domingo, maio 17, 2009

o problema das listas para vital moreira

Vital Moreira, o cabeça de lista do PS às eleições europeias, anda um bocado destrambelhado com a problemática quase existencial das listas. Ouvindo-o proclamar que os restantes partidos têm listas fantasmas (pois só se conhecem os cabeças de lista, segundo ele) é caricato. Que eu saiba, o que se encontra mais próximo de uma visão fantasmagórica é a própria lista que ele representa, apesar da "eminência" das personalidades que a compõem. De facto, estar no parlamento europeu e concorrer a uma câmara municipal não é, de facto, para qualquer um. Neste sentido, não basta, como pendor justificativo, o enquadramento legal da coisa. Para mim, mais importante do que formalismos legitimistas, é a paixão, no sentido de uma verdadeira querença. É que eu sou dos que pensam que a política é também feita com paixão, com vontade, com o desejo de uma afirmação de valores. Por isso, colocar ao mesmo nível do combate político um lugar de deputado europeu e a presidência de uma câmara municipal é uma verdadeira intrujice.

as provas de aferição

O que se pretende com

Primeira parte:
"Leia em voz alta:
'Agora vou distribuir as provas. Deixem as provas com as capas para baixo'; 'Podem voltar as provas. Escrevam o vosso nome no espaço destinado ao nome'; 'Querem perguntar alguma coisa?'" "Desloque-se pela sala, com frequência", "Rubrique o enunciado no local reservado para o efeito"."Leia em voz alta: 'Ainda têm 15 minutos'; 'Acabou o tempo'. 'Estejam à porta da sala às 11h e 20 minutos em ponto'. 'Podem sair'".
Segunda parte:
"Leia em voz alta o seguinte:
'Agora vão iniciar a segunda parte da prova. Podem começar. Bom trabalho!'""Recolha as provas e os rascunhos". "Mande sair os alunos, lendo em voz alta: 'Podem sair. Obrigado pela vossa colaboração!'"

não é mais do que criar, nas escolas, um clima de medo e, na cabeça dos professores, uma envolvência neurasténica, a qual tem sido, aliás, cultivada ao longo do ano lectivo. É perfeitamente ridículo as normas que obrigam, extremadamente, os professores a este papelucho.

rtp-um dia em cheio

Foi um dia grande para a Rádio Televisão Portuguesa! Um dia de outros tempos. Fátima e futebol; Fátima e Benfica. Dois directos. Um notável serviço público!

sábado, maio 16, 2009

uma mudança, outra estratégia

Basta andar pelos centros e arredores das cidades portuguesas para notar que existe uma verdadeira degradação em desenvolvimento. É lamentável que isto aconteça, ainda para mais quando é Portugal um país que recebe muita gente de fora, muitos turistas, que se revelam de uma enormíssima importância para o equilíbrio das nossas finanças públicas. Daí que não compreenda que o actual Governo (todos os governos) não aposte num outro paradigma de desenvolvimento, o qual deveria passar por uma verdadeira ecologia urbana, para que as cidades e os seus arredores se convertam em lugares aprazíveis para viver, passear e passar férias. Mas é o oposto que acontece. Portugal sofre, desde há décadas, de uma atordoante insensibilidade urbanística. Dou um exemplo: a azulejaria. Com efeito, se existe uma marca estética que nos distingue dos outros países, o azulejo é, indubitavelmente, uma delas. É verdade que o azulejo foi utilizado em diversos países. No entanto, foi em Portugal que assumiu uma importância artística fundamental, não só por causa da sua longevidade (sem interrupções desde o século XV), mas também pela originalidade do seu uso, nomeadamente quando empregue como elemento estruturante da arquitectura. Acaso haverá países com um tão rico património arquitectónico em azulejaria? Não creio. A diferença é que a maior parte dos países da Europa, onde oficialmente nos inserimos (apesar de nos perturbar, por vezes, a assunção das nossas diferenças) não abdicam, no que às cidades diz respeito, do valor arquitectónico das suas casas. Nós não. Começámos por achar que os azulejos eram coisas dos emigrantes, que ostentavam cá dentro o que não faziam lá fora, esquecendo que o que estava realmente em causa se resumia ao sentido estético de cada um. Depois, foi o desbaratamento perverso de um património riquíssimo. Por isso, o azulejo está, hoje, praticamente esquecido nas nossas construções. As cidades revelam-se, assim, um espelho do que somos: um povo demasiado volátil e inseguro. Por isso, é urgente confluir, no âmbito programático do próximo governo que sair das legislativas, num novo paradigma de intervenção sobre e para Portugal. Em nome de todos nós, em nome também das gerações futuras.

(publicado no jornal Público, em 22/05/2009)

os 50 anos do cristo rei

A cobertura da RTP sobre os 50 anos do Cristo-Rei é revelador dos resquícios salazaristas que se mantêm na sociedade portuguesa. Ouvir os comentadores (Marcelo Rebelo de Sousa, um padre que não me recordo agora do nome) e, principalmente, a apresentadora da emissão, Fátima Campos Ferreira é, por vezes hilariante. Não ouvi o discurso ecuménico do Cardeal Policarpo, mas estou em crer que foi menos papista do que estes três.

sexta-feira, maio 15, 2009

alegre não sai

Alegre não sai, afinal, do Partido Socialista. "Ajudei a fazer este partido", afirma ele, pacatamente orgulhoso. Ora, a leitura que se deve fazer é diferente. Alegre vai ser o próximo candidato presidencial contra Cavaco Silva. Possivelmente, vencerá mesmo as eleições. Estando fora do PS, transforma-se num verdadeiro pré-presidente. Não entregou o cartão, é certo, mas sabe que só assim, com a não-aceitação do convite de Sócrates (que veio mesmo a calhar), se colocará como um conglomerador de vontades, mesmo que contraditórias entre si.

quinta-feira, maio 14, 2009

a visita do papa a israel

Desta vez, Bento XVI parece ter acertado do ponto de vista discursivo. Sem gafes e com coragem, o Papa tem realizado, sob o ponto de vista ecuménico e social (e político), uma excelente visita a um território que teima em abdicar da paz. É precisamente neste difícil campo da religião, onde se cruzam diversas espiritualidades faccionadas e fundamentalistas, que o chefe máximo de uma igreja pode contribuir, de modo decidido, para o apaziguamento do território. Neste sentido, nunca é de mais notar a claridade de Bento XVI: insurgiu-se contra o muro que divide Israel da Palestina e a favor dum estado palestiniano independente.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...