segunda-feira, outubro 05, 2009

fim de ciclo

O ministro da agricultura, um dos que está de saída do executivo socrático, afirmou, em Bruxelas, que "quem ganhou as eleições foi o engenheiro Sócrates" e que este "tem toda a liberdade" para escolher o seu governo. É interessante verificarmos, nestes diversos ocasos ministeriais, as várias verdades la palissianas que, por norma, todos os ministros executam, principalmente aqueles que têm cartão de saída. Do mesmo modo, será igualmente curioso anotar os encómios de Sócrates a estes desadequados ministros. Pela minha parte, estou curioso relativamente a Maria de Lurdes Rodrigues, um dos algozes deste governo.

cavaco silva

Não será de todo desacertado afirmar que existe, no Presidente da República, uma tendência que configura uma certa inaptidão para a política. É certo que ele sempre se definiu como um não-político, apesar de se encontrar, há mais de vinte anos, no seu epicentro. Daí que Cavaco – o homem político – possa ser considerado um paradoxo. Vejamos: foi ele o primeiro político que alcançou uma maioria absoluta, chegando mesmo, depois da primeira, à segunda. Isto depois de um estranho partido da década de oitenta – o PRD –, abençoado por Ramalho Eanes, ter destituído, com uma moção de censura, o governo minoritário social-democrata, liderado precisamente pelo actual Presidente da República. Depois disso, foi ganhador absoluto das eleições presidenciais (dez anos passados da derrota com Jorge Sampaio na sua primeira tentativa presidencialista), muito por causa dum silêncio estratégico que delineou durante o consulado deste último, mas também (sobretudo?) por uma separação conflituosa entre uma esquerda que (dizem) é socialmente maioritária em Portugal.
Convém também lembrar que Cavaco Silva apareceu na política num célebre congresso do PSD, ocorrido na Figueira da Foz, quando, segundo o próprio, o objectivo primeiro na sua deslocação à cidade, era fazer a rodagem ao carro acabadinho de comprar. Começou, portanto, a desenhar-se o sebastiânico homem do leme. Obviamente que este episódio, pitoresco, ficou nos anais políticos como uma não-verdade. Seria lá possível um homem, estranhamente desconhecido, sem biografia (Soares dixit), arrecadar assim um partido do marasmo que vivia num bloco central sufocante, sofrendo ainda um complexo de orfandade devido à morte do seu fundador, Francisco Sá Carneiro. No entanto, por vezes o homem político encontra-se terminantemente condicionado pelos acontecimentos que não consegue dominar. E a rodagem ao seu Citroën foi, neste propósito, um acaso providencial e libertador para Cavaco que viu, sem contar, a sua moção ser aprovada e aclamada maioritariamente no congresso.
Cavaco Silva é, pois, um fenómeno político. Não é, todavia, caso único na política portuguesa. Lembro-me, assim de repente, de mais dois: Nuno Abecassis que conseguiu duas maiorias absolutas em Lisboa precisamente pelo partido menos representativo eleitoralmente no círculo da capital, o então CDS; e João Jardim, cujas alarvices discursivas conseguem conservá-lo intocável há já trinta e tal anos.
Por conseguinte, quando Cavaco Silva tenta reagir politicamente à adversidade é, por norma, desastrado. Os exemplos são muitos, mas observo apenas dois: quando se dirigiu ao país na questão da possível inconstitucionalidade do Estatuto dos Açores (cheio de razão, diga-se desde já) e agora no episódio que configurou o chamado caso das escutas a Belém, o qual determinou uma singularíssima e infeliz intromissão do presidente nas duas campanhas eleitorais, na legislativa directamente e, nas autárquicas, com uma consequente desvalorização das mesmas. O sentido de estado do nosso presidente – o que, por norma, é de todos os portugueses – deve ser, pois revisto. Por ele, ou pelos seus assessores.

ausência de cavaco silva no 5 de outubro

Há uma terrível e fatal ironia quando Cavaco Silva defendeu que não discursará no Terreiro do Paço para não ser acusado de interferência nas eleições autárquicas. Esqueceu-se, porém, que ao convocar aquela transmissão solene e acusatória ao país, em horário de abertura dos telejornais, relegou estas eleições para um plano secundaríssimo. É que ele sempre disse que falaria ao país depois das eleições. Referia-se, como se viu, às legislativas.

domingo, outubro 04, 2009

olimpiadas no rio

A propósito da recente aposta do Comité Olímpico Internacional em presentear o Brasil com a edição dos Jogos Olímpicos de 2016, um dos reponsáveis olímpicos cá do burgo, apressou-se de imediato a demonstrar o seu regozijo salientando que é sempre uma alegria que a língua portuguesa seja anfitriã da edição e que os laços entre os dois países facilitarão um intercâmbio de atletas, designadamente a possibilidade de estágios na cidade brasileira. Foi logo a primeira coisa que este senhor pensou: uns estagiozitos no Rio.

tratado de lisboa

Temos, finalmente, o Tratado de Lisboa aprovado. Durão Barroso, o nosso orgulhoso comissário, já se pronunciou, agradecendo o empenho dos irlandeses. Tenho uma proposta a fazer: simplesmente ir à negra: quem ganhar à melhor de dois é, definitivamente, o vencedor: o sim ou o não.

domingo, setembro 27, 2009

derrotas

Primeiras previsões de resultados: várias derrotas: PS, PSD e CDU. Vitórias: abstenção, CDS-PP e Bloco de Esquerda. Por tudo isto, não compreendo os festejos eufóricos do PS.

quarta-feira, setembro 23, 2009

boçalidades

Se olharmos para a maioria das campanhas eleitorais em curso, não vemos muito mais do que boçalidades. A última foi conduzida por José Junqueiro em Viseu, quando leu, de forma ignorante, um excerto de um discurso de Salazar em pleno projecto daquilo que se designou por Estado Novo. O que quis Junqueiro provar com isso? Para além da sua própria boçalidade, o que conseguiu demonstrar foi que quantos mais junqueiros aparecerem em público (e já apareceu, pelo menos, um outro, chamado João Soares, para além daqueles circunstanciais que se empolgam com a presença do chefe), mais próximo Manuela Ferreira Leite se encontra da vitória no domingo. Ela esteve, aliás, muito bem na resposta à estupidez de Junqueiro. Tudo isto, de certo modo, me amargura. Ainda para mais quando todos estas pessoas se encontram sentadas, como deputados da nação, nas cadeiras da Assembleia da República.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...