terça-feira, março 03, 2009
prós e contras
A Sr.ª D. Fátima Campos Ferreira, do Prós e Contras, anda para ali a inquirir os clientes do BPP como se estes fossem obrigados a saber autênticas minúcias financeiras.
domingo, março 01, 2009
a visão paroquial e provinciana, segundo teixeira dos santos
Independentemente do que se pense da importância da reunião informal de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, para discutir a resposta dos 27 à actual crise financeira e económica, à qual José Sócrates faltou, o argumento usado pelo seu substituto - Teixeira dos Santos - foi deveras ridículo. Teixeira dos Santos andou às voltas com a teoria do ovo e da galinha. Disse isto: "se o primeiro-ministro de Portugal tem legitimidade para ser primeiro-ministro é porque ele é, antes de mais, secretário-geral de um partido" e que "se há alguém que pensa o contrário eu acho que tem uma visão muito paroquial e provinciana do que é a política". Pois não me parece que quem assim pensa tenha, forçosamente, uma visão provinciana da política. O contrário também podia ser apontado, ou seja, ficar na festa do partido em vez de seguir para Bruxelas. Marcelo acabou mesmo agora de afirmar, no seu programa, que Sócrates podia ter conciliado as duas coisas. E tem razão. É bem verdade uma proposta à Marcelo, mas não deixa de constituir um lapso na bem montada máquina socialista.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
o congresso
Alberto Martins disse hoje, com aquele seu ar de doutrinador, que faz parte da matriz identitária do PS as opiniões divergentes, o espaço de debate, a liberdade. Daí que, na sua óptica socialista, o congresso que hoje se inicia só poderá trazer para a vida interna do partido uma dinâmica de vitória, fruto desse mesmo espaço de liberdade opinitiva. Outro contributo interessante veio da boca de outro militante "identitário", de seu nome Silva Pereira, Ministro da Presidência. Este já refere que conta com os professores (socialistas, presume-se) para a construção de uma nova maioria. Fico um tanto siderado: Alberto Martins é uma nulidade no Parlamento, aquando dos debates quinzenais; Silva Pereira nunca fomentou, dentro do partido, um verdadeiro espaço de debate em torno da avaliação dos professores. Em que ficamos, afinal? Falando de espaços, isto não é mais do que um entranhado espaço psicológico que tem logicamente a ver com a proximidade do ciclo eleitoral.
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
educação sexual
Vejo o debate na SIC sobre a nova disciplina de Educação Sexual e verifico que anda tudo às aranhas. Desde Daniel Sampaio, o mentor da ideia, passando pela senhora do ministério e acabando nos alunos que já afirmaram que tiveram umas ideias sobre educação sexual na disciplina de ciências.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
ps e a viragem à esquerda
Os sinais são claros. Em ano de eleições legislativas (e é de legislativas que se trata), o governo do Partido Socialista parece que concluiu que não se safava se não tomasse a seu cargo algumas bandeiras da chamada esquerda fracturante, principalmente do Bloco de Esquerda. De facto, o partido de Louçã revela-se, neste intróito eleitoral, a principal ameaça dos socialistas (ou de Sócrates). Afinal, a maioria absoluta passa, impreterivelmente, pela esquerda. Quantos mais votos se deslocarem para este esquerda (PCP incluído), menos possibilidades alcança o PS na renovação da maioria. Não só da maioria, mas da própria vitória. Neste âmbito, o PSD aparentemente já consegue desfrutar duma lógica programática que, nitidamente, lhe faltava.
Por isso, anda agora o PS num corrupio. O que antes era quase sacrilégio - deixar falir um banco - revela-se agora uma necessidade normalizada, tendo em conta a crise e os interesses superiores do Estado. Tenho para mim que tudo isto é descaramento a mais. Numa palavra: hipocrisia.
Por isso, anda agora o PS num corrupio. O que antes era quase sacrilégio - deixar falir um banco - revela-se agora uma necessidade normalizada, tendo em conta a crise e os interesses superiores do Estado. Tenho para mim que tudo isto é descaramento a mais. Numa palavra: hipocrisia.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
educação sexual: mais uma proposta do eduquês
Não se deve encontrar ninguém de bom senso que esteja contra a educação sexual nas escolas. Da mesma forma, serão nulos os que se insurgem contra a educação cívica no espaço escolar. O problema reside em parâmetros de organização curricular. Os defensores da chamada disciplina Educação Sexual não podiam encontrar melhor parceiro que este Ministério da Educação, o qual, como já abundantemente demonstrou, pouco entende de educação. E falo de educação no sentido puro do termo, isto é, na relação pedagógico-didáctica na sala de aula, nas redefinições curriculares ajustadas, no número de alunos por turma, nos programas disciplinares, na incoerência de aspectos tão simples como os níveis de um a cinco no terceiro e segundos ciclos do ensino básico, na excessiva carga horária dos alunos, no disparate das áreas curriculares não disciplinares, etc. Ora, é precisamente neste último ponto - a invenção de novos parâmetros disciplinares - que se enquadra esta nova disciplina de Educação Sexual, a qual já se encontra vertida em letra de lei. Daniel Sampaio, o grande orientador desta vertente escolar, salientou que a introdução da disciplina no currículo escolar se encontra dois anos atrasada (!). Infelizmente, para além do habitual cliché dos países civilizados, os quais supostamente já aderiram a estas novas orientações programáticas, o psicólogo não justificou a essência da sua afirmação.
Vejamos o meu desacordo. Na base curricular do Ensino Básico em Portugal, existe uma disciplina que tem o seu início no segundo ciclo do Ensino Básico e que se chama Ciências da Natureza. Neste sentido, basta reflectir um pouco nos objectivos que o programa considera para facilmente reconhecermos que a educação sexual é uma temática transversal à disciplina. Anoto dois: "reconhecer que a sexualidade humana envolve sentimentos de respeito por si próprio e pelos outros; identificar transformações que ocorrem no organismo durante a puberdade". Para além disso, os alunos do segundo ciclo do ensino básico têm que reconhecer termos/conceitos como "caracteres sexuais primários e secundários; órgãos sexuais masculinos; órgãos sexuais femininos; óvulo; espermatozóide, fecundação". Ora, com o tenho a certeza que estes termos não são transmitidos, pelos professores da disciplina, de forma unidireccional (sei de alguns professores que levam - e bem - preservativos para as salas de aula), deduzo sem grande esforço que, neste ciclo de ensino, se inicia uma verdadeira iniciação sexual (o pleonasmo é propositado).
Passemos para o terceiro ciclo do ensino básico. Aqui o âmbito da educação sexual, ao nível da mesma disciplina (Ciências da Natureza), é mais alargado e responsabilizado. Com efeito, termos como "conhecer as bases morfológicas e fisiológicas da reprodução humana", convivem saudavelmente com os ciclos ovários e uterinos, com as condições necessárias à ocorrência da gravidez, e também com os vários métodos de contracepção e da prevenção de infecções de transmissão sexual (sida, herpes, hepatite b).
Assim, as questões que necessariamente se colocam são várias: para quê a criação de (mais) uma disciplina? Não será a sexualidade uma matéria transversal a todas as disciplinas do currículo? Por que razão não pode o professor de História ou de Língua Portuguesa abordar, numa perspectiva ética, a educação sexual? Não seria mais coerente alterar a carga horária da disciplina de Ciências da Natureza para que os professores possam desenvolver (ainda mais) este tema?
Repito o que disse inicialmente: os defensores de mais esta aberração curricular não podiam ter melhor perfil de acolhimento do que o actual e desnorteado Ministério da Educação. Acontece que andamos há já muitos anos em experimentações absurdas, incoerentes, demagógicas. Então quando a nebulização de eleições começa a ganhar contornos de uma visibilidade crescente, não há, de facto, terreno mais propício e fecundo para mais um ensaio emproadamente pedagógico. Tudo em nome do eduquês, é claro. E da nação.
(publicado no Público, em 27/02/2009)
Vejamos o meu desacordo. Na base curricular do Ensino Básico em Portugal, existe uma disciplina que tem o seu início no segundo ciclo do Ensino Básico e que se chama Ciências da Natureza. Neste sentido, basta reflectir um pouco nos objectivos que o programa considera para facilmente reconhecermos que a educação sexual é uma temática transversal à disciplina. Anoto dois: "reconhecer que a sexualidade humana envolve sentimentos de respeito por si próprio e pelos outros; identificar transformações que ocorrem no organismo durante a puberdade". Para além disso, os alunos do segundo ciclo do ensino básico têm que reconhecer termos/conceitos como "caracteres sexuais primários e secundários; órgãos sexuais masculinos; órgãos sexuais femininos; óvulo; espermatozóide, fecundação". Ora, com o tenho a certeza que estes termos não são transmitidos, pelos professores da disciplina, de forma unidireccional (sei de alguns professores que levam - e bem - preservativos para as salas de aula), deduzo sem grande esforço que, neste ciclo de ensino, se inicia uma verdadeira iniciação sexual (o pleonasmo é propositado).
Passemos para o terceiro ciclo do ensino básico. Aqui o âmbito da educação sexual, ao nível da mesma disciplina (Ciências da Natureza), é mais alargado e responsabilizado. Com efeito, termos como "conhecer as bases morfológicas e fisiológicas da reprodução humana", convivem saudavelmente com os ciclos ovários e uterinos, com as condições necessárias à ocorrência da gravidez, e também com os vários métodos de contracepção e da prevenção de infecções de transmissão sexual (sida, herpes, hepatite b).
Assim, as questões que necessariamente se colocam são várias: para quê a criação de (mais) uma disciplina? Não será a sexualidade uma matéria transversal a todas as disciplinas do currículo? Por que razão não pode o professor de História ou de Língua Portuguesa abordar, numa perspectiva ética, a educação sexual? Não seria mais coerente alterar a carga horária da disciplina de Ciências da Natureza para que os professores possam desenvolver (ainda mais) este tema?
Repito o que disse inicialmente: os defensores de mais esta aberração curricular não podiam ter melhor perfil de acolhimento do que o actual e desnorteado Ministério da Educação. Acontece que andamos há já muitos anos em experimentações absurdas, incoerentes, demagógicas. Então quando a nebulização de eleições começa a ganhar contornos de uma visibilidade crescente, não há, de facto, terreno mais propício e fecundo para mais um ensaio emproadamente pedagógico. Tudo em nome do eduquês, é claro. E da nação.
(publicado no Público, em 27/02/2009)
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
as propostas do psd
Como se sabe, o PSD resolveu sair duma espécie de letargia que começava já a ganhar contornos um tanto paranóicos e apresentou uma série de propostas, as quais se podem, desde já, definir como um pré-programa de governo. Este é, sem dúvida, um aspecto de grande relevância da política nacional. Com efeito, a congeminação social democrata consegue ter a virtude de uma transversalidade social, pois aponta temáticas várias, desde a educação à saúde, da justiça à política económica, do investimento público às chamadas questões fracturantes (casamentos homossexuais, por exemplo), das desigualdades sociais ao (des)emprego.
A partir de agora, o PS não deve (não pode, se gozar de um sentido ético da política) afirmar - como, aliás, o tem desajustadamente feito -, que tem o monopólio governativo e que, para lá desse seu espaço imaginário, tudo é nevoeiro e predestinado a gerar o caos. Esta sua atitude não revela nada de bom, se tivermos principalmente em conta os princípios fundacionais do partido. Curioso é olharmos para algumas propostas do PSD e vemos que elas se situam claramente à esquerda do PS de José Sócrates. O debate - espera-se - seguirá dentro de momentos.
(resumo do artigo publicado em A Voz de Trás-os-Montes, em 26/02/209 e no Expresso, em 07/03/09)
A partir de agora, o PS não deve (não pode, se gozar de um sentido ético da política) afirmar - como, aliás, o tem desajustadamente feito -, que tem o monopólio governativo e que, para lá desse seu espaço imaginário, tudo é nevoeiro e predestinado a gerar o caos. Esta sua atitude não revela nada de bom, se tivermos principalmente em conta os princípios fundacionais do partido. Curioso é olharmos para algumas propostas do PSD e vemos que elas se situam claramente à esquerda do PS de José Sócrates. O debate - espera-se - seguirá dentro de momentos.
(resumo do artigo publicado em A Voz de Trás-os-Montes, em 26/02/209 e no Expresso, em 07/03/09)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
