terça-feira, outubro 20, 2009

outra vez um campeonato de futebol

Estamos novamente com novo desígnio nacional. é uma forma de União Ibérica esta ideia de ligação futebolística com Espanha na organização de um campeonato do mundo para a próxima década. Entretanto, a guerra dos estádios já se iniciou, com o recém-eleito presidente da Câmara de Faro a reclamar uns joguitos lá na terra. Como o estádio do Algarve só tem capacidade para 30 mil pessoas, parece que este facto não é argumento suficiente para impedir a aspiração de Macário Correia: afinal, só será necessário acrescentar mais vinte mil cadeirinhas. E depois logo se vê o que fazer. Isto é cíclico. E doentio...

segunda-feira, outubro 19, 2009

e o encontro de deus pinheiro consigo próprio

Mas não se fica por Carvalho da Silva e António Costa este tipo peculiar de encarar politicamente o país e os eleitores (ver post anterior). João de Deus Pinheiro, outro vetusto líder político, aproveitou uma pequenina aragem que Manuel Ferreira Leite lhe proporcionou para sair da sua longa hibernação. Andou, por isso, alegremente junto da líder durante grande parte da campanha eleitoral, pelo menos quando os momentos televisivos remetiam para uma certa solenidade. Afinal, Deus Pinheiro foi uma figura de proa do cavaquismo (Ministro da Educação e dos Negócios Estrangeiros), Comissário Europeu, e outras coisas mais. E como não se pode desaproveitar certas cabeças luminárias, aceitou o convite para liderar uma lista distrital de deputados à Assembleia da República, na esperança legítima de ver o seu nome proposto para Presidente do Parlamento ou, no mínimo, para um qualquer poiso ministerial.
Mas Manuela Ferreira Leite e o PSD perderam as eleições. Por conseguinte, Deus Pinheiro, que chegou a pedir a maioria absoluta (que chatice seria governar sem maioria), teve de se contentar com um lugarzito de deputado. Aguentou-se meia-hora. Assinou e renunciou ao mandato.
Comecei a julgar que Manuela Ferreira Leite perderia as eleições quando aceitou a integração de António Preto na lista de deputados, isto é, quando a sua imagem de credibilidade, a sua apregoadíssima e tenaz luta pela verdade se começou a esmorecer. Depois, quando vi Deus Pinheiro várias vezes a seu lado, marcando uma presença vazia, inócua e, por isso, prejudicial à candidata, tive a certeza dessa derrota. Não me enganei.
Não sei se Manuela Ferreira Leite se sente ultrajada. Estou propenso a crer que muitos eleitores que acreditaram no seu projecto, nas suas palavras, não se sentirão, agora, lá muito bem. E a culpa é também dela.

o encontro casual de carvalho com costa

Afinal, Carvalho da Silva, vetusto líder da maior central sindical do país, uma das vacas sagradas da esquerda, encontrou-se com António Costa, antes das eleições autárquicas. Não por mera casualidade, como ambos juraram a pés juntos, mas por que Carvalho da Silva preparara meticulosamente o encontro no Martinho da Arcada.
Confesso que me estou nas tintas para o mal-estar comunista. O que eu não gostei foi o de me terem feito passar por parvo. Simplesmente por que acreditei na casualidade desse oportuno esbarramento citadino. Afinal, Lisboa não é assim uma cidade tão grande. Mas mais do que a minha ingenuidade (provavelmente fui o único), o número apresentado por estes senhores não é mais do que uma peculiar forma de perscrutar a política. É que por muitas palavras elevadas que se inventem, as eleições são sempre um aperto que vale bem um numerozito destes. Não é assim, senhores Carvalho da Silva e António Costa?

sexta-feira, outubro 16, 2009

uma intervenção de pedro feijó

Pedro Feijó é um aluno do Liceu Camões (que comemorou hoje 100 anos) e fez hoje uma intervenção notável diante da ex-futura ministra, Lurdes Rodrigues e de Cavaco Silva. Acusou o ministério de ter sido responsável por uma verdadeira asfixia nas escolas públicas, ao, por exemplo, tirar "a representatividade e o poder aos estudantes e outras classes nos órgãos de gestão, dando-o a agentes exteriores à escola". Salientou ainda que o pior de tudo foi a atitude do ministério, ao desprezar "manifestações com milhares de estudantes" e "abaixo-assinados, incluindo um com dez mil assinaturas de estudantes, que pediram a revogação destas leis. Desprezou manifestações com várias dezenas de milhar de professores que lutavam pelos seus direitos, pelas suas escolas."
António Feijó está, pois, de parabéns pela coragem e perspicácia crítica demonstrada diante de Lurdes Rodrigues e de Cavaco Silva. Nunca é demais lembrar que esta ministra foi muito acarinhada, no início das suas pseudo-reformas educativas, pelo Presidente da República, apesar de, passadas as turbulências, se ter posto com um pezinho de fora. Como, aliás, convém a um presidente...

mário lino nos gatos

Acabei de ver Mário Lino num programa de humor. Fiquei com a sensação que ele não percebeu que aquilo era precisamente um programa de humor. Foi impressão minha, ou ele fala muito à José Sócrates? Não sei, mas aqueles trejeitos discursivos!... A dada altura, perdeu mesmo a cabeça: "um grande político português contemporâneo, José Sócrates, disse que..." Vamos ter saudades.

quarta-feira, outubro 14, 2009

isabel alçada

Ouvi um atrasado discurso de Isabel Alçada sobre a política educativa do governo PS, numa sessão do Partido Socialista ("Avançar Portugal") e fiquei espantado com o registo venal da futura Ministra da Educação. Não se ouviu uma única crítica, um único reparo. Elencou as medidas de Maria de Lurdes, uma a uma, como se tivesse a explicar as várias etapas do revistimento betuminoso de qualquer obra pública. Não lhe ouvi uma referência aos professores. Maus prenúncios.

a coerência de vasco graça moura

Vasco Graça Moura é um seriíssimo caso de personalidade dupla. O grande e apaziguado especialista em literatura dá lugar, na política, ao mais extravagante e irracional opinador. Cavaquista dos sete costados, passou a manuelista dos oito. Daí que o disparate seja a norma quando aborda temas políticos. Hoje, por exemplo, afirmou que Manuela Ferreira Leite deve manter-se na liderança do partido, pois "tem a legitimidade de ter sido eleita normalmente e tem um mandato que ainda não terminou". Quanto a José Sócrates, a receita é a oposta: é preciso que [o próximo governo] seja derrubado o mais depressa possível". Conclui-se, portanto, que, para Vasco Graça Moura, o governo recentemente indigitado por Cavaco Silva não conquistou, "normalmente", a vitória no dia 27 de setembro.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...