quinta-feira, maio 21, 2009
figo a presidente
O título do primeiro e último post relativamente a este assunto terminava com um ponto de interrogação. Decidi copiá-lo, mas agora retirando a sempre expansiva retórica interrogativa. Tudo porque me pareceu conveniente quando ouvi Madaíl referir que Luís Figo tem perfil para presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Esta gente não é, definitivamente, muito dada à aprendizagem. E, para além disso, não consegue perceber que uma opinião deste tipo (Madaíl manifestou mesmo um eventual apoio a uma candidatura do jogador) é um tanto obscena, na medida em que é suposto vivermos num tempo de clarividência total, sem subterfúgios amigalhaços deste tipo. Dito de outra maneira: não se pode andar por aí a distribuir tachos. Nem às claras, nem às escuras. De uma vez por todas, isto deve acabar na sociedade portuguesa. Se Figo quiser concorrer ao que quer que seja, pois então que concorra. Madaíl tem a tão simples obrigação de estar calado. Que é, bem vistas as coisas, quando se ouve qualitativamente melhor.
o ponto de viragem
É uma tentação. Ainda para mais quando se aproximam eleições. Já Santana Lopes caiu nela, tal como o ministro Pinho e outros antes destes. Agora, foi a vez de Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças, não resistir. Declarou que estamos num ponto de viragem. Da crise, entenda-se. O que esta gente não alcança, definitivamente, entender é que a crise, muito mais que meros indicativos numéricos, tem a ver com outro género de realidades. Assim, no mesmo dia em que o Ministro das Finanças afiançava o ponto de viragem, na Autoeuropa pairava a sombra da deslocalização e da não renovação de mais de duzentos contratos a prazo. O mesmo se passa com o avolumar do número de desempregados (e dos trabalhadores precários) que todos os dias teimam em contrariar qualquer efémera esperança de um nivelamento socio-profissional. A crise é muito mais do que números. Foi assim que Guterres ganhou umas legislativas. As pessoas não são números, lembram-se?
(publicado no Público,em 26/05/2009)
(publicado no Público,em 26/05/2009)
quarta-feira, maio 20, 2009
o descrédito político
Sabemos todos que o descrédito em relação à política tem vindo a crescer cada ano que passa. Na verdade, podemos agrupar, socialmente, teorias várias. No entanto, não devemos colocar de lado os políticos e a própria política que se auto-alimenta através de uma legislação pronto-a-vestir. O exemplo das pseudocandidaturas de Elisa Ferreira, Ana Gomes (e Edite Estrela?) ao Parlamento Europeu e a autarquias pode ser considerado um paradigma deste descrédito. Como é possível que haja um valimento legal numa situação em que duas pessoas se candidatam a dois lugares distintos? Situações destas deveriam ser, pura e simplesmente proibidas por lei. Por uma questão de decência. Um outro exemplo deste calibre aconteceu quando António Costa saiu de ministro da Administração Interna para se candidatar ao convincente cargo de presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Toda a gente achou normal que um ministro de Portugal se afastasse do seu cargo (que jurou cumprir), a mando do seu partido, para ocupar um determinado lugar afastado da esfera ministerial. Se existe exemplo em que partido e governo se embrenham numa aleivosa condição política, este é, sem dúvida, um deles. Ora, são situações deste tipo - que são comuns a todos os partidos - que urgem expungir. Estou em crer que estas situações farão parte, um dia, de indignos episódios da história política e social do nosso país. Resta-nos a triste e decadente consolação que servirão, porventura, de objecto de estudo da ciência social e política.
terça-feira, maio 19, 2009
eleições no Porto
Elisa Ferreira passou o seu próprio atestado de derrota ao aceitar emprestar levianamente o seu nome a duas listas electivas: a do Parlamento Europeu e como candidata a Presidente da Câmara Municipal do Porto. Ouvi agora Rui Rio, cujo argumentário (já eleitoral), do ponto de vista político e ético, faz todo o sentido. Ninguém pode estar de boa fé em duas candidaturas tão díspares.
a suspensão da professora
Independentemente do desastre que foi a intervenção da professora naquela sala de aula, numa turma do terceiro ciclo, faz-me impressão a rapidez da suspensão, deliberada pela Direcção Regional de Educação do Norte. Afinal, está um processo a decorrer (ou ainda nem se iniciou). Revela-se-me claro que uma situação destas foi, para o ministério, uma espécie de oferenda antecipada, num ano lectivo especialmente conturbado (o mais pequenino adjectivo que consigo esconjurar). No fundo, trata-se da continuação de um clima de intimidação que tão bem tem resultado nas escolas deste paradoxal país.
segunda-feira, maio 18, 2009
figo a presidente?
Este tipo de doseamento excessivo em torno do futebol faz com que, por exemplo, Luís Figo, segundos após de dar por terminada uma brilhante carreira como futebolista, se aventure, ainda que de forma hipotética, a declarar o seu interesse pelo cargo de presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Não é propriamente que esteja em causa a legitimidade de Figo. O que em parece altamente criticável é a infantilização disto tudo, de quem - como quase todos os craques do futebol - está habituado a ver, de forma terceiro-mundista, o mundo a seus pés.
intrujices na política
E por falar em intrujices (ver post anterior), os deputado britânicos deram uma grande ajuda para consolidar o descrédito que se vive com a política na Europa. Como se sabe, o caso é semelhante às famosas viagens fantasmas dos nossos deputados. O que se me revela extraordinário é que, quando se pede, por exemplo, a suspensão de funções do presidente do Eurojust, Lopes da Mota, por estar a ser alvo de um processo disciplinar (e muitos destes puristas acusadores são "deputados fantasmas"), nunca se ter aventado a substituição destes representantes da nação que andaram, durante anos, em lamentáveis intrujices.
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