quarta-feira, outubro 14, 2009

a alternativa

Manuela Ferreira Leite saiu há pouco do tradicional encontro com o primeiro-ministro após as eleições legislativas. O que dise aos jornalistas foi o óbvio: que o PSD irá ser uma oposição responsável e que o termo responsável aplica-se, neste contexto, dentro de uma perspectiva realista do país, isto é, não pedir o que se torna impossível de realizar na actual conjuntura e enquadrar a acção política do PSD tendo em conta que o seu partido é a verdadeira alternativa. Ora, parece que Ferreira Leite não percebeu ainda o actual estado das coisas. Neste momento, não se pode falar assim, com o artigo definido, quando se projecta uma alternativa. É que não existe a alternativa, mas alternativas. Nem o próprio PS é, na actualidade, a alternativa. O desenho parlamentar que saiu das eleições não se compagina com uma solução unipartidária. Por conseguinte, a regra, agora, é o regresso da política. E quem se advogar como alternativa vai, irrevogavelmente, para o abismo.

terça-feira, outubro 13, 2009

passos coelho concorre à liderança

Registo o sentido de honestidade de Passos Coelho, que aureolou hoje, com uma declaração aos órgãos de informação, a sua candidatura à liderança do PSD. Disse então Passos Coelho: "Posso dizer que, quando forem convocadas as eleições no PSD, terei oportunidade para apresentar a minha candidatura, que será normal dentro do trabalho que venho fazendo no PSD". Esta última parte da sua declaração é, pois, deliciosa: "o trabalho que venho fazendo no PSD..."

despedimentos na quimonda

Foi a primeira vez que vi regatear despedimentos. A administração da Quimonda baixou em cem o número de trabalhadores que vão para o desemprego. Agora, estão nos 500, mais coisa menos coisa. Ao princípio da tarde, eram 600. Vamos lá ver onde isto vai parar amanhã.

maitê proença

Parece que uma grande amiga de Miguel Sousa Tavares andou por aqui, meia desvairada, a mandar umas atordoadas ao nosso querido Portugal. Os telejornais nacionais fizeram do assunto coisa séria. Sinceramente, não vejo onde pára a notícia.

os animais e os homens

Mais uma amostra do furor legislativo: a proibição dos animais em circo e a sua reprodução (!). Por mim, nada contra. Os argumentos relativamente a esta medida são obviamente variáveis, consoante a posição e a sensibilidade de cada um. Podemos agrupá-los, sem grande esforço, em duas categorias: um excesso de intromissão do Estado na vida das empresas circenses e, por outro lado, uma marca civilizacional.
É meu entendimento que o intuito primeiro do legislador encontra-se, mais pausadamente, nesta última vertente. Neste sentido, o bem-estar dos animais prevalece sobre os instintos "voyeuristas" do ser humano. No entanto, importa ser coerente e atingir, com igual medida, as touradas, os "rodeos" (a suposta e gritada superioridade moral do Bloco de Esquerda tem aqui um extremo de hipocrisia política), as gaiolas caseiras dos passarinhos e passarões e, não menos importante, os jardins zoológicos. Neste propósito, revela-se de uma ironia trágica algumas tabuletas que titulam certas cercas animais nestes parques públicos, cujas informações orientam o visitante para uma amostra do modo de vida do bicharoco... no seu habitat natural. Por exemplo: animal que vive nas grandes planícies africanas, atinge velocidades superiores a 50 km/hora, e por aí adiante... Onde está, afinal, no meio disto tudo, a coerência?

segunda-feira, outubro 12, 2009

um tópico europeu

Por vezes, basta muito pouco para escrever uma crónica. Neste caso, a segunda página do Expresso da última semana revelou-se suficientemente capaz de me entusiasmar. E o que relata, então, logo a abrir, o semanário de Pinto Balsemão? Nada mais, nada menos do que os rendimentos dos eurodeputados. O título é, desde logo, sugestivo: “Eurodeputados gastam mais 30 milhões em despesas”.
Como se sabe, o novo Estatuto do Deputado entrou em vigor a 15 de Julho e teve como principal inovação o pagamento ao quilómetro das viagens para casa, colocando um termo à disparidade de remuneração dos deputados consoante o país de origem. Deste modo, o que antigamente era guiado pelos respectivos parlamentos nacionais, passou agora a ser estruturado com um salário único de €7000 mensais (€5969 líquidos). No caso dos nossos felizes deputados, tiveram um acréscimo de €3444. A questão, todavia, não se estaca nesta simples homogeneização salarial inter pares. Se é certo que se exauriu o subsídio ao quilómetro das viagens para casa, é também certo que se criaram mais duas novas assistências salariais: uma nova versão do subsídio ao quilómetro e um outro de “tempo perdido” na viagem. Os eurodeputados, não sei se ironicamente (nunca se sabe), apelidaram-no já de “subsídio de transtorno”. Conseguintemente, a exponencial subida, relativamente à anterior legislatura na rubrica subsídios, situa-se nos €32 milhões. O interessante é que, no actual quadro parlamentar, há menos 49 deputados. Quer isto dizer que, apesar de menos, gastam mais (o orçamento do Parlamento Europeu foi o que mais subiu dentro das instituições europeias: €1590 milhões face a €1530 da última legislatura). Mas não se ficam por aqui as benesses: por cada dia de exaustivo trabalho em Bruxelas ou Estrasburgo (um exemplo da pesada e expansiva organização comunitária, com sessões plenárias mensais em Estrasburgo, sessões das comissões em Bruxelas e a sede do secretário-geral do Parlamento em Luxemburgo), cada deputado recebe €298, além do seu salário. Ainda segundo o jornal, os deputados auferem ainda, no item despesas de gabinete, €4200 e, como se não bastasse, reivindicam um aumento para o seus assistentes, de modo a garantir um trabalho de qualidade com a introdução esperada do Tratado de Lisboa.
É certo que este tipo de matérias exalta para uma oportuna demagogia. Pela minha parte, não é essa a minha intenção. Todavia, convém sublinhar o óbvio: numa altura de crise europeia e mundial, onde milhões de desempregados enxameiam os centros de emprego, onde cresce perversamente a pobreza, envergonhada ou declarada, a União Europeia patenteia uma capacidade notável para resolver as questiúnculas de mera organização salarial, através deste tipo de homogeneização comunitária. Por outro lado, essa estreita lucidez pragmática não é conduzida para uma resolução dos verdadeiros problemas dos cidadãos. Muito pelo contrário, as instituições europeias têm-se revelado, face à crise, de uma total e preocupante inoperância política, preferindo, muitos dos seus mais respeitados dirigentes nacionais, entreterem-se em agrupamentos que pomposamente são designados de G qualquer coisa. Será porventura na aprovação do Tratado de Lisboa que tudo isto começará a mudar. Pelo menos, é o que os mais optimistas esperam. Haverá, estou certo, novas reformas. Quanto mais não seja, para optimizar, ainda mais, a configuração salarial do Parlamento Europeu.

sábado, outubro 10, 2009

obama nobelizado

As opiniões são divergentes. Para uns, o prémio Nobel da Paz deste ano não podia estar mais bem entregue pelo que Obama representa na esperança duma paz mundial, na esperança do início de uma nova ordem mundial, a qual, para alguns destes, já se teria mesmo iniciado com a sua eleição. Para outros, o presidente dos Estados Unidos ainda não justificou tão responsável galardão. Afinal, só está ainda no poder há dez pequenos meses. No entanto, poderemos elevar uma terceira via de análise: a de que o prémio não é pelo que ele fez, mas pelo que se espera que venha a fazer. Neste sentido, estou em crer que Barack Hussein Obama, o quadragésimo quarto presidente dos Estados Unidos da América, preferiria que lá por Oslo o seu nome não tivesse sido, sequer, alvitrado.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...