Ouvi, aquiescente, outro dia na rádio Pedro Rolo Duarte falar sobre o Vasco Granja a propósito da sua competência como comunicador de televisão. Na verdade, Vasco Granja faz parte de uma sólida galeria de apresentadores televisivos que já desapareceram (três ou quatro irreflectidos nomes: Vitorino Nemésio, João Villaret, Sousa Veloso). E o que une, afinal, estes homens e mulheres que marcaram a história da televisão em Portugal? Acaso eles teriam hoje alguma hipótese em qualquer casting para emprego, tendo aos seus lados a excelência da comunicação televisiva actual (o itálico é totalitariamente irónico)? Não, não teriam. Seriam simplesmente esmagados pela concorrência, pois não possuíam o marketing comunicativo que faz parte integrante de qualquer aspirante a apresentador.
Vivemos, pois, uma época da plastificação, a qual se ramifica nos mais variados sectores da sociedade. A política, evidentemente, não foge a esta regra inexorável.
sábado, maio 09, 2009
futebol e televisão
Num tempo não muito distante, as três últimas jornadas do campeonato de futebol jogavam-se, obrigatoriamente, à mesma hora e no mesmo dia, com todas as equipas que disputavam lugares entre si. Pelos, vistos, já nem isso acontece neste mundo do futebol televisivo.
a meningite em áfrica e a gripe A
O vírus da gripe A matou já 49 pessoas em todo o mundo. A meningite, no continente africano, já provocou a morte de mais de 1000 pessoas. Acontece que, em África, a morte anda de braço dado com a vida, muito mais que no resto do mundo. Acontece também que a gripe A apareceu no México, onde milhares de turistas costumam, neste período, organizar as suas férias. Em África, as férias não são paraísos. Na Nigéria, estão diagnosticadas cerca de 17000 pessoas que contraíram a doença, muitas delas crianças que não chegarão a adultos. Aqui, o paraíso chama-se sofrimento. E poucos há que se importam.
a crise e o bairro da bela vista
Sei que a tensão social é grande e a crise tem costas largas. Sei também que vivemos uma época difícil, a qual, sublinhe-se desde já, não é de agora. Na verdade, entrámos no novo milénio com um conjunto de excluídos e pobres perfeitamente desadequados para uma sociedade que se quer evoluída. A título de exemplo, e de acordo com o professor Bruto da Costa (2008), 46% dos portugueses passaram pela pobreza entre 1995 e 2000. Do mesmo modo, muitos destes pobres viveram, neste quinquénio, situações de privação extremadas. Podemos observar este facto quando nos deparamos com as elevadas percentagens de agregados familiares sem condições habitacionais condignas (cozinha, banho, água corrente, aquecimento, mau estado de conservação, humidade nas paredes, janelas e chão apodrecido…). Curiosamente, o estudo de Bruto da Costa revela, neste campo da habitação, que mesmo entre os denominados “nunca pobres”, 50% não possuíam (e não se vislumbra que a sua situação se alterasse) uma casa adequadamente aquecida (uma boa explicação para a quantidade de pessoas que perambula nos centros comerciais) e 25% acusavam humidades nas paredes de casas.
Somos, pois, um povo habituado a viver em crise. Estivemos perto de uma bancarrota na década de 80 (o que originou um bom governo do chamado Bloco Central, liderado por um bom primeiro-ministro – facto injustamente esquecido – que se chama Mário Soares) e, daí para cá, fomos evoluindo para uma sociedade cada vez mais desigual, onde os ricos se tornaram cada vez mais ricos e os pobres se afundaram cada vez mais nos seus desafortunados quotidianos. Por isso é que, vencida a crise, é imperioso que se extingam, de forma clara, todas estas desvirtudes.
Porém, em tempo de campanha eleitoral, os partidos políticos tendem a optar por uma linha discursiva que vá ao encontro daquilo que o seu eleitorado espera ouvir. Foi o que aconteceu, há dias, com o PCP. Com efeito, justificar com a crise social que se vive os acontecimentos que abalaram o problemático bairro da Bela Vista, em Setúbal, onde grupos de bandos armados desatam aos tiros, é de uma enorme irresponsabilidade. Por muito de esquerda que se queira parecer, como acontece com Jerónimo de Sousa e o PCP, este procedimento não tem, infelizmente, uma resposta adequada do ponto de vista social ("não pensem que resolvem isto com batalhões de polícias", aferiu o líder do PCP). Pelo contrário (e também infelizmente), este tipo de comportamentos só se pode enquadrar no âmbito da criminalidade. E, quando assim é, a resposta policial não pode ser desigual. No bairro da Bela Vista vivem pessoas que merecem todo o nosso respeito. E estou propenso a crer que são precisamente estas pessoas que se levantam todas as manhãs para irem trabalhar e que levam os filhos às escolas que desejam, por parte da polícia, uma verdadeira protecção.
O protesto social é outra coisa.
Somos, pois, um povo habituado a viver em crise. Estivemos perto de uma bancarrota na década de 80 (o que originou um bom governo do chamado Bloco Central, liderado por um bom primeiro-ministro – facto injustamente esquecido – que se chama Mário Soares) e, daí para cá, fomos evoluindo para uma sociedade cada vez mais desigual, onde os ricos se tornaram cada vez mais ricos e os pobres se afundaram cada vez mais nos seus desafortunados quotidianos. Por isso é que, vencida a crise, é imperioso que se extingam, de forma clara, todas estas desvirtudes.
Porém, em tempo de campanha eleitoral, os partidos políticos tendem a optar por uma linha discursiva que vá ao encontro daquilo que o seu eleitorado espera ouvir. Foi o que aconteceu, há dias, com o PCP. Com efeito, justificar com a crise social que se vive os acontecimentos que abalaram o problemático bairro da Bela Vista, em Setúbal, onde grupos de bandos armados desatam aos tiros, é de uma enorme irresponsabilidade. Por muito de esquerda que se queira parecer, como acontece com Jerónimo de Sousa e o PCP, este procedimento não tem, infelizmente, uma resposta adequada do ponto de vista social ("não pensem que resolvem isto com batalhões de polícias", aferiu o líder do PCP). Pelo contrário (e também infelizmente), este tipo de comportamentos só se pode enquadrar no âmbito da criminalidade. E, quando assim é, a resposta policial não pode ser desigual. No bairro da Bela Vista vivem pessoas que merecem todo o nosso respeito. E estou propenso a crer que são precisamente estas pessoas que se levantam todas as manhãs para irem trabalhar e que levam os filhos às escolas que desejam, por parte da polícia, uma verdadeira protecção.
O protesto social é outra coisa.
quarta-feira, maio 06, 2009
o secretário de estado, os comunistas e a manifestação
O sr. Walter Lemos, secretário de estado da educação, não arranjou melhor maneira para contestar a manifestação dos professores agendada para o final do mês, do que afirmar que os sindicatos estão feitos com o Partido Comunista. Já não há mesmo palavras para comentar a tontice. No caso deste secretário de estado, começa a ser mesmo muito preocupante.
O que fará este senhor na vida?
O que fará este senhor na vida?
a nossa televisão pública
Um jornalista da RTP, chamado Luís Baila, andou, no final do jogo entre o Arsenal e o Manchester, a chatear meio mundo por causa da "portentosa" exibição do "melhor jogador do mundo". Coloco aspas porque são expressões do Luís Baila, que as repetiu, ad nauseam, na peça que os variados telejornais da estação transmitiram entre ontem e hoje. Falando sério: é tempo da estação pública de televisão parar com esta semeação de provincianismo. As perguntas exibidas na televisão ao treinador do clube inglês, ao próprio Ronaldo e a um outro jogador (da equipa perdedora) deveriam envergonhar este serviço público de televisão.
terça-feira, maio 05, 2009
as desculpas do pcp
Por que raio deveria o PCP pedir desculpas ao PS relativamente ao que aconteceu no 1º de Maio? Acaso eram militantes do PCP os injuriadores? E desde quando é que uma iniciativa comemorativa da CGTP se espelha como uma actividade do PCP? Quem, afinal, se quer aproveitar deste incidente?
Basta ouvir o Vital e o Vitalino (Canas) para descobrirmos a resposta.
Basta ouvir o Vital e o Vitalino (Canas) para descobrirmos a resposta.
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