sábado, fevereiro 07, 2009

uma espécie de culto

Se dúvidas houvesse relativamente ao espermático culto em torno da figura emblemática de José Sócrates que o PS, enquanto partido-sustentáculo do governo, teimosa e inoportunamente desenvolve, o artigo de Maria Belo hoje no Expresso assume, de forma inequívoca, esse novo paradigma político-estratégico socialista. O título é, desde logo, sugestivo e introdutório da patetice que se lhe segue: "O PS, um partido para lavar e durar". Depois, há coisas destas: "finalmente temos, nós cidadãos, a impressão de sermos governados por um governo democrático. O primeiro-ministro e os membros do governo formam uma forte equipa de homens e mulheres, mais ocupados com o andar do país do que com a politiquice. Errar é humano e falharão aqui e ali. Mas a segurança que transmitem, mesmo em plena crise internacional e nacional é evidente. E este é com certeza o mais visível efeito da liderança de Sócrates". E destas: "Sócrates pegou no PS (...) e fez dele um partido de quadros".
Todo o artigo é, pois, construído nesta inocuidade simplória que envergonhará qualquer socialista que se preze.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

camaradas

Estou propenso a crer que vamos ouvir, amiudadas vezes, este ano, por parte de alguns dirigentes do Partido Socialista, o sólido vocábulo "camaradas". Por estes dias, já o ouvi, vigorosa e estafadamente, por Sócrates e pelo inevitável Santos Silva, que até já anda por aí a oferecer "malhação" à oposição.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

a greve no reino unido

É mais um sinal da crise económica que vivemos. Trabalhadores britânicos da área da energia entraram em greve por causa da empregabilidade de trabalhadores de outras nacionalidades. Acontece que estes trabalhadores são cidadãos da União Europeia, nomeadamente italianos e portugueses. A crise é, de facto, bem mais grave do que parece.

professores reformados voluntários

É mais uma reforma educativa deste extraordinário ministério da educação: alguém, provavelmente alguém que por lá andava mais esquecido (Walter Lemos?) teve esta assombrosa ideia: e se convidássemos os professores que se encontram na reforma para gerirem actividades extracurriculares nas escolas? E pronto. Pegou! É, de facto, um grande e reformador ministério. Será que esta gente não consegue mergulhar verdadeiramente na educação?

o processo

O caso Freeport vem revelar, quanto a mim, uma evidência: o culto despropositado que o primeiro-ministro conseguiu desenvolver em pouco mais de quatro anos. Mas o que é realmente estranho é que essa espécie de veneração personalista vem, em grande parte, daqueles que, por obrigação, deveriam ter uma postura de total independência. Estou a falar, obviamente, dos que têm responsabilidades nos meios de comunicação social. Com efeito, desde o simples pivô do telejornal ao mais afamado e idóneo comentador, todos - ou, pelo menos, a sua grande parte - convergem no seguinte: o de não acreditar que José Sócrates ("o meu primeiro-ministro", ouvi de alguns) tenha recebido alguma espécie de luvas ou cometido algum tipo de irregularidade neste imbróglio em que se transformou o espaço comercial de Alcochete. Depois, como que a aligeirar o hipotético e nebuloso envolvimento do nome de José Sócrates no meio de tudo isto, atiram-se à família - ao tio e aos primos -, expressando sempre a tenebrosa e cobarde frase de que ninguém pode escolher a família que tem.
Creio que José Sócrates fica mal na fotografia. Não tanto pelas aparições etiquetadas que tem vindo a suceder nas televisões, mas, principalmente, porque parece sentir-se bem montado no alto da sua ténue sustentação piramidal. Quanto ao resto, é, simplesmente, o resto. José Sócrates é, à luz da lei, um cidadão como outro qualquer. Por isso, tudo o que diga respeito a processos de investigações judiciais em que o seu nome seja opinado, o tratamento a que é sujeito deve ser o mesmo que um outro qualquer cidadão. Daí que aquela juíza - por sinal a responsável pela investigação - que num dia deu duas entrevistas televisivas, prestou, também um mau serviço ao país, isto é, à justiça portuguesa.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

o relatório da ocde

Enquanto o país anda entretido com o dúbio e alarmante espectáculo em torno do empreendimento Freeport, um outro caso de manifesta gravidade passou muito ao lado da opinião publicada. Trata-se de um putativo relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), no qual esta instituição internacional terá elogiado as presumíveis reformas educativas do governo. Este, como é seu timbre e tique, iniciou logo uma campanha de informação propagandística, com comunicados vários e coloridos para toda a comunicação social. E o que diz então a nota do governo? "Somente" o seguinte: "O primeiro-ministro, José Sócrates, e a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, assistem amanhã, segunda-feira, dia 26 de Janeiro, à apresentação da avaliação feita pela OCDE das reformas realizadas no 1.º ciclo do Ensino Básico".
Esta "avaliação" (com as devidas aspas) da OCDE aprimora-se ao ponto de julgar que "as reformas [do governo] tiveram um grande apoio em todo o país e irão atrair um crescente interesse internacional" (encontra-se também a aparição de umas ténues e perceptivas críticas quando refere o aconselhamento para um paradigma prático mais visível, no âmbito do aplauso geral e laudatório que constituiu a escola a tempo inteiro no primeiro ciclo de estudos).
Ora, nada disto seria preocupante se não revelasse, por parte do governo e deste ministério da educação, uma ligeira inclinação para a esquizofrenia mediática. É que, afinal, o relatório da OCDE não é da OCDE. A própria organização já desmentiu qualquer vínculo com o documento. Trata-se apenas, como ingloriamente teve que sublinhar José Sócrates no último debate parlamentar, de um estudo que "segue de perto a metodologia e abordagem da OCDE”, mas que foi feito por – note-se o esmero titubeante – “peritos internacionais independentes” (convém também sublinhar que o âmbito geográfico de análise do estudo tem muito de – mais uma vez – estratégia política, ao remeter a investigação para sete autarquias maioritariamente socialistas e apenas dez escolas). Acontece que esse estudo levantado por "peritos internacionais” que seguem de perto os ditames metodológicos da OCDE, parece não passar de um análise encomendada pelo governo em que nada de relevante diz no que concerne a uma verdadeira aferição qualitativa do ensino durante estes quatro anos de Maria de Lurdes Rodrigues. A questão é, portanto, sintomatológica: por que razão o governo encenará estes verdadeiros golpes de teatro? É aqui que me lembro da atávica frase da Ministra da Educação, aquela de perder os professores, mas ganhar a população, ou seja, a opinião pública. E, muitas vezes (demais), também a publicada.

terça-feira, janeiro 27, 2009

yes, we can (versão do seixal)

Anda para aí um candidato a presidente de Câmara pelo PSD (penso que é do Seixal) que não arranjou melhor slogan de apresentação do que o prolongado "Sim, nós podemos". O interessante é a sua honestidade: "trata-se de marketing político". O PSD anda, de facto, com reais problemas na apuração dos seus candidatos autárquicos.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...