pediu para abandonar o cargo e que está fora de questão continuar após 2011, data em que termina o seu mandato.
Todavia, o nosso representante na ilha compensa a míngua operacional através de pretensas análises sociopolíticas madeirenses. Assim, começa por afirmar que é o sistema autonómico que não permite uma actuação arbitral na ilha, o que, a ser verdade, é de facto extraordinário (estranho ainda mais não se ter ouvido aquando do veto de Cavaco Silva relativamente ao Estatuto Político dos Açores, o qual preconizou uma situação político-administrativa análoga à da Madeira), visto que se trata de um reconhecimento da inocuidade do cargo que ele próprio ocupa. Vai, porém, mais longe e culpa, desprendidamente, o povo madeirense, que tem dado sucessivas maiorias absolutas ao PSD: "o problema é o eleitorado da Madeira, que deu maiorias absolutas a um partido durante estes anos todos, esse é o problema". Pela minha parte, anoto simplesmente que Monteiro Diniz deve estar mesmo fartinho de andar por lá sem fazer nenhum. É que ouvir o representante da República (por inerência representa o próprio Presidente da República) criticar de modo tão explícito o alicerce de qualquer regime democrático que é o voto do povo, estranha-se e dificilmente se entranha. Se não andássemos distraídos pela espuma dos dias, Monteiro Diniz teria sido já convidado a regressar... à pátria.
Mas é precisamente aqui que a notícia emerge. Monteiro Diniz confessou sentir-se de "mãos atadas" e que nada pode fazer perante certos despautérios oriundos, por exemplo, da práxis política madeirense, designadamente da Assembleia Regional, reconhecendo, deste modo, que não tem competências para actuar, pois este é um cargo solitário circunscrito a uma magistratura de influência. Acrescenta ainda, para sublinhar o seu desconforto, que já por duas vezes pediu para abandonar o cargo e que está fora de questão continuar após 2011, data em que termina o seu mandato.
Todavia, o nosso representante na ilha compensa a míngua operacional através de pretensas análises sociopolíticas madeirenses. Assim, começa por afirmar que é o sistema autonómico que não permite uma actuação arbitral na ilha, o que, a ser verdade, é de facto extraordinário (estranho ainda mais não se ter ouvido aquando do veto de Cavaco Silva relativamente ao Estatuto Político dos Açores, o qual preconizou uma situação político-administrativa análoga à da Madeira), visto que se trata de um reconhecimento da inocuidade do cargo que ele próprio ocupa. Vai, porém, mais longe e culpa, desprendidamente, o povo madeirense, que tem dado sucessivas maiorias absolutas ao PSD: "o problema é o eleitorado da Madeira, que deu maiorias absolutas a um partido durante estes anos todos, esse é o problema". Pela minha parte, anoto simplesmente que Monteiro Diniz deve estar mesmo fartinho de andar por lá sem fazer nenhum. É que ouvir o representante da República (por inerência representa o próprio Presidente da República) criticar de modo tão explícito o alicerce de qualquer regime democrático que é o voto do povo, estranha-se e dificilmente se entranha. Se não andássemos distraídos pela espuma dos dias, Monteiro Diniz teria sido já convidado a regressar... à pátria.
domingo, outubro 25, 2009
o reaccionário vasco pulido valente
Chego atrasado à polémica do texto de Vasco Puilido Valente da última sexta-feira no Público. Li-o e custou-me acreditar no que os meus olhos percorriam. O homem fala em conceitos como berço, educação, escolaridade, semianalfabeto, inveja, dotes de nascença, mediocridade, tudo para caracterizar denegridamente José Saramago.
Mesmo que tentemos ler este escrito infeliz e estúpido à luz duma variável polissemia, o que o senhor doutor de Oxford nos proporciona não é mais do que uma visão paroquiana de alguém que é incapaz de sair dum casulo feito de teias rancorosas e umbilicais. Para isso, não era preciso tanto estudo, sr. doutor.
Mesmo que tentemos ler este escrito infeliz e estúpido à luz duma variável polissemia, o que o senhor doutor de Oxford nos proporciona não é mais do que uma visão paroquiana de alguém que é incapaz de sair dum casulo feito de teias rancorosas e umbilicais. Para isso, não era preciso tanto estudo, sr. doutor.
sexta-feira, outubro 23, 2009
7º lugar do douro
A vasta região do Douro é, desde há muito - permitam-me o lugar comum - uma espécie de diamante em bruto. A National Geographic Society consagrou-lhe o sétimo lugar de um total de 133 destinos turísticos sustentáveis. É uma boa notícia para a região e para o país, num momento em que o grande desígnio nacional se encontra virado para auto-estradas, comboios TGV's e um retumbante aeroporto.
Sempre me entristeci que um país fisicamente tão pequeno como Portugal conseguisse alargar para além do regime despótico de Salazar e Marcelo Caetano uma divisão tão arreigada entre litoral e interior. O que é deveras insólito é este tipo de pensamento único que, na nossa contemporaneidade democrática, nasceu com os governos de Cavaco Silva: a de que é através das estradas que o desenvolvimento no interior do país se propaga. Podem ajudar, mas não bastam. E o que se me afigura deveras extraordinário é que não vejo qualquer desígnio nacional para o pós-autoestradas. Construam-se e depois logo se vê. Ocorre-me, repentinamente, os famosos estádios de futebol para o Euro 2004 (e vem aí o mundial): um verdadeiro exemplo.
Sempre me entristeci que um país fisicamente tão pequeno como Portugal conseguisse alargar para além do regime despótico de Salazar e Marcelo Caetano uma divisão tão arreigada entre litoral e interior. O que é deveras insólito é este tipo de pensamento único que, na nossa contemporaneidade democrática, nasceu com os governos de Cavaco Silva: a de que é através das estradas que o desenvolvimento no interior do país se propaga. Podem ajudar, mas não bastam. E o que se me afigura deveras extraordinário é que não vejo qualquer desígnio nacional para o pós-autoestradas. Construam-se e depois logo se vê. Ocorre-me, repentinamente, os famosos estádios de futebol para o Euro 2004 (e vem aí o mundial): um verdadeiro exemplo.
quinta-feira, outubro 22, 2009
votos para a nova ministra
quarta-feira, outubro 21, 2009
o psd e saramago
O PSD, este partido que anda agora à procura duma identidade que se perdeu algures num passado recente, convive, definitivamente, mal com José Saramago. Por ser o escritor comunista, evidentemente, não por exprimir hipotéticas heresias. Aliás, este tipo de reacção crítica, que se inaugurou com um tal Sousa Lara - que foi em tempos Secretário de Estado da Cultura (penso que era esta a nomenclatura) - e que agora teve um seguidor num obscuro eurodeputado, acaba por alongar, ainda mais, o fosso com o chamado país real. Propor a mudança de nacionalidade ao escritor só pode vir de alguém que não consegue esgrimir argumentos. Saramago limitou-se a constatar um facto: A Bíblia, enquanto obra civilizacional fundamental, contém preceitos imagéticos escabrosos. Agora se todos esses mandamentos devem ser lidos à luz da metáfora, a qual é sempre sujeita a um reestruturamento do texto, isso é já outra história.
Por mim, fico feliz por o tal-deputado-que-não-sei-quem é não fazer parte dos novis deputados da Assembleia da República. Afinal, em Estrasburgo também fazem falta estes dignos representantes da nossa casta fundamentalista.
Por mim, fico feliz por o tal-deputado-que-não-sei-quem é não fazer parte dos novis deputados da Assembleia da República. Afinal, em Estrasburgo também fazem falta estes dignos representantes da nossa casta fundamentalista.
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