domingo, março 22, 2009
um jogo de futebol
É verdadeira e patologicamente extraordinário, tendo como ponto de partida o grau de sanidade mental de um povo, o que um jogo de futebol representa para essa mesma grande massa populacional. Vi agora uma coisa extraordinária, que deveria envergonhar a estação de televisão SIC. Refiro-me à abertura do Telejornal da estação com uma entrevista com o árbitro que apitou o jogo da final da taça da liga. Como se não bastasse os comentários paranóicos dos dirigentes, jogadores e treinadores (o presidente do Sporting chegou mesmo a afirmar que nunca mais falava com o Lucílio Batista), a mediocridade grassa também nas televisões. E digo televisões porque tenho a certeza que tanto TVI como a RTP se portariam do mesmo modo, se tivessem sido eles a passar o directo do jogo. Nisto tudo, ninguém consegue ver o óbvio: tão grave como a marcação pelo árbitro do jogo de um não penalti é a não marcação de um penalti por um jogador. E eu vi, no final, uma série deles falhados.
sexta-feira, março 20, 2009
o anúncio
Tenho andado meio distraído e não conhecia o anúncio que o grupo RTP dispôs aos ouvintes da Antena 1. Não pude deixar de pensar no seguinte: se alguém procura indícios do que pode representar a ausência de qualquer sentido de decoro que uma maioria transfigurada estimula (consciente ou inconscientemente) na cabeça de alguns yes men do regime, que são sistematicamente espalhados no mundo público empresarial, tem aqui um belíssimo exemplo. Na verdade, basta olharmos para o anúncio para resumir a necedade da coisa. É grave e um regime democrático normal só tem um caminho a seguir: exigir responsabilidades e demissões.
sábado, março 14, 2009
o partido do arco governativo
A expressão que titula este post é de Paulo Portas. Costuma, pois, o líder do CDS-PP afirmar, eloquentemente, que o seu partido é um dos três partidos com assento parlamentar que se posiciona no arco do poder, isto é, um dos que têm uma vocação peculiar para gerir os destinos do país. Daí que o partido fundado por Freitas do Amaral tenha sido, ao longo da terceira república, uma autêntica muleta. Foi assim com o PS e com o PSD. Acontece que, desta vez, ao salientar que estará pronto para uma coligação com o PS, Paulo Portas foi demasiado leviano. Ou, dito por outras palavras, houve uma clara prostituição política na mensagem do líder democrata cristão. E da mais reles.
quarta-feira, março 11, 2009
jorge sampaio e a maioria absoluta
Ouvi ontem Jorge Sampaio defender a estabilidade governativa, sugerindo que esta só tem o seu encontro com uma maioria absoluta, seja qual for o partido que a atingir. O ex-presidente da república nunca foi homem de grandes rasgos, é verdade, mas recalcar um discurso demasiado repisado ao longo dos últimos vinte anos, é, convém dizê-lo, no mínimo, dizer nada. Pois eu defendo exactamente o contrário: superaríamos melhor tudo isto se o governo não fosse de maioria parlamentar. Mais: seria também uma maneira de amadurecermos politicamente que é, de facto, um dos nossos maiores males.
terça-feira, março 10, 2009
a lei da violência doméstica
Pinto Monteiro esteve muito bem ao apontar a hilariante redacção da lei que visa a regulação do crime de violência doméstica. É, aliás, um mal que afecta transversalmente a sociedade portuguesa. De facto, basta olharmos para as redacções dos diversos decretos que inundam o mundo laboral para verificarmos, sem grande esforço, que somos um país repleto de alíneas.
adenda: numa conversa amiga, o meu interlocutor afirmou, prudententemente, que o Procurador Geral da República, embora cheio de razão, escusava de ter feito a reprimenda em público, ainda por cima jocosamente. Não pude deixar de lhe dar razão.
adenda: numa conversa amiga, o meu interlocutor afirmou, prudententemente, que o Procurador Geral da República, embora cheio de razão, escusava de ter feito a reprimenda em público, ainda por cima jocosamente. Não pude deixar de lhe dar razão.
a crise nos prós e contras
Fala-se na crise no programa de Campos Ferreira. Penso que se estão a esquecer de um aspecto importante: dos pobres, dos verdadeiramente pobres, dos excluídos. Houve até um que disse: "se não pode comprar um BMW não compre..."
sábado, março 07, 2009
os erros do computador magalhães
Revelou-se um bom exemplo os variadíssimos e hilariantes erros de português anexados ao muito célebre computador Magalhães, principalmente no que diz respeito ao olhar disseminado do Ministério da Educação para com a educação. Neste sentido paradigmático, nada mais natural do que escutarmos a resposta de um senhor que, dizem, tem a nobre função de assessorar o gabinete do primeiro-ministro, no que concerne à comunicação social. Diz então Luís Bernardo o seguinte: "O Magalhães é um programa de sucesso fantástico, ganha prémios e é um caso exemplar em termos mundiais, por isso o primeiro-ministro se associou a ele (!). Agora, questões concretas sobre conteúdos e eventuais deficiências, isso é com o Ministério da Educação e o das Obras Públicas (!)". Evidentemente que houve também, por parte da equipa de Maria de Lurdes Rodrigues, o óbvio, isto é, que os erros detectados "têm de ser corrigidos". No entanto, permanece a questão de fundo: não devia ser obrigação do ministério da educação rever todo o software do Magalhães antes de o entregar às escolas?
Na verdade, o que tenho vindo a dizer há muito patenteia-se, aqui, de forma indubitável: a educação, para este ministério, não ultrapassa uma série de medidas externas, as quais, inserindo-se legitimamente no âmbito do programa do governo em matéria de educação, não mergulha nunca (ou raras vezes isso acontece) na pedagogia "pura e dura". Rever o funcionamento do Magalhães na sua vertente operacional (e entende-se aqui a operacionalidade no seu todo, isto é, informaticamente, mas também do ponto de vista conteudístico, em que as várias multifuncionalidades da língua devem estar rigorosamente presentes de forma correcta) seria uma excelente e proveitosa acção pedagógica. Mas antes de serem entregues às escolas, naturalmente.
(publicado no jornal Público, em 10/03/2009)
Na verdade, o que tenho vindo a dizer há muito patenteia-se, aqui, de forma indubitável: a educação, para este ministério, não ultrapassa uma série de medidas externas, as quais, inserindo-se legitimamente no âmbito do programa do governo em matéria de educação, não mergulha nunca (ou raras vezes isso acontece) na pedagogia "pura e dura". Rever o funcionamento do Magalhães na sua vertente operacional (e entende-se aqui a operacionalidade no seu todo, isto é, informaticamente, mas também do ponto de vista conteudístico, em que as várias multifuncionalidades da língua devem estar rigorosamente presentes de forma correcta) seria uma excelente e proveitosa acção pedagógica. Mas antes de serem entregues às escolas, naturalmente.
(publicado no jornal Público, em 10/03/2009)
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