É com estas cimeiras G8 ou outros G's afins que me costumo interrogar sobre o que é realmente a União Europeia. Olho para a televisão e vejo um presidente da Comissão Europeia tristemente relegado para um extremo do grupo, mas que ainda tem uma aptidão de fundo que lhe permite esboçar um sorriso vaidoso sempre que um operador de câmara lhe direcciona o sinalzinho vermelho.
Olhando para estes encontros, haverá alguém que possa responder, com honestidade, à pergunta que titula este post?
quinta-feira, julho 09, 2009
quarta-feira, julho 08, 2009
manifestação dos estivadores
Uns senhores manifestaram-se hoje junto à Assembleia da República. São estivadores e temem pelos seus postos de trabalho. Não sei se são ou não apoiados pelos sindicatos. Se o são, também estes ficam muito mal na fotografia. É que quem assim protesta não tem razão. Se acaso a teve, já não a tem.
segunda-feira, julho 06, 2009
concurso de professores e a mentira
O que o secretário de estado da educação, o extraordinário Walter Lemos, afirmou hoje aos órgãos de comunicação social a respeito dos 30 mil professores que alegadamente foram colocados tem um nome: indecência. Na verdade, basta um olhar para as listas e facilmente se verifica que os professores que conseguiram um lugar em quadro de agrupamento (o novo quadro criado pelo ministério) não ultrapassam as cinco centenas. Daí que não perceba muito bem o destaque dado pelas televisões a esta mentira do secretário de estado.
o fenómeno ronaldo
Já houve outro fenómeno chamado Ronaldo, mas este nunca adquiriu uma projecção comunicacional tão afincada quanto o Ronaldo português. Este é, obviamente, um produto do marketing, o mesmo marketing que elaborou, por exemplo, o casal Beckam. Tive, no entanto, esperança que um dos telejornais portugueses não abrisse a edição com a notícia Ronaldo. Afinal, hoje dois polícias foram traiçoeiramente alvejados num bairro da Amadora, estando um deles entre a vida e a morte. Do mesmo modo, o Presidente da República vetou uma importante alteração à lei do Segredo de Estado, aprovada pelos dois principais partidos portugueses, na qual o chefe de Estado critica, primordialmente, a possibilidade da nova comissão parlamentar "poder determinar a desclassificação de quaisquer informações ou documentos sujeitos ao segredo de Estado". Era, pois, uma oportunidade magnífica de Portugal se afirmar pela ideia, pela razão, ao não abrir telejornais com a apresentação dum jogador de futebol, mesmo que esse seja português. Isso sim seria uma notícia que elevava o país. Mas esta minha utópica pretensão começou-se a desconstruir quando ouvi o extraordinário embaixador de Portugal em Espanha, realçando o seu orgulho e, também orgulhosamente, debitar uma quantidade enormíssima de imbecilidades, em que a última foi o de relevar que estaria, sim senhor, no Estádio Santiago de Barnabéu como - note-se - embaixador de Portugal. Penso que não é para isso que lhe pagamos e o Presidente da República teria aqui uma útil e pedagógica palavra a dizer.
O que na realidade me choca é a capacidade do ser humano para este tipo de coisas. A paixão é, de facto, impetuosa. Aquelas centenas de milhares de pessoas que esperaram horas a fio e que encheram as bancadas do estádio do Real Madrid são movidas pelo mesmo sentido de irracionalidade (ou, se quisermos, de fé) com que outras, em amplitudes diferentes, rastejam durante horas no chão frio e esmaltado do Santuário de Fátima. Pouco ou nada as distinguem, embora seja mais representada, na manifestação religiosa, uma componente introspectiva naturalmente maior e, portanto, mais profunda.
No caso de Cristiano Ronaldo, ninguém é capaz de parar para pensar numa coisa tão simples quanto isto: por que razão não somos nós, selecção de futebol, capaz de ganhar à Albânia e a outros países que não são duma primeira linha do futebol mundial? Ou estarmos com sérias hipóteses de não sermos apurados para o mundial de futebol? Onde cabe, nestas duas perguntas, o fenómeno Ronaldo? Ainda por cima não se pode dizer, com acontecia com Maradona, que a equipa é de segunda. Na verdade, Portugal tem, na selecção, jogadores que jogam nas principais equipas da Europa. Um jogador como o que foi hoje sumptuosamente apresentado no Santiago Bernabéu deveria ter qualidades suficientes para levar a selecção não só a ganhar a Malta, como também o campeonato do mundo de futebol. Mas eu presumo que sei por que razão isso não acontece. E volto, pois, ao princípio. Cristiano Ronaldo é o produto de um inteligente marketing desportivo, um boneco que se vende muito bem. E foi o boneco que o presidente do Real Madrid comprou, o jogador vem depois.
(publicado no jornal Público, em 10/07/09)
O que na realidade me choca é a capacidade do ser humano para este tipo de coisas. A paixão é, de facto, impetuosa. Aquelas centenas de milhares de pessoas que esperaram horas a fio e que encheram as bancadas do estádio do Real Madrid são movidas pelo mesmo sentido de irracionalidade (ou, se quisermos, de fé) com que outras, em amplitudes diferentes, rastejam durante horas no chão frio e esmaltado do Santuário de Fátima. Pouco ou nada as distinguem, embora seja mais representada, na manifestação religiosa, uma componente introspectiva naturalmente maior e, portanto, mais profunda.
No caso de Cristiano Ronaldo, ninguém é capaz de parar para pensar numa coisa tão simples quanto isto: por que razão não somos nós, selecção de futebol, capaz de ganhar à Albânia e a outros países que não são duma primeira linha do futebol mundial? Ou estarmos com sérias hipóteses de não sermos apurados para o mundial de futebol? Onde cabe, nestas duas perguntas, o fenómeno Ronaldo? Ainda por cima não se pode dizer, com acontecia com Maradona, que a equipa é de segunda. Na verdade, Portugal tem, na selecção, jogadores que jogam nas principais equipas da Europa. Um jogador como o que foi hoje sumptuosamente apresentado no Santiago Bernabéu deveria ter qualidades suficientes para levar a selecção não só a ganhar a Malta, como também o campeonato do mundo de futebol. Mas eu presumo que sei por que razão isso não acontece. E volto, pois, ao princípio. Cristiano Ronaldo é o produto de um inteligente marketing desportivo, um boneco que se vende muito bem. E foi o boneco que o presidente do Real Madrid comprou, o jogador vem depois.
(publicado no jornal Público, em 10/07/09)
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domingo, julho 05, 2009
apresentação de cristiano ronaldo
Amanhã, vamos ter directos na apresentação de Cristiano Ronaldo, suponho que em todas as televisões (mas já com a confirmação orgulhosa da RTP1), no Real Madrid. Quando é que, definitivamente, vamos colocar de lado a boçalidade, a estupidez, a imbecilidade que teima em grassar cada vez com mais fulgor nas nossa comunicação social?
candidaturas duplas
Ana Gomes, protagonista de uma dupla candidatura para as europeias e as autárquicas, vem agora dizer que acha que é uma decisão razoável, por parte do PS, a proibição de tal duplicidade. Acrescenta, no entanto, que a única razão que a leva a tomar esta atitude se deve à "especulação perfeitamente demagógica" que foi feita a propósito da sua candidatura e da candidatura de Elisa Ferreira, a qual perdeu, com a anuência de concorrer a deputada ao Parlamento Europeu, uma belíssima oportunidade de alcançar a vitória na câmara do Porto. Não se compreende, pois, que a deputada sobreponha, uma vez mais, a estratégia em vez das convicções. Por exemplo, Leonor Coutinho que, tal como Ana Gomes, protagoniza este tipo de aberração política, afirmou desde logo que não acredita que a decisão de proibir as duplas candidaturas melhore a democracia. Pelos vistos, Ana Gomes também não acredita, mas compreende. Compreende o quê, afinal?
sábado, julho 04, 2009
o que pode fazer um ex-ministro
Alcançou-se irresponsavelmente a convicção de que, em Portugal, melhor do que ser ministro é tornar-se um ex-ministro. No caso de Manuel Pinho, este matiz veio, mais uma vez, clarificadoramente, ao de cima. O comendador Berardo, glória do coleccionismo português, apelou, através das televisões, para que Manuel Pinho aceitasse o cargo de administrador da sua fundação. É um grande conhecedor de arte, afiançou Berardo. Pois... se o diz, é porque o deve, realmente, ser. No entanto, esqueceu-se de afirmar o seguinte: para além disso, é um ex-ministro. Nada de novo, tendo em conta a promiscuidade que existe há muito entre o Estado e outros empregos (são de empregos que se trata, mesmo que, eufemisticamente, esta palavra nunca seja abertamente exposta). Os nomes abundam e são transversais aos partidos do arco governativo: Joaquim Ferreira do Amaral, Dias Loureiro, Armando Vara, Fernando Gomes, Mexia, e muitos, muitos outros que até se dão ao luxo de acumular o lugar de deputado da nação com cargos nos sectores público e privado. Vitalino Canas, por exemplo, digno porta-voz do PS, entretanto despedido dessas funções, acumulava, carismaticamente, esse cargo com o de provedor das empresas de trabalho temporário. Foi até apelidado, por um jornal, de "rei na actividade de consultoria", pois eram (ou continuam a ser) cinco o número de consultadorias que aglomerava (ou aglomera). A tão convenientemente apregoada ética republicana merecia mais do que este tipo de conduta sôfrega por parte desta classe política. Na verdade, fazendo deste tipo de conduta o estado normal da nação, tudo se vira de pernas para o ar, tendo em conta que a política, no seu postulado mais merecedor, deve personificar o mais exemplar desapego pessoal a determinados tipos de cargos. Dito de outro modo, os políticos devem orgulhosamente servir o país e não servirem-se deste para proveito próprio. Por isso é que nunca entendi, por exemplo, a fuga de Durão Barroso para Bruxelas, ou até mesmo a troca de António Costa de Ministro da Administração Interna para candidato (e certíssimo ganhador de eleições) a Presidente da Câmara de Lisboa.
Um outro ponto que gostaria de alinhavar a respeito da demissão de Manuel Pinho, tem a ver com a rapidez com que José Sócrates decretou a sua substituição (e também, valha a verdade, a sua demissão). Uma vez mais, estão, a meu ver, equivocados a maioria dos comentadores encartados das televisões e jornais. Faz-me lembrar o que li um dia da pena de António Barreto a respeito duma qualquer maratona de ministros que entrou até altas horas da madrugada. Dizia então o sociólogo que não quer ministros que decidam assim, cansados e com sono. Seria, pois, preferível que se deitassem cedo e, depois de uma noite repousante, retomassem, porventura com ideias clarificadas, a reunião. De facto, com esta decisão relâmpago do primeiro-ministro, passa-se mais ou menos o mesmo. Para quê a pressa? Acaso demonstrou alguma capacidade de resolução (sei que muitos se apressaram a enaltecer o regresso do velho Sócrates, aquele que não tem medo, o que, porventura, até seria essa a ideia que o próprio desejava)? Pelo contrário, José Sócrates provou que é um líder em contra-ciclo e que só uma espécie de milagre o poderá levar, de novo, a uma vitória nas duas eleições que se aproximam. Na realidade, Sócrates revelaria maior sapiência se adiasse a decisão da demissão do ministro – e, principalmente, a sua substituição –, para depois de uma reunião com os seus conselheiros. É para isso que eles servem, não é?
Um outro ponto que gostaria de alinhavar a respeito da demissão de Manuel Pinho, tem a ver com a rapidez com que José Sócrates decretou a sua substituição (e também, valha a verdade, a sua demissão). Uma vez mais, estão, a meu ver, equivocados a maioria dos comentadores encartados das televisões e jornais. Faz-me lembrar o que li um dia da pena de António Barreto a respeito duma qualquer maratona de ministros que entrou até altas horas da madrugada. Dizia então o sociólogo que não quer ministros que decidam assim, cansados e com sono. Seria, pois, preferível que se deitassem cedo e, depois de uma noite repousante, retomassem, porventura com ideias clarificadas, a reunião. De facto, com esta decisão relâmpago do primeiro-ministro, passa-se mais ou menos o mesmo. Para quê a pressa? Acaso demonstrou alguma capacidade de resolução (sei que muitos se apressaram a enaltecer o regresso do velho Sócrates, aquele que não tem medo, o que, porventura, até seria essa a ideia que o próprio desejava)? Pelo contrário, José Sócrates provou que é um líder em contra-ciclo e que só uma espécie de milagre o poderá levar, de novo, a uma vitória nas duas eleições que se aproximam. Na realidade, Sócrates revelaria maior sapiência se adiasse a decisão da demissão do ministro – e, principalmente, a sua substituição –, para depois de uma reunião com os seus conselheiros. É para isso que eles servem, não é?
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