segunda-feira, junho 29, 2009
um jogo de futebol
O jogo entre as equipas de júniores do Sporting e do Benfica acabou à batatada por causa de alguns adeptos imbecis de ambas as equipas. Posto isto, nem sei por que é que ainda se discute sobre a possibilidade de repetir o jogo.
domingo, junho 28, 2009
sir
O sir Elton John vai dar um concerto em Lisboa. Penso que o sir já teve um espectáculo marcado, há meia dúzia de anos, no Casino Estoril. Na altura, não apareceu e não deu cavaco a ninguém (as atribuições honoríficas, no Reino Unido, andam, como cá, pelas ruas da amargura...). Não é preciso dizer mais, nada, pois não?
marcação de eleições
Concordo veementemente com a opinião de António Barreto expressa hoje no Público, a respeito da demagogia política reinante em torno dum acto quase administrativo e burocrático: a marcação de eleições. Na realidade, esta gente trata os eleitores como se fossem idiotas, através de mirabolantes cálculos, nos quais esboçam e desenvolvem as mais controversas conclusões sobre o simplíssimo acto de apontar uma data no calendário, ainda para mais quando se trata dum período de tempo objectivamente delineado. Tenho visto, na televisão, reportagens sobre o mundo animal em que outros primatas conseguem fazer esse trabalho.
É por estas e por outras que, de vez em quando, esses mesmos senhores da política (incluo aqui os habituais comentadores encartados e jornalistas) se surpreendem com a visão pós-eleitoral do povo português.
É por estas e por outras que, de vez em quando, esses mesmos senhores da política (incluo aqui os habituais comentadores encartados e jornalistas) se surpreendem com a visão pós-eleitoral do povo português.
leite português
Um claro sinal de desnorte político: o desautorizadíssimo ministro da agricultura, Jaime Silva, apelou, hoje, com um sorrriso tremeleado no rosto, ao consumo do leite português.
sábado, junho 27, 2009
fracos argumentos
Um dos pontos em que este governo pecou, ao longo da legislatura, foi o de ter subestimado o povo português. É verdade que se nota, cada vez com maior veemência, a espiral de deriva que José Sócrates encarna, desde que sofreu, surpreendentemente para ele (e não para o seu ministro da cultura) uma pesada derrota nas eleições europeias. Os recuos, através duma dolorosa e eventual postura de humildade, são muitos, e vão desde as obras públicas até à educação. Fortes apostas duma legislatura, portanto.
No entanto, o que para mim tem constituído uma ameaça à inteligência dos portugueses tem a ver com o argumentário utilizado para justificar alguns projectos. Na educação, por exemplo, a máscara da inevitabilidade intransigente das supostas reformas têm sido, agora, completamente desmascaradas cada vez que ouvimos a ministra da educação, claramente em final de carreira política. Ainda bem.
Do mesmo modo, nas obras públicas, os argumentos apresentados são, muitas vezes, hilariantes. Neste sentido, todos nos recordamos do "jamais" ministerial de Mário Lino, a respeito do deserto que, na cabeça dele, representa o sul de Lisboa. É outra personagem em fim de ciclo, como ele próprio, aliás, já se adiantou, afirmando que está velho para ser ministro (!). A auto-estrada para Bragança, proclamada por José Sócrates no mesmo tom de Mário Lino como a auto-estrada da justiça, é fundamentada no seguinte: alguém compreenderá que Bragança seja o único distrito do país sem auto-estrada? (José Sócrates dixit). Outros afirmam que esta obra, com um dos maiores (se não o maior) túneis rodoviários da Europa, constitui um factor de coesão social no país. Pois eu creio mais que esta auto-estrada – desadequada tendo em conta o alcance prioritário doutras oportunidades de intervenção estatal na região e do próprio fluxo de trânsito da IP4 – contribuiu para uma outra espécie de coesão, neste caso de vaidades. É por isso que não há um único presidente da Câmara do eixo Amarante-Bragança que incorpore negativamente esta obra. Só de imaginar que podem ir a Lisboa mais vezes, encostados a um qualquer banco traseiro de um carro de alta cilindrada, como fazem os seus congéneres de outros eixos rodoviários... De facto, custa verificar que ninguém reclama outros tipos de obras como, por exemplo, o melhoramento do IP4 e de outras estradas secundárias, as quais ligam o interior de Trás-os-Montes (continua a ser melhor alternativa atravessar a fronteira para chegar a Miranda do Douro, por exemplo), ou a aposta importantíssima nas vilas e cidades da região, através duma intervenção de renovação/restauração que deveria ser premente. Nada é mais importante, para estes autarcas, do que uma auto-estrada. Não aprendem, pois, nada.
Um outro exemplo que tem a ver com a debilidade argumentativa do governo diz respeito ao recente assomo de negócio com a Prisa, através da compra de 30% da Media Capital pela Portugal Telecom, empresa esta onde o Estado tem uma forte implementação negocial com as acções especiais que constituem a golden share (que lhe confere, por exemplo, poder de veto). Partindo do pressuposto que esta intervenção negocial do Estado constituía um bom negócio, é estranho que agora José Sócrates diga o seguinte: "o Governo não quer que haja a mínima suspeita de que a compra de parte da TVI se destina à alteração da sua linha editorial". Na verdade, o primeiro-ministro não podia ser mais claro. É que se a orientação de qualquer governo democrático fosse esta, não haveria, por certo, intervenção estatal que aguentasse a pressão de qualquer partido da oposição, o qual tem é que evidenciar, no Parlamento – sede própria por excelência do combate político –, este tipo de incongruências e de suspeitas.
Vêm a propósito o verso de Camões: “um fraco rei faz fraca a forte gente”.
(publicado no jornal Público, em 01/07/2009)
No entanto, o que para mim tem constituído uma ameaça à inteligência dos portugueses tem a ver com o argumentário utilizado para justificar alguns projectos. Na educação, por exemplo, a máscara da inevitabilidade intransigente das supostas reformas têm sido, agora, completamente desmascaradas cada vez que ouvimos a ministra da educação, claramente em final de carreira política. Ainda bem.
Do mesmo modo, nas obras públicas, os argumentos apresentados são, muitas vezes, hilariantes. Neste sentido, todos nos recordamos do "jamais" ministerial de Mário Lino, a respeito do deserto que, na cabeça dele, representa o sul de Lisboa. É outra personagem em fim de ciclo, como ele próprio, aliás, já se adiantou, afirmando que está velho para ser ministro (!). A auto-estrada para Bragança, proclamada por José Sócrates no mesmo tom de Mário Lino como a auto-estrada da justiça, é fundamentada no seguinte: alguém compreenderá que Bragança seja o único distrito do país sem auto-estrada? (José Sócrates dixit). Outros afirmam que esta obra, com um dos maiores (se não o maior) túneis rodoviários da Europa, constitui um factor de coesão social no país. Pois eu creio mais que esta auto-estrada – desadequada tendo em conta o alcance prioritário doutras oportunidades de intervenção estatal na região e do próprio fluxo de trânsito da IP4 – contribuiu para uma outra espécie de coesão, neste caso de vaidades. É por isso que não há um único presidente da Câmara do eixo Amarante-Bragança que incorpore negativamente esta obra. Só de imaginar que podem ir a Lisboa mais vezes, encostados a um qualquer banco traseiro de um carro de alta cilindrada, como fazem os seus congéneres de outros eixos rodoviários... De facto, custa verificar que ninguém reclama outros tipos de obras como, por exemplo, o melhoramento do IP4 e de outras estradas secundárias, as quais ligam o interior de Trás-os-Montes (continua a ser melhor alternativa atravessar a fronteira para chegar a Miranda do Douro, por exemplo), ou a aposta importantíssima nas vilas e cidades da região, através duma intervenção de renovação/restauração que deveria ser premente. Nada é mais importante, para estes autarcas, do que uma auto-estrada. Não aprendem, pois, nada.
Um outro exemplo que tem a ver com a debilidade argumentativa do governo diz respeito ao recente assomo de negócio com a Prisa, através da compra de 30% da Media Capital pela Portugal Telecom, empresa esta onde o Estado tem uma forte implementação negocial com as acções especiais que constituem a golden share (que lhe confere, por exemplo, poder de veto). Partindo do pressuposto que esta intervenção negocial do Estado constituía um bom negócio, é estranho que agora José Sócrates diga o seguinte: "o Governo não quer que haja a mínima suspeita de que a compra de parte da TVI se destina à alteração da sua linha editorial". Na verdade, o primeiro-ministro não podia ser mais claro. É que se a orientação de qualquer governo democrático fosse esta, não haveria, por certo, intervenção estatal que aguentasse a pressão de qualquer partido da oposição, o qual tem é que evidenciar, no Parlamento – sede própria por excelência do combate político –, este tipo de incongruências e de suspeitas.
Vêm a propósito o verso de Camões: “um fraco rei faz fraca a forte gente”.
(publicado no jornal Público, em 01/07/2009)
quinta-feira, junho 25, 2009
PT negócios
O sr. Zeinal Bava, presidente executivo da Portugal Telecom, parece que está a vender o MEO à Judite de Sousa, em pleno "Especial Informação". É desenvolto a falar, fala em ética e transparência, mas responde sempre ao lado das questões.
o segundo pior rendimento per capita
De vez em quando, lá nos aparecem assim, cruamente, à nossa frente, notícias destas. Desta vez foi através da própria União Europeia, num indicador que tem por objectivo medir o nível de riqueza por habitante, ajustando os níveis de poder de compra em cada país. Assim, em 2008, conseguimos ficar à frente da Eslováquia no que ao rendimento per capita diz respeito, isto é, fomos os segundos a contar do fim, com 75 % da média da União. Do lado oposto, aparece o Luxemburgo e a Irlanda, com 253% e 140%, respectivamente.
Mas o que é isso quando se tem o melhor jogador do mundo e o melhor treinador do mundo de futebol? E quando se vai ter o maior túnel rodoviário da Europa? E quando se tem uma média muito superior à União Europeia em auto-estradas? E quando se possui uns estádios de futebol dos melhores que se vêem nessa Europa? Rendimento per capita? Ponham a Irlanda ou o Luxemburgo a dar uns pontapés na bola com Portugal dos ronaldos e mourinhos e vão ver onde vai parar essa coisa do per capita.
Mas o que é isso quando se tem o melhor jogador do mundo e o melhor treinador do mundo de futebol? E quando se vai ter o maior túnel rodoviário da Europa? E quando se tem uma média muito superior à União Europeia em auto-estradas? E quando se possui uns estádios de futebol dos melhores que se vêem nessa Europa? Rendimento per capita? Ponham a Irlanda ou o Luxemburgo a dar uns pontapés na bola com Portugal dos ronaldos e mourinhos e vão ver onde vai parar essa coisa do per capita.
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