sexta-feira, janeiro 23, 2009

oportunismo e demagogia

Na política, oportunismo e demagogia andam muitas vezes de braço dado. A maioria socialista chumbou, com se esperava, a proposta do CDS visando a suspensão da avaliação dos professores. O primeiro-ministro não demorou muito para rematar o seguinte: " vi agora alguns elementos do PS a votar com o CDS e não gostei". Não sei se algum deputado tremeu. É normal, pois o período que segue, na vida interna dos partidos, tem muito a ver com a constituição das listas de deputados. Mas Sócrates, com a sua habitual aura de líder incontestado (construção demasiado pacífica do PS) ainda atinou no seguinte: "acho lamentável que no país a única instituição que quer a avaliação seja o Governo". Ora, como se revela óbvio, é totalmente falso que seja assim. Chama-se, pois, a isto, demagogia. E da mais barata.

terça-feira, janeiro 20, 2009

o presidente obama

Acabei agora de ouvir na CNN uma crítica ao discurso de Obama. Dizia então o comentador que foi o primeiro discurso presidencial em que não se ouviu uma frase sonante, daquelas que ficam gravadas na memória ao longo dos tempos. É verdade! Mas o que torna o discurso do novo presidente dos Estados Unidos um discurso extraordinário para uma tomada de posse (com um registo enfático, objectivo, acutilante...) é precisamente a ausência. Não a ausência conteudística, mas a ausência duma retórica ufuna, precisamente aquela que carrega um sem-número de frases feitas. Por isso é que aquele início, com as duas gafes seguidas de Obama e com a mão timidamente levantada, foi talvez a marca mais visível desta sua tomada de posse. E ainda bem.

o provável futuro presidente

Começo a dar razão a Pacheco Pereira no que diz respeito à mansidão da comunicação social sobre a política do país. Ouvi na Antena 1 a seguinte e extraordinária apresentação de Pedro Passos Coelho, aquando da sua participação no colóquio promovido pela revista Economist: "Pedro Passos Coelho, visto como o provável futuro presidente do PSD". Chama-se a isto futurologia. Mas também se enquadram, na perfeição, outros nomes.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

o sentido de credibilidade de mário lino

Mário Lino outra vez!... O Ministro das Obras Públicas acusa directamente Ferreira Leite nestes termos: se antigamente era a favor do TGV, por que carga de água é, agora, contra?!...
Ó sr. Ministro, só por muita ingenuidade é que o sr. pode dizer uma coisa destas!... Então não foi o senhor que disse que o aeroporto lá para o sul de Lisboa "jamais"? E quanto tempo passou para que a sua opinião mudasse? Dois?... Três meses? Relativamente a Manuela Ferreira Leite, estamos a falar de seis anos!... E o sr. quer comparar os tempos?!... Uma crise equiparada à de 1929 é o que estamos a viver agora!... Por isso, sr. ministro, seria bom que não desbocasse tanto! Aliás, quando o sr. abre a boca, José Sócrates deve tremer. É que as eleições estão cada vez mais perto. Por isso, a ordem será "jamais" para os disparates...

quinta-feira, janeiro 15, 2009

A Grande Entrevista

- E foi a entrevista com a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite. Para a semana, estarei em Manchester para uma nova Grande Entrevista, desta vez com Cristiano Ronaldo.
Judite de Sousa despede-se, assim, com um sorriso no olhar, de Manuel Ferreira Leite.

o debate parlamentar

Ouvi ontem partes do debate parlamentar. O tema proposto pelo Governo foi a saúde. Confesso que ouvi, mas tive dificuldades de entendimento. Do que falavam aquelas pessoas? Ataques rasteiros, truquezitos disciplinados, risinhos, dedos apontados, o passado, confrontos pessoais... tudo isto se passa no Parlamento. Paulo Portas contabilizou as perguntas que Sócrates não respondeu nas suas visitas quinzenais ao Parlamento. Por sua vez, Sócrates acusa o líder do CDS-PP de lhe questionar sobre coisas do tipo o preço do pão (não foi este exactamente o exemplo, mas serve perfeitamente para ilustração). Logo Sócrates, que é especialista em levar, qual um mágico que retira um coelho da cartola, esta espécie de número: um lançamento de uma obra pública, a redução do preço disto e daquilo... Mas o que realmente fica, no meio do foguetório em que se transformou o plenário, é a inocuidade, o vazio. Não sei se o problema é meu. Estou em crer que não. Mas não ouvi - do que pude ouvir - nada de jeito. E a culpa é de José Sócrates. É, sem dúvida, o primeiro-ministro mais habilidoso da nossa imberbe democracia. Não tem a retórica guterrista (Vasco Pulido Valente apelidou-o, injustamente, de "picareta falante"), mas possuiu um outro tipo de retórica, precisamente aquela que se fabrica para os meios de comunicação social. Mais nada.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

as meninas e os meninos do marketing telefónico

José António Saraiva escreveu uma excelente crónica no último Tabu sobre o labirinto (é assim que se titula o escrito) que constitui uma chamada para a linha de apoio ao cliente de uma qualquer operadora telefónica. Na verdade, o que esta gente faz no outro lado da linha é extraordinariamente confrangedor, pois trata-se de mero marketing, o qual não passa de uma inócua simpatia comunicativa. Para além disso, o sermos obrigados a engolir grandes pedaços de publicidade enquanto, desesperadamente, esperamos pela passagem a uma hipotética e desejada solução não sei se não constituirá um qualquer ilícito de mercado, tendo em conta os superiores interesses do consumidor.
Com efeito, toda esta situação nos conduz à formulação da seguinte questão? A formação destes operadores resume-se aos níveis de excelência – que efectivamente conseguem atingir – no que diz respeito à simpatia e à amabilidade? Seria melhor que não fosse assim e que alcançassem a resolução atempada dos diversos problemas dos clientes. É que não basta abrir pacoviamente a boca – como muitas empresas o fazem – quando afirmam que a formação é uma realidade da empresa, sem ter em linha de conta que essa mesma formação não vai ao encontro das necessidades dos clientes.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...